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"American Vandal" e "Big Mouth" são mais do que piadas sujas

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As novas séries originais de humor da Netflix tem um quê documental e um humor afiado 

"American Vandal" e "Big Mouth" são mais do que piadas sujas

Foto: "Big Mouth" (Netflix/ Divulgação) 

As duas comédias que vamos abordar aqui, apesar de estarem sendo aclamadas pela crítica gringa, passaram quase despercebidas pelo público brasileiro. À primeira vista, podem soar como ligeiramente ridículas e com mais palavrões do que precisam. 

Mas mesmo bem diferentes entre si, essas séries de humor merecem a sua atenção; pois enquanto "American Vandal" é uma sátira inteligente da estética de "Making a Murderer", "Big Mouth" é uma animação dolorosamente honesta sobre a puberdade. 

American Vandal 

O caráter é "documental", mas não se engane, tudo não passa de uma ficção. Na história, temos a investigação de um crime inusitado: a pichação de 27 pênis em carros de professores numa escola da Califórnia, causando o prejuízo de U$ 100 mil dólares. O jovem Dylan Maxwell (Jimmy Tatro) acaba sendo apontado como responsável, já que é o típico aluno valentão problema, mas deve provar sua inocência. 

Diferentemente do que pode parecer, os 8 episódios criados por Tony Yacenda e Dan Perrault têm um humor sagaz que tira sarro de outras obras de investigações criminais, usando como pretexto essa história relativamente boba, já que tudo sempre volta para a pergunta: "Quem desenhou os pênis?". 

Contra o bom senso, a série já conquistou quase 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, e cumpre seu propósito, deixando o público intrigado do começo ao fim, trazendo boas risadas com os detalhes do "mistério", e ainda fascinando com uma dramática virada no final. 

Big Mouth 

Essa animação adulta é um retrato cruel e hilário sobre a pior fase na vida da maioria das pessoas: a adolescência. Todos tiveram em algum momento alguma situação confusa na puberdade, sofreram com os hormônios ou passaram algum tipo de vergonha. Daí a astúcia da produção, ela é muito fácil de se identificar, mesmo que beire o exagero. 

Os personagens estão naquela fase de descobertas sobre suas mudanças físicas durante a puberdade, por isso, espere um foco sem filtro algum sobre a sexualidade e amor naquela época em que jovens garotos ficam excitados quando não deveriam, e meninas devem enfrentar a menstruação, TPM e tantas outras questões que não são nada fáceis no início. 

Em 10 episódios, dirigidos por Mark Levin e Jennifer Flackett, com roteiro de Nick Kroll e Andrew Goldberg (Family Guy), espere muita honestidade. Como os escritores garantem, o programa foi baseado nas experiências deles mesmos. O mais inovador, no entanto, talvez sejam os "monstros do hormônio", com a voz da excelente Maya Rudolph para a personagem feminina, e Nick Kroll na versão masculina. 

É verdade, talvez não seja um desenho para qualquer um. Mas é engraçado acompanhar as aventuras e problemas enfrentados, pois esse quê de franqueza é algo raro na televisão atual.