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Escândalo em Hollywood: o caso de Harvey Weinstein, o famoso produtor do cinema

Júlia Korte
há 12 dias3.9k visualizações

Vencedor do Oscar agora enfrenta acusações de assédio sexual remontando mais de uma década - acumulam-se os relatos de celebridades 

Escândalo em Hollywood: o caso de Harvey Weinstein, o famoso produtor do cinema
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Um dos nomes mais famosos da indústria do cinema conquistou as manchetes do mundo inteiro essa semana. Dessa vez, porém, não foi por conta de nenhuma premiação ou novidade que seríamos agraciados nas telonas. Pelo contrário, uma razão triste e, infelizmente, tão recorrente no mundo ainda: o assédio sexual.

O caso

Harvey Weinstein, 65 anos, sempre foi considerado um dos gigantes de Hollywood. Fundador dos estúdios Miramax e até então parte da Weinstein Company - empresa a qual ajudou a fundar-, ele acabou exposto; conforme artigo publicado no New York Times, revelou-se que o produtor fechou ao menos oito acordos financeiros com mulheres (cujos nomes não foram divulgados em totalidade) nas últimas décadas, envolvendo "assédio sexual e contatos físicos indesejados".

Entre as vítimas, sabemos pelo menos de duas atrizes famosas, Ashley Judd e Rose McGowan, uma modelo e duas assistentes, em casos que desenrolaram durante os quase 30 anos de carreira do magnata.

Provando, assim (e mais uma vez, como você verá a seguir) que de gigante não tem nada.

Dali em diante, foi só ladeira abaixo. Com as notícias tomando conta das conversas, diversas outras celebridades e profissionais da área começaram a compartilhar as suas próprias experiências desagradáveis e violentas com o caricato produtor, responsável por, entre outras, descobrir Tarantino e dar vida aos premiados filmes "Shakespeare Apaixonado" e “O Paciente Inglês”.

Curiosamente, essa figura sempre pensou ser intocável. Tanto que Harvey nunca escondeu seu lado agressivo; sempre teve fama de ser boca suja, sem pudores e se envolver em polêmicas de difamação até contra outros colegas do setor. Muitos inclusive atribuem diversas polêmicas de bastidores de premiações a seu nome.

Até então, Weinstein era casado com a designer de moda Georgina Chapman, por trás da marca de grife Marchesa, mas ela anunciou que iria deixa-lo frente à todas as acusações. Em nota divulgada pela revista People, disse: "Meu coração se parte por todas as mulheres que sofreram tamanha dor por causa das suas ações imperdoáveis. Eu escolhi deixar meu marido. Minha maior preocupação é pelas minhas crianças e eu peço privacidade da imprensa durante esse período". 

Os dois estavam juntos desde 2007 e têm dois filhos juntos, India Pearl, 7, e Dashiell Max Robert, 4. 

Os relatos

O fato não veio com tanta surpresa para Hollywood. Além da fama de brucutu, como Jessica Chastain pontuou no Twitter, por exemplo: “Eu fui avisada desde o começo”.

Mas as acusações são diversas. Asia Argento, atriz e diretora italiana, contou que teve que teve de fazer sexo oral de maneira forçada no produtor, após ser constrangida em um quarto de hotel em 1997. “Foi um pesadelo”, confirmou à The New Yorker. O episódio inclusive inspirou alguns momentos do seu filme “A Diva Escarlate”, como é possível ver em trecho destacado por ela mesma: 

Ainda, Asia afirmou que Harvey teria se reconhecido na cena e pediu desculpas. E como não é incomum para muitas vítimas, ela acabou cedendo e, com medo da pressão, acabou colocando de lado o que se passou.

Outras, como Mira Sorvino e Rosanna Arquette, alegam assédio sexual por parte dele. 

Gwyneth Paltrow foi outra atriz que também veio a público com sua história, e relatou que foi assediada depois de ter sido contratada para fazer “Emma” (1996). Segundo ela, logo antes das filmagens, teria sido chamada a uma suíte, onde ele sugeriu que fossem fazer massagens, colocando a mão dela. "Estamos em um ponto em que as mulheres precisam mandar um recado mais claro de que isso acabou. Esse jeito de tratar as mulheres termina agora", confirmou. O seu namorado à época, Brad Pitt, chegou a confrontar Harvey, conforme confirmado pelo próprio ator no NYT.

Tudo parece um grande pesadelo e é mais do que suficiente para confirmar o absurdo que é alguém ser tolerado tanto tempo com um comportamento assim. Porém, entre as provas mais escandalosas está esse áudio gravado ainda em 2015 pelo Departamento de Polícia de Nova York, na qual Weinstein admite ter agarrado Ambra Batillana Gutierrez, uma modelo que o acusou formalmente. 

Embora esteja sem legendas, a parte mais chocante - além, claro, da insistência e agressividade, é ele contar que esse tipo de comportamento era um hábito. O áudio foi publicado pela New Yorker e pode ser visto também aqui:

Angelina Jolie também sofreu nas mãos do agressor. Segundo ela, Harvey a assediou também em um quarto de hotel, porém, durante o lançamento do filme “Corações Apaixonados”, de 1998. "Eu tive uma experiência ruim com Harvey Weinstein na minha juventude, e como resultado, escolhi nunca trabalhar com ele de novo e avisar a outras pessoas disso. Esse comportamento contra mulheres em qualquer área e em qualquer país é inaceitável", revelou.

Escândalo em Hollywood: o caso de Harvey Weinstein, o famoso produtor do cinema

Foto: Angelina Jolie (Reprodução/ Gage Skidmore)

E a cada hora, novas histórias de horror vem à tona.

O pedido de desculpas

Com tudo isso, Weinstein pediu desculpas publicamente através de uma nota impessoal - se é que podemos chamar isso de desculpas. No texto, disse que está saindo da empresa (a qual ele foi demitido) e que irá buscar terapia:

 "Eu admito que o jeito que me comportei com colegas no passado causou muita dor e peço sinceras desculpas por isso. Embora eu esteja tentando melhorar, eu sei que tenho um longo caminho a percorrer" (...) "Eu me tratei com terapeutas e planejo tirar uma licença da minha empresa e lidar com essa questão de frente".

Mas o conteúdo mais parece uma grande lorota. Para se eximir da culpa, diz em trecho: 

“Eu venho de uma época dos anos 60 e 70 na qual as regras de comportamento nos locais de trabalho eram diferentes. Essa era a cultura então”. 

Em outra fala, reconhece que isso acontece há tempos: 

“Eu percebi há algum tempo que precisava ser uma pessoa melhor e as minhas interações com as pessoas que trabalhou mudaram”. 

Mas precisou de uma matéria bem pública para acabar com isso, né? Ou ainda: 

“Eu respeito todas as mulheres e me arrependo do que fiz”.

Enfim, um grande roteiro de sua jornada em busca de redenção. Se você quiser ler esse insosso relato de um abusador, leia aqui.

Repercussão 

Esse era o pequeno segredo sujo de Hollywood por três décadas. Por isso, o que mais chama atenção é como esse caso demorou tanto para vir a público dessa maneira. Pensar que a indústria foi tão permissiva por tanto tempo com essa atitude é trágico. 

É claro que as vítimas que não o denunciaram não podem ser culpabilizadas de maneira alguma por isso, pelo contrário, é compreensível dentro do contexto. E, sim, é extremamente difícil vir à público com esse tipo de histórias.  

Mais do que tudo, é doloroso pensar (e relembrar) o quanto a cultura é tolerante e passiva com homens e agressores desse nível. É decepcionante a quantidade de "ídolos" de milhares de pessoas que também foi passiva frente a essas situações. Matt Damon e Russel Crowe, por exemplo, grandes atores, se revelaram como homens pequenos. Sharon Waxman, jornalista e fundadora do site de notícias na área do entretenimento The Wrap, revelou que diversas estrelas, inclusive eles, a pressionaram (e a outros jornalistas), para as histórias não vazarem. 

Escândalo em Hollywood: o caso de Harvey Weinstein, o famoso produtor do cinema

Foto: Matt Damon (Reprodução/ Nicolas Genin)

Em resposta ao caso como um tudo, dezenas de outros astros também falaram que "não sabia", que "não tinham certeza" ou que "não faziam ideia o quão terrível era". Ou seja, quantos Harvey será que não temos por aí? 

Mas pelo menos esse reinado (ou ditadura) finalmente chegou ao fim. E fica a esperança de que, no mínimo, ele passe os próximos anos nos tribunais ou na cadeia. 

Guia Blade Runner 2049: tudo o que você precisa para entender o filme

Júlia Korte
há 17 dias3.6k visualizações

Contamos os detalhes sobre a obra e o universo para você que precisa relembrar ou vai descobrir a saga 

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Guia Blade Runner 2049: tudo o que você precisa para entender o filme

Foto: divulgação 

“Blade Runner 2049” finalmente chegou aos cinemas! 

O filme, que é uma sequência de uma produção conhecida como uma das mais influentes da história, está entre os mais aguardados do ano e conta com um elenco de peso. Nessa nova versão, de Denis Villeneuve, a história se passa trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, com a humanidade ameaçada novamente.

Confira o trailer:

A obra original, de 1982, "Blade Runner, o Caçador de Andróides", traz muitos detalhes importantes. Por isso, fica tranquilo! Se você não lembra ou então não terá tempo de assistir e quer pular direto para a nova versão, a gente te conta tudo para você entender.

Olha só:

A sinopse original

“Blade Runner, o Caçador de Andróides” (1982) se passa em Los Angeles, no ano de 2019. A cidade havia sido devastada pela poluição e superpopulação, tornando o mundo um lugar sombrio. Tudo dá mais errado quando uma série de robôs que são iguais humanos saem do controle.

O livro

Para quem não conhece, a produção original é uma adaptação do livro “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, do autor de ficção científica Philip K. Dick.

Versões

Oi? Tem várias versões? Sim. Se você quiser ver o original, procure a versão do diretor. É que para ir aos cinemas, o filme sofreu tantos cortes que acabou prejudicada. Apenas 10 anos depois é que os fãs puderam ver o que realmente Ridley Scott tinha pensado.

A cronologia

O novo filme se passa exatamente 30 anos depois da história original e Rick (Harrison Ford) esteve desaparecido durante todo esse período de tempo. O policial K, interpretado por Ryan Gosling, descobre que Rick pode guardar um segredo que coloca a humanidade em risco e que tem a ver com o fabricante de androides Wallace (Jared Leto).

O retorno

Bom, além da volta esperada de Ford, que volta como o personagem Rick, Ridley Scott aparece como produtor para dar assistência. “"Eu estive esperando por uma reunião como essa por 35 anos", disse em 2011 quando começaram as conversas sobre o filme. Hempton Fancher, também do original, é roteirista ao lado de Michael Green, de “Logan”.

Tyrell x Wallace

No primeiro filme, quem construiu os seres parecidos com humanos é a corporação Tyrell. Agora, essa companhia faliu e quem assumiu o comando foi a empresa de Niander Wallace (Jared Leto), que produz esses androides humanizados mais modernos e obedientes.

O que é Blade Runner?

De maneira resumida, é o esquadrão de elite da polícia que tem a ordem de matar os Replicantes encontrados, num ato chamado de remoção, não execução.

Quem são os Replicantes?

São os androides humanizados criados pelas corporações. Na sequência, porém, eles têm mais sentimentos. O blade runner K, personagem de Ryan Gosling, tem essa característica. O interessante dos filmes é a discussão do que nos torna humanos. Quem seria mais cruel? Na obra original, uma replicante argumenta: “O que nos faz humanos é morrer por uma causa”.

Rick Deckard

Rick é um desses Blade Runners que deve caçar e aposentar os Replicantes. Desde que eles foram declarados ilegais na terra, cabe a ele encontrá-los. Além de ser o maior especialista no tema, o fandom discute se ele não seria um Replicante que não sabia da própria existência.

Rachel

Essa figura remete ao filme original, sendo o papel de “femme fatale” que acabou sendo uma grande aliada. No caso, ela era uma replicante e não sabia, e mexeu com o coração de Deckard.

O teste Voight Kampff

Esse teste foi criado para identificar quem seriam os androides. Segundo o filme são 30 perguntas que o interrogador deve fazer para saber se o entrevistado é ou não é um Replicante. Entre os fatores analisados, além da resposta, está o aumento involuntário da pupila e a dilatação. 

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julia.korte
Jornalista e geek de coração. Praticante de binge-watching. Vive a base de cafeína e boa música. Um crush eterno em cinema e seriados.