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“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto

Júlia Korte
há 7 meses59 visualizações

Seria o historiador que contrariou a existência do período o maior vilão do cinema esse ano? 

“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto
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Hoje, 9, estreia “Negação”, um dos filmes mais aguardados do ano. Estrelado por Rachel Weisz, ele conta uma história que parece saída da ficção, apesar de ser baseado em fatos reais; a luta da escritora Deborah E. Lipstadt para provar na Justiça a existência do holocausto.

Confira o trailer: 

Tudo começou em 1993, quando a autora e historiadora publicou um livro intitulado “Denying the Holocaut” (Negando o Holocausto, em tradução livre), em que analisava a opinião pública durante a Segunda Guerra Mundial. Para quem está incrédulo, é verdade: havia um movimento sombrio que contestava o fato histórico. Na obra, questiona o trabalho de David Irving (interpretador pelo excelente Timothy Spall ), que negava publicamente a existência do holocausto, e chama o também historiador de “denier”.

O termo, porém, foi considerado ofensivo pelo seu opositor, que decide processá-la, dando início então a uma longa e famosa batalha na Justiça britânica por difamação. É que segundo a lei da Inglaterra, um acusado deve provar sua inocência, e não o acusador provar a culpa. Para ser declarada inocente, ela deve reunir provas do que foi um das maiores tragédias da humanidade, que matou pelo menos 6 milhões de judeus durante a ocupação nazista na Europa. Um milhão só nos campos de concentração que a Alemanha possuía em diversos territórios. 

“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto

Baseado no livro "History on Trial: My Day in Court with a Holocaust Denier", de Deborah Lipstadt, é uma narrativa tensa de tão surreal que pode parecer. Por isso, tão importante em tempos de muros e separatismos. Afinal, quantos l Irvings não temos por aí sobre outros temas? 

O caso, que chega às telas agora sob os olhares do cineasta britânico Mick Jackson (o mesmo de "O Guarda-Costas" (1992), com Kevin Costner e Whitney Houston), reflete, assim, sobre a vaidade intelectual de um historiador que confronta o público com uma opinião que hoje parece surreal, embora seja relativamente recente. 

Mas como disse o The Guardian, é uma premissa recompensadora porque reafirma o compromisso da sociedade com a verdade. Curiosamente, também levanta o questionamento: quem subiria em um palco com Buzz Aldrin para dizer que o pouso na Lua foi falso? 

Nesse contexto, é também uma recordação de que a História é por vezes cruel. A opinião pública nem sempre acerta. E é muito fácil se levar    nos debates de certo e errado. Em momentos assim, sempre me recordo do diálogo: 

"-Quem estará nas trincheiras ao teu lado? 

- E isso importa?

– Mais do que a própria guerra ”

“A Bela e a Fera” e a missão da Disney em empoderar as princesas

Júlia Korte
há 8 meses54 visualizações

Conheça as razões pelas quais a nova produção irá muito além dos estereótipos 

 “A Bela e a Fera” e a missão da Disney em empoderar as princesas
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A maioria das garotas nascidas na década de 1990 não vê a hora de assistir o live-action de “A Bela e a Fera”, que chega aos cinemas em 16 de março — e nem as mães que provavelmente assistiram tantas vezes quanto suas filhas. Não à toa que o trailer bateu o recorde de mais assistido em 24 horas, somando 127.6 milhões de visualizações em 24 horas, superando “50 Tons de Cinza”. Ainda mais considerando que a personagem ganhará vida com a amada atriz Emma Watson (com direito ao vestido amarelo e cantoria!). 

Nostalgia é pouco. 

E digo mais. Outro fator importante é porque, como muitos já apontaram, diferentemente de Cinderella, Bela é uma princesa inteligente, determinada e com traços feministas.

O novo filme não será uma releitura moderna da narrativa, mas com certeza adicionará algumas características que se relacionem com o público de hoje. Entre eles, encorajar a leitura entre mulheres; Bill Condon, o diretor, disse que essas mudanças inclusive foram inspiradas pelo trabalho da atriz na vida real, que além de embaixadora da ONU, lançou recentemente um clube do livro feminista e sempre usou sua influência como celebridade para falar em favor da igualdade de gêneros.

 “A Bela e a Fera” e a missão da Disney em empoderar as princesas

Esse mesmo ponto positivo, porém, a fez hesitar em participar da trama, uma vez que muitos apontam que o conto se enquadra na “Síndrome de Estocolmo”, um complexo apego em que alguém em cativeiro pode desenvolver pelo seu sequestrador. “É uma questão relevante, e é algo com o qual relutei no começo”, contou em entrevista à Entertainment Weekly. Contudo, ao fim, para Watson, Bela é capaz de discordar e discutir com a Fera, mantendo sua independência e liberdade de expressão, capaz de ter ambições.

Entre as mudanças da trama, está o fato que Bela será uma inventora. Na história original, o que sabemos principalmente é que a personagem é filha de Maurice, um vendedor de livros e inventor, e que ela não se encaixa muito bem no vilarejo. Agora, no entanto, Bela inventou uma espécie de máquina de lavar roupas para que, em vez de ficar fazendo limpeza, ela pudesse ler livros. É isso mesmo, deram uma carreira de inventora para a “princesa”! Nada mal, né? Sem contar que a atriz também se recusou a usar um espartilho, por exemplo.

Quando era mais jovem, nunca tive muito tempo - ou interesse, se for sincera -, em pensar no lado politico das princesas, enquanto assisti milhares de vezes aos contos tão amados. Simplesmente vislumbrava o lado maravilhoso dessas personagens nas telas. Da mesma forma, quando aprendi a reconhecer e me aprofundar na problematização das princesas, fiquei receosa com algumas obras.

Mas Watson tinha razão. A protagonista lê livros e é inteligente e audaciosa, diferente de outras princesas. Ela recusa o pedido de casamento de Gastão (foto abaixo), que fala para Bela fazer massagens e ter filhos com ele. Além disso, ela não fica esperando um príncipe sem nada para fazer. Ao contrário de Branca de Neve ou Aurora, em “A Bela Adormecida”, é o seu beijo, na verdade, que salva o galã da história, o que é muito legal. Inconscientemente, talvez seja por tudo isso que sempre gostei muito do filme, a ponto de regravar fitas de VHS depois de gastá-las por tanto assistir. E nada disso significa que ela não possa ser romântica ou se apaixonar. Afinal, quem somos nós para julgar as escolhas de vida de outra mulher?

 “A Bela e a Fera” e a missão da Disney em empoderar as princesas

Todas essas direções artísticas, como já falei sobre Moana e Mulan, são mais uma prova do esforço da Disney em se reinventar para uma missão mais empoderadora às mulheres, como aconteceu em Frozen, Valente e Malévola. De maneira consciente, as meninas e o novo público do filme talvez não se importem tanto, da mesma forma que eu não me importava. Mas o fato do grande estúdio dar à luz ao debate, focar em narrativas familiares, carreira e independência feminina, é necessário. Não porque é algo “comercial”, e sim pelo legado da obra.  

Resta dizer: chega logo estreia! 

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julia.korte
Jornalista e geek de coração. Praticante de binge-watching. Vive a base de cafeína e boa música. Um crush eterno em cinema e seriados.