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Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?

Júlia Korte
há 7 meses158 visualizações

Após divulgação do trailer, novo filme da plataforma de streaming chama mais atenção pela (controversa) escalação do elenco

Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?
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A Netflix divulgou nessa última quarta-feira, 22, o primeiro trailer para o live-action the “Death Note”, a versão norte-americana do anime de maior sucesso do Japão na última década. 

Confira:

Com lançamento previsto para 25 de agosto, a produção traz o ator Nat Wolff (de “Cidades de Papel”) como o protagonista desse thriller. A história conta a trajetória de um jovem que descobre um caderno que mata qualquer pessoa que tenha seu nome escrito nele. Com isso, o personagem começa a escrever nomes de pessoas que ele não considera “dignas de viver”. A direção ficou a cargo Adam Wingard, da nova versão de A Bruxa de Blair, em 2016. Portanto, podemos esperar muita emoção e adrenalina correndo solta, não é?

Originalmente, a obra é um mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. Desde 2003, quando estreou no país, se tornou uma das séries anime mais conhecidas, com quatro filmes live-action, uma série dramática de televisão e um musical, entre outras adaptações. Ou seja, ao que tudo indica, será mais um sucesso, não fosse por uma questão para lá de grande que tem chamado atenção do público da franquia: o “whitewashing”. 

Para quem não conhece, a palavra é uma expressão para quando um personagem étnico é interpretado por um ator branco, seja por uma fantasia pura dos criadores, ou até de maneira estereotipada e ofensiva. Um exemplo claro é a figura do “Ancião” no filme do Dr. Estranho que, em vez de representar um monge oriental foi interpretado por uma atriz branca, por exemplo.

Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?

Tilda Swinton que interpretou o "Ancião", um ser místico, considerado o "Mago Supremo do Universo"

O termo é conhecido há um tempo, mas começou a ganhar mais força depois de uma campanha do Oscar 2016 chamada “Why so White?”, que expressava a ausência completa de atores negros ou de qualquer outra etnia entre indicados. Situação bizarra que levou muitos (com razão) ao boicote. E se você ainda não entendeu, é tipo quando uma novela se passa na Índia, mas não tem nenhum indiano. 

Bom, o fato é que apesar da importância e relevância da discussão, as indústrias do cinema e da televisão têm milhares de desculpas rasas para isso; coisas desde que protagonistas brancos são melhores para audiência, até o fato de que ninguém gosta de legenda ou a mais “cara de pau”, quando falam que não ligam para cor de pele e simplesmente dão o papel para quem mereceu ou para o que a audiência optar.

Hello, vamos falar de privilégio? 

Agora o pior é que essa polêmica já acompanha alguns outras adaptações do ano, incluindo o esperado “Ghost in the Shell”, com Scarlett Johansson interpretando também uma personagem que é japonesa na história original. Dessa vez, porém, uma ciborgue que deve comanda uma força tarefa contra um ataque cyber-terrorista.

Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?

Como sempre, rapidamente alguns vieram em defensa da escolha do elenco, falando que era uma adaptação e, portanto, poderia ser com uma ~audiência americana~. Agora a pergunta que fica é: e por que raios uma audiência americana significa atores brancos?

E se ainda não está convencido que isso é muito mais comum do que reparamos, segue uma lista com algumas outras produções que descaradamente cometeram o "whitewashing": 

1. Dragonball Evolution

Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?

Justin Chatwin interpreta Goku e Emmy Rossum como Bulma. Para quem conhece o desenho, isso é ofensivo em outro nível. 

2. O Cavaleiro Solitário

Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?

Johnny Depp como um nativo americano. Não preciso comentar mais nada, né?

3. Bonequinha de Luxo

Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?

Mickey Rooney como Mr. Yunoshi, um arrognte e amargurado vizinho japonês. O ator usou maquiagem e prótese na boca para interpretar o caricato personagem. Sem dúvidas, a falha mais racista no icônico filme

4. Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo

Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?

Jake Gyllenhaal como personagem principal em um filme da Pérsia. Risos. Ah, e nenhum ator do filme era iraniano ou descendente de muçulmanos

5. Pan

Será a adaptação de "Death Note" mais um caso de "whitewashing"?

Tigrinha (Tiger Lily no original) é interpretada no filme por Rooney Mara. Tigrinha é uma “princesa” indígena e Rooney Mara… Veja a foto. 

#CloseErradoParaOWhiteWashing

“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto

Júlia Korte
há 7 meses57 visualizações

Seria o historiador que contrariou a existência do período o maior vilão do cinema esse ano? 

“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto
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Hoje, 9, estreia “Negação”, um dos filmes mais aguardados do ano. Estrelado por Rachel Weisz, ele conta uma história que parece saída da ficção, apesar de ser baseado em fatos reais; a luta da escritora Deborah E. Lipstadt para provar na Justiça a existência do holocausto.

Confira o trailer: 

Tudo começou em 1993, quando a autora e historiadora publicou um livro intitulado “Denying the Holocaut” (Negando o Holocausto, em tradução livre), em que analisava a opinião pública durante a Segunda Guerra Mundial. Para quem está incrédulo, é verdade: havia um movimento sombrio que contestava o fato histórico. Na obra, questiona o trabalho de David Irving (interpretador pelo excelente Timothy Spall ), que negava publicamente a existência do holocausto, e chama o também historiador de “denier”.

O termo, porém, foi considerado ofensivo pelo seu opositor, que decide processá-la, dando início então a uma longa e famosa batalha na Justiça britânica por difamação. É que segundo a lei da Inglaterra, um acusado deve provar sua inocência, e não o acusador provar a culpa. Para ser declarada inocente, ela deve reunir provas do que foi um das maiores tragédias da humanidade, que matou pelo menos 6 milhões de judeus durante a ocupação nazista na Europa. Um milhão só nos campos de concentração que a Alemanha possuía em diversos territórios. 

“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto

Baseado no livro "History on Trial: My Day in Court with a Holocaust Denier", de Deborah Lipstadt, é uma narrativa tensa de tão surreal que pode parecer. Por isso, tão importante em tempos de muros e separatismos. Afinal, quantos l Irvings não temos por aí sobre outros temas? 

O caso, que chega às telas agora sob os olhares do cineasta britânico Mick Jackson (o mesmo de "O Guarda-Costas" (1992), com Kevin Costner e Whitney Houston), reflete, assim, sobre a vaidade intelectual de um historiador que confronta o público com uma opinião que hoje parece surreal, embora seja relativamente recente. 

Mas como disse o The Guardian, é uma premissa recompensadora porque reafirma o compromisso da sociedade com a verdade. Curiosamente, também levanta o questionamento: quem subiria em um palco com Buzz Aldrin para dizer que o pouso na Lua foi falso? 

Nesse contexto, é também uma recordação de que a História é por vezes cruel. A opinião pública nem sempre acerta. E é muito fácil se levar    nos debates de certo e errado. Em momentos assim, sempre me recordo do diálogo: 

"-Quem estará nas trincheiras ao teu lado? 

- E isso importa?

– Mais do que a própria guerra ”

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julia.korte
Jornalista e geek de coração. Praticante de binge-watching. Vive a base de cafeína e boa música. Um crush eterno em cinema e seriados.