CIÊNCIA

Esse robô saiu na capa da Elle. Agora ele quer destruir você

Júlia Korte
Author
Júlia Korte
 Esse robô saiu na capa da Elle. Agora ele quer destruir você

A última edição do ano da revista Elle (Editora Abril) aborda as principais mudanças e transformações no mundo da moda. Para sair um pouco da rotina e focar no futuro, a publicação decidiu inovar trazendo, pela primeira vez, um robô para estampar a capa de dezembro.

O nome da "modelo" é Sophia e ela faz parte de um projeto avançado de inteligência artificial por uma startup de Hong Kong, a Hanson Robotics — onde, aliás, também foi realizada a sessão de fotos. O que poucos sabem, no entanto, é que sua arquitetura é um pouco mais complexa do que parece. Mais do que isso, um tanto polêmica.

Diferente do que o senso comum pode apontar, as falas da androide não são pré-programadas. Ou seja, mesmo que ela tenha uma memória digital criada inteiramente pela equipe de engenheiros, ela tem a capacidade de ouvir, compreender e interpretar os locutores. O que possibilita isso é um algoritmo que faz com que ela “pense” quais palavras usar ou de que maneira reagir, processo semelhante ao da mente humana e a outros assistentes virtuais, como a Siri, Google Now, etc.

Em outras palavras, Sophia não é como uma boneca infantil que solta frases como “mamãe” toda vez que você aperta a barriga. Pelo contrário, tem a capacidade de decidir sozinha o que ela vai (ou não) responder, usando essa memória pré-programada. E é aí que a coisa assusta um pouco. 

Um exemplo claro aconteceu há pouco tempo, quando a robô concedeu uma entrevista para Charlie Rose, importante jornalista americano, que é apresentador do programa “60 minutos”, em que disse “ter alma” e que iria “destruir a humanidade”. Confira:

Quanto mais a tecnologia avança, mais estranhamento ela causa; o desconforto vem justamente da sensação de não sermos capazes de distinguir o que é realidade e o que é o mundo virtual. A própria Sophia, que ainda é um modelo primordial do que nos guarda o futuro, por exemplo, já é capaz de imitar mais de 62 expressões faciais.

A ficção e a comunidade científica não se cansam. Aficionados também adoram debater o assunto. A TV e o cinema, nem se fale. Até o último sucesso da HBO, a série Westworld (baseado no filme de mesmo nome de 1973), traz um pouco da temática, com tal “revolução das máquinas”. Conheça: 

Essa lista, embora muito divertida, poderia se prolongar muito. Por mim, destruam ela antes que as Sophias por aí dominem o planeta (acorda, Brasil!). Mas eu deixo para vocês julgarem o resultado.  A quem possa interessar, a revista também já está disponível nas bancas. 

 Esse robô saiu na capa da Elle. Agora ele quer destruir você