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Moana é a heroína feminista que precisávamos

Júlia Korte
Yazar
Júlia Korte
Moana é a heroína feminista que precisávamos

Quando eu era pequena, sempre gostei muito de “A Bela e a Fera”. Sem dúvidas, era meu desenho favorito. A música era linda, as cores, imagens, tudo me cativava. Confesso, inclusive, que não vejo a hora de assistir a versão que chegará em breve aos cinemas com Emma Watson. Porém, conforme fui crescendo, passei a me identificar mais com outro tipo de animação. 

Veja bem, não quero aqui dizer que os desenhos da Disney não tem seu mérito. Muito pelo contrário, poderia ficar horas discorrendo sobre a importância e as lições de vida que tem nesses contos tão fantásticos. Porém hoje, como uma mulher e feminista, essas histórias criadas principalmente por Alan Menkin e inspiradas nos contos dos Irmãos Grimm ou Hans Cristian Andersen, simplesmente não me satisfazem mais. Ou, pelo menos, não da mesma forma. Por um simples motivo: nenhuma das personagens me parece tão imprevisível, com ares de independência real ou ativa o suficiente para me encantar.

Com o risco de polemizar, afirmo também que, de maneira geral, as personagens femininas da Disney são pouco relacionáveis, caem em estereótipos e, como alguns podem argumentar, refletem uma problemática um pouco maior sobre o ideal dos contos de fadas e finais felizes. (Quantas não caíam em sono profundo até serem beijadas sem saber pelos amores da sua vida? Alô, mundão!).

Enfim, digo que a premissa deveria ser uma: princesas e/ou heroínas não precisam de um príncipe ou um homem ao seu lado para serem felizes e bem-sucedidas. 

É aqui que entra Moana, uma garota da Polinésia forte o suficiente por si só.

A coisa foi mudando com o tempo, dou créditos ao estúdio. O diretor, Ron Clements, é a prova desses movimentos. Cineasta e animador, ele sempre esteve acompanhando o seu tempo. Primeiro, ajudou a criar “A Pequena Sereia” e “Aladdin”. Depois, contribuiu com a heroína negra de “A Princesa e o Sapo”. Agora, traz Moana às telonas.

Com Mulan, Rapunzel ou Elsa e Anna, em ordem, a coisa mudou um pouco, verdade. Finalmente, tínhamos princesas que tomavam controle do seu destino, sendo aventureiras e dominando por onde passavam. Mas embora mais progressistas em termos feministas, as narrativas ainda não pareciam totalmente completas e adequadas; pois ou são da cultura branca exclusivamente, ou as protagonistas tem medidas corporais nada realistas ou estão ligadas de alguma forma ao casamento e uma trama secundária de amor vs. final feliz, por exemplo.

Moana é a heroína feminista que precisávamos

Já Moana é estrelada por Auli’i Cravalho, uma jovem havaiana de 16 anos (à esquerda na foto). Oficialmente, a sinopse é a seguinte: a filha do chefe de uma tribo na Oceania, vinda de uma longa linhagem de navegadores, resolve descobrir mais sobre seu passado e ajudar a família. Então, parte em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Acompanhada pelo lendário semideus Maui, Moana começa sua jornada em mar aberto, onde enfrenta terríveis criaturas marinhas e descobre histórias do submundo.

Em outras palavras, porém, essa é a história acompanha a vida de uma mulher com uma escolha. Pois desde pequena, ela deve assumir o posto do seu pai como chefe do povo. Proibida de se aventurar pelo oceano, que sempre a chamou, ela se controla para não descobrir o mundo. Mas quando a devastação natural ameaça a fonte de comida e o futuro da ilha em que vive, ela decide salvar sua casa das ruínas. 

Veja o trailer: 

Como resultado, temos um filme que foge da estética heteronormativa branca de relacionamentos dos clássicos. Não existe um interesse amoroso ao longo da trajetória. 

Moana deve provar apenas sua coragem, o espírito determinado e a independência. Para isso, faz uso de suas habilidades atléticas e astúcia. Sem contar que ela não se parece com outras princesas. Os criadores deixaram claro que essa é uma tentativa de representação cultural mais assertiva. Ela é inteligente, divertida e tem uma história incrível e profunda. 

Nós merecemos Moana. 

O filme estreia em 5 de janeiro. 

PS - Se nada disso foi suficiente pra te convencer a assistir, deixo esse adendo que Lin Manuel Miranda (o senhor Brodaway de Hamilton) contribuiu para a trilha.