ENTRETENIMENTO

Mulan será dirigido por uma mulher e nós amamos

Júlia Korte
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Júlia Korte

Mas sim, sonhamos com o dia que isso deixará de ser notícia ou motivo de comemoração

Mulan será dirigido por uma mulher e nós amamos

Depois de uma série de sucessos como “Malévola”, “Mogli”, “Cinderela” e “A Bela e a Fera”, que está com previsão de lançamento para o próximo mês e com certeza terá bilheteria incrível, parece que a Disney se empolgou na toada de remakes e anunciou, ao final do ano passado, que também havia chegado a vez de Mulan ganhar um live-action. É claro, a declaração que a guerreira iria parar nas telonas empolgou muitos fãs.

Com o sucesso da notícia, porém, também vieram os questionamentos; será que a obra seria capaz de manter a diversidade e representatividade no elenco? Algo, aliás, tão importante na produção original? Ou seria mais um “whitewashing" em Hollywood (expressão usada quando personagens tem sua etnia alterada para brancos)?

Não temos confirmações nesse sentido. Mas de uma coisa podemos ficar felizes: o "The Hollywood Reporter" noticiou que a direção ficará ao encargo de Niki Caro, a neozelandesa por trás de "A Domadora de Baleias" (2002) e de uma das grandes estreias desse ano, “O Zoológico de Varsóvia”. Ah, mas por que isso é importante além de ser alguém com grande potencial de mandar bem na produção? Simples, porque é uma mulher.

"Como assim?". Pois é, deixa eu te explicar. Infelizmente, machismo ainda existe no mundo, falta de diversidade também - caso isso seja novidade para você. E o cinema não é exceção, como bem sabemos. Não acredita? Confira: 

Mulan será dirigido por uma mulher e nós amamos

Infográfico maravilhoso emprestado da Superinteressante. Matéria na íntegra: https://goo.gl/PQoFg4 

Voltando... Só para efeitos de comparação, isso fará com que ela seja o quarto talento feminino a dirigir de maneira solo um filme blockbuster com orçamento maior que 100 milhões de dólares. Isso mesmo, esse é um clube tão seleto que tem Q-U-A-T-R-O mulheres.

As outras são Ava Duvernay (com uma obra não lançada ainda, “A Wrinkle in Time”), Kathryn Bigelow (K-19: The Widowmaker, em 2002) e Patty Jenkins (com o filme da Mulher Maravilha, pela Warner Bros.). Ou seja, dos quatro filmes, três ainda estão em produção e um foi concluído há mais de dez anos.

Faça os cálculos considerando a quantidade de sucessos que vocês assistiu recentemente.

 Dito isso, é necessário problematizar mais uma questão. É ótimo que uma mulher esteja atrás das câmeras, mas devemos ressaltar que isso também significa que a Disney provavelmente falhou na escolha de um asiático. Previamente, cogitaram antes o famoso Ang Lee, que declinou a proposta, e Jiang Wen (Rogue One).

Só esperamos que o mesmo não aconteça com atores. Na empolgação, rolou até petição para que isso não aconteça e fãs declararam alguns nomes favoritos nas redes sociais, como Ming-Na Wen, que é ninguém menos do que a voz da heroína na versão animada, e Zhang Ziyi (de Memórias de uma Gueixa), que já produziu e viveu Mulan uma vez nos cinemas.

Mulan será dirigido por uma mulher e nós amamos

Na foto, a atriz Ming-Na Wen

É que essa não será a primeira vez que o conto será repaginado; há um filme chinês de 1956, a adaptação da Disney que todos conhecem, de 1998, e essa produção também chinesa citada acima, de 2009, chamada “Mulan: Legenday Warrior”. Se ficou curioso, veja o trailer:

Bem, torcemos para que o resultado seja positivo e a sensibilidade cultural do estúdio Disney seja mantida. Algo diferente de “Doutor Estranho” e “Ghost In The Shell”, por exemplo, que não fizeram questão de combater o problema de escalar atores brancos exclusivamente para histórias nativamente asiáticas. Aqui, vale reforçar que escalar Bill Kong, um produtor sediado em Hong-Kong já um esforço no quesito.

Afinal, vamos ser sinceros: Mulan é uma das “princesas” da Disney mais legais e importantes. Sério, ela é altruísta, determinada e empoderada. Para quem não conhece, a narrativa traz uma guerreira que se disfarçou como homem para substituir seu pai idoso no exército. No meio de lutar e salvar a China (apenas, risos), ela é ainda alguém relacionável, com seu jeito verdadeiro de ser.

Me fala se não é emocionante?

Estamos de olho, Disney.