ENTRETENIMENTO

“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto

Júlia Korte
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Júlia Korte

Seria o historiador que contrariou a existência do período o maior vilão do cinema esse ano? 

“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto

Hoje, 9, estreia “Negação”, um dos filmes mais aguardados do ano. Estrelado por Rachel Weisz, ele conta uma história que parece saída da ficção, apesar de ser baseado em fatos reais; a luta da escritora Deborah E. Lipstadt para provar na Justiça a existência do holocausto.

Confira o trailer: 

Tudo começou em 1993, quando a autora e historiadora publicou um livro intitulado “Denying the Holocaut” (Negando o Holocausto, em tradução livre), em que analisava a opinião pública durante a Segunda Guerra Mundial. Para quem está incrédulo, é verdade: havia um movimento sombrio que contestava o fato histórico. Na obra, questiona o trabalho de David Irving (interpretador pelo excelente Timothy Spall ), que negava publicamente a existência do holocausto, e chama o também historiador de “denier”.

O termo, porém, foi considerado ofensivo pelo seu opositor, que decide processá-la, dando início então a uma longa e famosa batalha na Justiça britânica por difamação. É que segundo a lei da Inglaterra, um acusado deve provar sua inocência, e não o acusador provar a culpa. Para ser declarada inocente, ela deve reunir provas do que foi um das maiores tragédias da humanidade, que matou pelo menos 6 milhões de judeus durante a ocupação nazista na Europa. Um milhão só nos campos de concentração que a Alemanha possuía em diversos territórios. 

“Negação”, um filme sobre o caso que provou nos tribunais o Holocausto

Baseado no livro "History on Trial: My Day in Court with a Holocaust Denier", de Deborah Lipstadt, é uma narrativa tensa de tão surreal que pode parecer. Por isso, tão importante em tempos de muros e separatismos. Afinal, quantos l Irvings não temos por aí sobre outros temas? 

O caso, que chega às telas agora sob os olhares do cineasta britânico Mick Jackson (o mesmo de "O Guarda-Costas" (1992), com Kevin Costner e Whitney Houston), reflete, assim, sobre a vaidade intelectual de um historiador que confronta o público com uma opinião que hoje parece surreal, embora seja relativamente recente. 

Mas como disse o The Guardian, é uma premissa recompensadora porque reafirma o compromisso da sociedade com a verdade. Curiosamente, também levanta o questionamento: quem subiria em um palco com Buzz Aldrin para dizer que o pouso na Lua foi falso? 

Nesse contexto, é também uma recordação de que a História é por vezes cruel. A opinião pública nem sempre acerta. E é muito fácil se levar    nos debates de certo e errado. Em momentos assim, sempre me recordo do diálogo: 

"-Quem estará nas trincheiras ao teu lado? 

- E isso importa?

– Mais do que a própria guerra ”