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Por que você deveria estar ouvindo Tony Bennet

Júlia Korte
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Júlia Korte
Por que você deveria estar ouvindo Tony Bennet

Os poucos que chegam aos 90 anos esperam ao menos ter a sorte (e a saúde) para assoprarem as velinhas no bolo de aniversário. Enquanto isso, pessoas como Tony Bennet estabelecem novos padrões sobre o que é estar vivo.

Um crooner do seu tempo, Tony é um daqueles músicos que é simplesmente impossível não amar. Ou, ao menos, admirar. Era 1946 quando o lendário cantou pela primeira vez uma casa noturna. E agora, no auge do seu quase um século de vida, discute a possibilidade de uma parceria com Beyoncé, faz aparições e shows em programas norte-americanos com frequência e fala sobre o desejo de lançar um álbum. “Ainda tem muito que eu gostaria de fazer”, declarou recentemente. Provando, mais uma vez, que vigor e elegância certamente não são palavras suficientes para defini-lo.

Tony também não dá indícios de que vá diminuir o ritmo tão cedo. Só em 2016, ganhou o seu 19.º Grammy; teve um show de luzes em sua homenagem no Empire State Building, em Nova York, dedicado por Lady Gaga, sua (improvável) parceira; botou mais um livro na conta com uma obra sobre as pessoas importantes em sua vida; recebeu inúmeros programas especiais com seu nome; sem contar as participações incríveis no palco.

Mas todo esse sucesso não é à toa. Tony parece ser uma daquelas pessoas que leva a sério tudo que faz, com muito talento e profissionalismo, mas simplesmente muita leveza. Afinal, jazz pode ser algo difícil e até duro para quem não está acostumado a escutar.

Por isso, a sua capacidade de cercar-se de outros astros é um dom raro nessa indústria. São os encontros com artistas contemporâneos que trazem um respiro essencial à sua longa carreira, com mais de 70 anos de trajetória. Entre os nomes, Queen Latifah, Norah Jones, Alejandro Sanz, Carrie Underwood e Mariah Carey. Essas parcerias não só agradam aos fãs dos clássicos, como atraem um novo público, muito mais jovem.

Quase como sua missão aqui também fosse atrair novas audiências ao jazz, gênero incompreendido por tantos. E isso só é possível porque Tony é um intérprete notável, capaz de emocionar com sua voz sólida. O vocal, aliás, é o foco do seu trabalho. Como esse lindo exemplo de dueto com Amy Winehouse, nossa musa eterna:

As próprias histórias trazidas pela mídia são um encanto (e a prova de tudo isso). Sobre o seu encontro com Lady Gaga, disse uma vez: “Ela foi muito amável e doce. Eu disse ‘adoraria fazer um álbum com você’. Então, ela respondeu ‘Tudo o que você quiser, eu faço’". Coisa maravilhosa, não é? Ainda mais considerando o quão surpreso ele pareceu com a resposta da musa.

Por que você deveria estar ouvindo Tony Bennet

O resultado é que apenas uma semana após o seu lançamento, o álbum “Cheek to Cheek” já configurava no topo da lista da Billboard, feito que tornou Bennet, aos 88 anos, o artista mais velho a contar com o reconhecimento. O campeão anterior? Ele mesmo, aos 85 anos, com outro álbum de parcerias, “Duets II”.

Agora, ganhamos de Natal o especial “Tony Bennett Comemora 90: O Melhor Está por Vir”, recém-lançado e já disponível para streaming em plataformas como o Spotify. A obra foi feita a partir de um concerto no Radio City Music Hall, em setembro, e conta com nomes de peso, como Stevie Wonder, Michael Bublé, Leslie Odom Jr. e Lady Gaga. Há ainda participações gravadas de Billie Joe, Elton John e Bob Dylan, e segmentos de entrevistas com Tony, além de um número cômico estrelando Alex Baldwin, que reprisou sua imitação feita no Saturday Night Live anos atrás.

Deixo aqui meu apelo, entre o Drake que toca incontrolavelmente na rádio (e a quem amamos também): escutem Tony Bennet e se deixem encantar.

Continue assim, Tony.