ENTRETENIMENTO

Santa Clarita Diet, o seu novo prazer inconfessável

Júlia Korte
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Júlia Korte

Tudo sobre o sucesso do Netflix e o porquê os zumbis não morrem (risos)

Santa Clarita Diet, o seu novo prazer inconfessável

Você talvez tenha pensado: “o enredo parece tão tosco que eu nem darei uma chance”. Mas pelo visto, não vai ter jeito: essa promete ser a nossa próxima razão para fazer uma maratona no final de semana. Pois se a crítica especializada estiver certa, a inusitada série, que fica disponível a partir de amanhã (03) no Netflix, vai cair no gosto do público geral.

Isso é, se você tem estômago para ver muitos miolos e carne humana sendo usada como vitamina...

Santa Clarita Diet é inusitada desde o começo. A história aborda a vida de um casal de corretores de imóveis que mora em um populoso subúrbio em Los Angeles, EUA (daqueles bem na linha Desperate Housewives e 90210, onde todos os dramas acontecem, lembra?). Bem, eles têm uma filha adolescente, Abby (Liv Hewson), e vivem uma rotina normal, até o dia em que Sheila morre e ressuscita com o desejo para lá de impróprio de se alimentar com carne humana. Confira o trailer:

Em outras palavras, ela vira uma "zumbi". Mas de típica, essa produção não tem nada, especialmente quando comparada a outras do gênero, como Walking Dead. E, por essa razão, chamar a protagonista de um zumbi pode até soar meio ridículo. Isso porque, tirando o apetite esquisito, diferente daqueles cadavéricos horrorosos alegóricos, ela ganha mais disposição e vigor do que nunca quando toma os tais "shakes proteicos"; a ponto de dar inveja nas amigas do bairro.

Com muito humor negro e sem a pretensão de ser algo diferente do que é, torna-se, inevitavelmente, a comédia perfeita para que tem “estômago”. 

Santa Clarita Diet, o seu novo prazer inconfessável

Despretensiosa, Santa Clarita Diet é ainda cheia de palavrões, sangue e cenas para lá de irreverentes. Antes, Sheila era certinha e só fazia sexo esporadicamente. Depois dos fatos, além de muita energia, ela precisa pensar em alternativas para satisfazer sua fome, afinal, cadáveres não são "frescos". 

Como sua família decide apoia-la nesse processo, apesar de todos os traumas que isso pode causar, eles vão se meter em situações complicadas para atender ao exigente paladar da mãeContudo, para manter o espírito leve, eles criam uma regra ética de só matar cidadãos ruins, como pedófilos. Ou seja, viram meio justiceiros. Algo bem divertido e que funciona bem no contexto, ao que tudo indica. 

A questão que fica é: depois de sermos forçados a assistir até adaptações zumbis de Jane Austen, não cansou um pouco essa trama da cultura pop? 

E a resposta é não.

 A teoria possível por trás é bem simples. De certa forma, canalizamos nossos anseios modernos pelos morto-vivos. Primeiro, os zumbis foram classificados como "outros", uma caracterização com cunho racial e social, que discutia nos filmes e livros de terror questões tipicamente humanas de preconceito. Em outros momentos, eles são um símbolo da violência, quase desnecessários às próprias tramas, já que o pior acaba sempre sendo os próprios humanos tendo que lidar com instintos de sobrevivência. 

Ou pense até mesmo em obras como "Meu Namorado É um Zumbi", que trás toda questão do amor platônico e temas quase adolescentes. Não convencido? E quando os zumbis são sinal de um apocalipse por vir, uma grande infecção após uma arma de destruição em massa? Não te assemelha em nada os tempos sombrios que vivemos? 

Santa Clarita Diet, o seu novo prazer inconfessável

No fim, apesar de tudo ser sempre meio fora de contexto, sentimos empatia pelos personagens e situações. Logo, acabamos todos meio viciados nessa cultura pop e obcecados com a ideia do que aconteceria numa trágica reviravolta como essa, seja familiar ou em escala mundial. Tragédia, reforço, pouco glamourosa em qualquer narrativa.

Então, entra essa nova criação, um misto de "Modern Family" com "iZombie", na qual uma família deve enfrentar uma verdade sombria, ou uma doença (se você considerar morrer e acordar com apetite de carne humana assim), e todas implicações morais do cenário. Funciona. 

Não é o ideal para fãs hardcore do gênero, mas é mais um imaginário relacionável desse grande mistério que é viver.