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Se você não conhece, está na hora de escutar o brasileiro Johnny Hooker

Júlia Korte
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Júlia Korte

O cantor, que está dando o que falar na imprensa, lançou o ótimo álbum "Coração" essa semana

Se você não conhece, está na hora de escutar o brasileiro Johnny Hooker

Foto: Bares SP

Johnny Hooker ganhou as manchetes recentemente após ter criticado abertamente uma entrevista concedida por Ney Matogrosso ao jornal "Folha de S. Paulo". "É inconcebível ler a frase 'Que gay o caralho, eu sou um ser humano' no país que mais mata LGBTs do MUNDO(!!)", escreveu. Claro que, com isso, teve gente criticando e polemizando para tudo quanto é lado, tanto que o assunto tomou conta das redes.

Para muitos foi inclusive uma surpresa, ainda mais considerando que, no passado, Johnny foi tantas vezes comparado ao próprio Ney. Em entrevista ao jornal O Globo, Johnny chegou até a defender a sua fala e abordou a questão explicando:

 "Isso é uma diferença de opinião, não uma rixa entre artistas. Só me incomodei com a fala dele. A sociedade não vê os gays como seres humanos. Acho o Ney um artista genial, um revolucionário, um libertário, um artista imprescindível. Mas não acho que ele seja incriticável. Se você não quiser abraçar a causa, ótimo. Mas dizer que “gay é o caralho” demonstra um desdém pela causa. Achei que a fala foi agressiva". -- O link da entrevista completa aqui. 

Ele tem mais de 340 mil seguidores só no Facebook e é queridinho em shows por aí. Mas nesse contexto, muita gente que nunca tinha escutado sobre nele, começou a se perguntar quem seria esse pernambucano dando o que falar por aí e acabou indo atrás da sua música. E que ótimo, pois toda obra dele é maravilhosa. 

O ativismo é importante, e trazer essas questões, fundamental. Mas digo mais, uma coisa é certa: seu novo álbum, "Coração", que foi lançado essa semana, realmente também merece os holofotes. 

Após dois anos de hiato do seu álbum de estreia, "Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!", ele voltou com tudo! Sai o brega e entra o conceitual. 

Não foi uma trajetória fácil; nesse meio tempo, fez uma extensa turnê pelo país, enfrentou a depressão e o término de um relacionamento. Mas tudo isso acabou o inspirando a explorar novos gêneros musicais em uma melodia bem humorada e letras para repetir com gosto. O resultado é uma mistura de samba, carimbó e até um pé no blues. Coisa maravilhosa e brasileiríssima.

 O jovem tem talento, assim como as participações especiais - que merecem seu devido destaque. "Corpo fechado" contou Gaby Amarantos e "Flutua", com Liniker e os Caramelows. Aliás, música essa que acabou censurada no YouTube para maiores de 18 anos por "conteúdo sexual". Quando, em pleno século XXI, na verdade, tem apenas dois homens se beijando. Após contestações nas redes, a plataforma voltou atrás. 

#amarsemtemer

Mesmo com o barulho, foi sucesso de público e crítica. A música "Caetano Veloso", inclusive, chegou a arrancar elogios do próprio Caetano:

Geralmente, seu trabalho é mais famoso como trilhas sonoras. Se nunca reparou, "Volta" fez parte do filme "Tatuagem", "Amor Marginal" marcou presença na trilha da novela Babilônia e "Alma Sebosa" em "Geração Brasil" (curiosamente, Johnny revelou seu lado ator ao interpretar o personagem Thales Salgado na produção). 

Melhor que só falar, é sentir. Então, de logo uma chance e escute: