SORRISO NONSENSE
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SORRISO NONSENSE
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POMPEII

Julia Soicher
há 8 meses1 visualizações

6:43. avenida bandeirantes.
De repente começa.
Nao é a musica original. É um remix.
Tudo bem na verdade, ainda consigo ouvir os caras da banda.
Porem o que não ouço mais é você.

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Você e eu.
Nao ouço mais sua risada colorida.
Nao ouço mais seu sorriso quente.
Nao ouço mais seu olhar doce.
Nao ouço mais sua mão estendida na minha direção.
Nao ouço mais seus abraços curiosamente sufocantes.
Nao ouço mais sua voz de conforto no outro lado da linha.

Desligo o rádio.
É dolorido demais.
Muito mais fácil permanecer anestesiada.
Passar pela vida em monocromático.
Mas não posso.
Sei que não posso.
Preciso de forças.
Preciso de forçar para correr na sua direção.
Preciso de forças para você.
Preciso de forças para mim.

Mas por enquanto essas forças apenas sussurram, um quase inaudível: “Nao desista de mim.”

CAL(D)OR

Viver se tornou impossível.
Fecho os olhos.
Sinto o calor asfixiante tomando conta.
A avalanche de memorias invade.

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Abro os olhos.
Tento escapar da enxurrada de dor.
Não da.
A luz entra pelas minhas retinas.
Encarar a realidade é um sofrimento maior ainda.

É o sol.
O sol se tornou um grande vilão.
Por ser o gerador do que é brilhante.
Por ser o responsável pelo que é quente.
O quente e o brilhante.
O fogo.

Me arrepio só de pensar.
Uma palavra.
Duas silabas.
Quatro letras.
O fogo.

E assim não tenho mais como escapar.
Voltar no tempo é um desejo intangível.
Estarei sempre presa dentro deste corpo.
Dentro desta caixa de ossos que não mais me representa.
O fogo.

O fogo aniquilou.
Dizimou.
Queimou.
Sem pedir permissão.
Acabou com tudo que habitava a Gabriela.
O fogo.

Mas esqueceu algo.
Deixou em pé, intocado, um único sobrevivente.
Da catástrofe renasceu o medo.

Medo.
Medo de passar por espelhos.
Olhar para frente e não me reconhecer.
E ao não me reconhecer, não lembrar.
E ao não lembrar, questionar.
E ao questionar, não parar mais.

Segundo Kant é assim que se evolui.
Questionando.
Utilizando o poder do pensamento.
Não sei se posso evoluir.

Sei apenas do que conheço.
Conheço apenas esse novo eu.
Esse novo eu queimado e desfigurado.

Assustando espelhos.
Assombrando pensamentos.
E habitando a imensidão do anonimato infinitamente.
Eternamente, a nova Gabriela.

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juliasoicher
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