SORRISO NONSENSE
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POSITIVO

É involuntário.
Não consigo parar.
Mas sei.
Sei que irrita.
Se meus próprios pés, que ao serem batidos contra o solo me irritam, imagino o quão insuportável eles devem ser para o resto do mundo.

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O problema é essa sala.
O amarelo das paredes descasca, e ninguém liga.
O desespero transborda.
E sufoca.
E ninguém liga.
A espera é desconfortável.
Pinica.
Incomoda.
E o julgamento é intoxicante.
Os olhares alheios.
Me assediam.
Me queimam.
E ninguém liga.

Já é a 3ª vez que me encontro aqui.
Sentada.
Com o ar preso.
O nó na garganta.
E o coração na mão.
Na mão não.
No chão.

Não há surpresas.
Aqui, nesse laboratório, há uma Luiza plantada.
Sem perspectiva nenhuma.
Sem esperança.
Apenas um buraco, onde está deveria estar.

A luz me cega.
É forte demais.
Mas dizem que é esse o papel da verdade.
Te dar uma rasteira.
Te pegar de surpresa.
E no pulo do gato, acabar com tudo.

Por isso estou aqui.
Já sabendo o que esta para acontecer.
Mas sei que a negação faz parte.
Apertando o envelope com todas as forças que em mim possuo:
HIV positivo.

Solto o ar.
E me permito, pela primeira vez, deixar que as lagrimas corram soltas.
Uma atrás da outra, elas traçam um caminho próprio.
Único.
Individual.
Não sabem para onde vão.
Mas apenas que vão.
Sem um final traçado.
Sem nenhuma barreira ou obstáculo.
Elas são livres.
Independentes.

Fecho os olhos novamente.

AS(SOMBRA)ÇÃO

Julia Soicher
há 8 meses1 visualizações

O ato de caminhar nunca mais vai ser o mesmo.
Olho sempre para os lados.
Mas não como fazia antes.
Antes era mania.
Olhava por olhar.
Sabia que nada me aconteceria.

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Agora olho.
Observo.
Atentamente procuro o ele.
O ele.
O ele, sem nome.
Sem rosto.
Sem personalidade.

O ele, que em questão de minutos, acabou com a minha vida.

A garotinha que andava despreocupada.
Com fones de ouvido.
Imersa nos hits da semana.
Não existe mais.

A garotinha que andava saltitando.
Dançante por ai.
Com destinos definidos.
Pensamentos a mil a mente.
E uma mutante e espontânea rota; ainda a ser traçada com cada passo.
Não existe mais.

O sem cara a matou.
Sugou dela toda a cor.
E com toques bruscos fez surgirem os cortes.
Dos rasgos causados com seus movimentos afiados
Ecoam um quase inaudível “socorro”.

Antes eu caminhava pela rua.
Agora ando.
Rasteira.
Ligeira.
Fugida.

O destino não é mais definido.
Não tem como me esconder.
O mundo se tornou perigoso demais.
E eu, uma frágil peça.
Quase irrelevante nesse quebra-cabeça.

Mas aqui
Mesmo na minha insignificância
Fui encontrada.
Ele me achou.

Um fantasma.
Fez do susto seu aliado.
E em questão de segundos levou tudo.
A dignidade.
O orgulho.
A vontade.
E quase desisti.

Mas ainda estou aqui.
Sigo andando.
Espero um dia conseguir voltar a caminhar.

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juliasoicher
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