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UMA ALMA BOA NO CENTRO DA CIDADE

Julia Soicher
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Julia Soicher

direita
esquerda
direita
esquerda
inala
exala
inala
exala

sai lágrima

esquerda
direita
esquerda
direita
inala
exala
inala

segura
segura
segura
nao dá
olha ela ai
a lagrima
escorrendo
debochando
jogando na cara
as falhas
defeitos
a fraqueza

a caminhada diária de mais ou menos 900 metros até a estação de metro parecia interminável. o obstáculo estava em mim. preso. confinando. impermeável. impossibilitando minha simples arte de viver.

sai lágrima.
entrei.
ufs.
agora vai.
passei a catraca.
mais 8 estações.
uma baldeação.
1.200 metros.
duas ladeiras.
e estarei la.

lá.
lá... grima
merda
tem um moço me olhando

SAI DE MIM
DEIXA EU VIVER

"próxima estação: Sé. desembarque pelo lado esquerdo do trem."

"ei moça! tá tudo bem?"

bosta.
era o cara.
o de lá(grima).
que me encarava lá(grima).

*e apenas chacoalhando negativamente a cabeça soltei

f o d a s s e

lagrimalagrimalagrimalagrimalagralagrimalagrimalwbeus

e eu desabada
no colo de um estranho desconhecido
no centro da cidade

lágrima.
infinita
maldita