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10 dicas para quem quer virar um nômade digital

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Porque viajar é preciso, mas trabalhar também...

10 dicas para quem quer virar um nômade digital

(Imagem: Unsplash)

Uma expressão que veio lá de outras partes do mundo e chegou aqui no Brasil como "nômade digital" vem chamando atenção de uma galera que adoraria largar tudo para viajar o mundo, mas sabe que chutar o balde não é para qualquer um.

O estilo de vida consiste em combinar trabalho remoto, seja como freelancer ou como funcionário fixo, com viagens ao redor do globo. Basicamente, os adeptos deixam de pagar aluguel numa única cidade e gastam essa verba com hospedagens em diferentes destinos, obtendo do outro lado a mesma renda que teriam trabalhando de casa.

Depois de três anos trabalhando de casa, resolvi experimentar por pouco mais de um mês como seria essa vida. Uma amiga me ensinou a expressão “workation”, que combina as palavras em inglês work (trabalho) e vacation (férias). E foi isso que fiz.

O período foi bem mais curto que o de um nômade digital, que às vezes fica anos na estrada (ou nos ares, nos mares...). Mas foi um teste para um projeto maior e deu para aprender uma coisa ou dez, que agora compartilho para quem estiver planejando uma aventura assim:

1 – Adapte seu volume de trabalho

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É muito difícil, mas também muito importante colocar um limite nas horas trabalhadas, mesmo que isso signifique uma renda menor por um período. No meu caso específico, tenho quatro trabalhos como freelancer fixa, além de um ou outro pontual. Durante estas cinco semanas de viagem, mantive apenas dois.

A questão é que não tem vantagem nenhuma estar numa cidade diferente e não poder conhecê-la. Assim, vale a pena definir um espaço do dia para seu momento turista e para seu momento profissional, cuidando com dedicação de cada um deles na hora certa.

2 – Não subestime o fuso horário

Em um dos meus trabalhos fixos, tenho um horário definido. Na hora local dos países pelos quais passei na Europa, era de 20h à 1h da manhã. Me planejei muito para isso, aceitei que dormiria até mais tarde todos os dias (algo que me recuso a fazer durante viagens normais) e, em troca, virava turista entre 11h e 18h na maior parte dos dias. Assim, eu tive tempo de cuidar dos dois trabalhos.

É importante pensar em como lidar com o fuso horário antes mesmo de chegar ao seu destino. Será que você vai precisar trabalhar de madrugada? E será que seu corpo pode se adaptar a isso? Com um pouco de planejamento, a diferença de horas pode ser uma aliada do nômade digital.

3 – Qualquer lugar é lugar

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Sempre que tiver um tempo e um wifi, trabalhe. Eu trabalhei duas vezes na espera de aeroportos e uma vez de dentro de um trem.

A ideia é: já que você está parado mesmo, aproveite para adiantar algo ou ao menos organizar as ideias e ter mais tempo para aproveitar cada destino.

4 – Saiba que as pessoas não vão te entender (e você vai ter que explicar)

Perdi as contas de quantos amigos novos e antigos durante esse período me perguntaram: mas você não pode pular o trabalho hoje? Será que dá para começar mais tarde?

O nomadismo digital e o próprio trabalho remoto são conceitos muito novos e bastante difíceis de serem assimilados por quem tem um posto mais baseado no modelo tradicional. Mas pelo bem da sua carreira (e da sua renda), é preciso que quem está por perto entenda que é um trabalho tão importante e sério quanto qualquer outro feito de dentro de um escritório.

5 – Cuide da sua saúde

Quando viajamos, é normal dormir pouco e comer mal. Acontece que a rotina combinada de trabalho e viagem é bastante pesada. Tente manter uma alimentação balanceada e a mais próxima possível do que é no seu dia a dia. Faça um esforço também por boas noites de sono. É importante manter energia para encarar a dupla rotina.

6 – Guarde uma grana

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Sim, você vai continuar tendo renda durante sua viagem. Mas tem um negócio muito chato no mundo que chama emergência, já ouviu falar? Pois é.

Pode ser uma hospedagem mais cara do que você imaginou, um problema de saúde que demande algum remédio ou um monte de outras coisas. Prepare uma poupança de fácil acesso e lembre-se que seus gastos estarão em outra moeda que, muitas vezes, pode ser mais cara que nosso Real.

7 – Planeje períodos mais longos em cada destino

Sabe aquela viagem fast food? Daquelas do tipo 20 cidades em um mês? Esqueça. Além do tempo de deslocamento tirar preciosas horas do seu dia de trabalho, é importante lembrar que você terá menos horas que o normal para “turistar”. Assim, tente ficar pelo menos uma semana em cada destino, aproveitando o final de semana para fazer os famosos bate-e-volta pelas proximidades.

8 – Saiba abrir mão de algumas coisas

Os desapegos sugeridos aqui são dois.

O primeiro é bem prático: desapegue de peso. Você já vai precisar levar sua estrutura de trabalho (mesmo que seja só um lap top, é algo a mais) para todos os lados. Desapegue de ter lindos looks todos os dias e de levar lembrancinha de volta até para aquele primo de quarto grau que você viu duas vezes na vida. No que diz respeito à mala do nômade, menos é mais.

O outro desapego é em relação a rotina “normal” de um viajante. Não vai rolar praia todo dia, cerveja no almoço toda tarde e balada toda noite. Você vai precisar encontrar um meio termo entre trabalho e lazer.

9 – Invista em internet

Sério. Invista.

Não dá para ficar só na dependência do wifi de cafés ou albergues (estou supondo que um nômade não pode sustentar meses a fio de hotéis e Airbnb). Assim que chegar ao seu destino invista num chip com dados, muitos dados, para seu smartphone. 

10 – Saiba que você não está sozinho nessa

Existem fóruns, sites especializados e grupos no Facebook de uma galera que já vive na estrada. Procure, use e abuse. Seja para emergências, dúvidas pontuais ou até para a pesquisa prévia dos destinos, saiba que outras pessoas já passaram perrengues e estão dispostas a compartilhar para que você não passe também.