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15 perguntas e respostas sobre a febre amarela

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Esclareça suas dúvidas e tenha muita calma nessa hora!

15 perguntas e respostas sobre a febre amarela

Curitiba tem cronograma de vacinação contra a Febre Amarela. Foto: Valdecir Galor/SMCS (via Agência Fotos Públicas)

Pois é. Depois de anos sem registrar números significativos, a febre amarela voltou a ser um problema relevante no país. Entre julho de 2017 e 23 de janeiro deste ano, já são 53 mortes, 130 casos confirmados e 162 suspeitos no país, segundo dados do Ministério da Saúde.

Resultado: todo mundo em pânico. Filas enormes para conseguir a vacina estão se formando com gente que nem mora nem vai visitar zonas de risco.

O tema é sério, sim, mas apesar de precisar de atenção, não tem que ser motivo de desespero. Tire algumas dúvidas comuns sobre o assunto.

1 - Como é transmitida?

Assim como várias outras doenças bastante comuns no Brasil, os inimigos são mosquitos. No chamado ciclo silvestre (mata e zonas rurais), os transmissores são o Haemagogus e o Sabethes. O risco de a doença chegar no meio urbano é que, nesse habitat, também pode ser transmitida pela picada do Aedes Aegypti. Pois é, o mesmo que transmite dengue, chikungunya e zika. Está aí o típico portador de más notícias.

2 - Os macacos também transmitem?

Ao contrário do que muita gente pensa, a doença não pode ser transmitida para humanos pelos macacos, que também são apenas uma vítima. É importante esclarecer pois há muita gente que, acreditem, está envenenado os bichos de parques próximos às cidades, achando que isso vai resolver algo.

Além de bastante desumano, essa é uma péssima ideia, já que os macacos não oferecem risco para as pessoas e ainda servem como o aviso mais eficiente de que há mosquitos transmissores no perímetro em que aparecem mortos.

O contato com pessoas doentes também é seguro.

3- Quais os sintomas?

Febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. É importante prestar atenção na duração dos sintomas por se parecerem muito com o de doenças comuns e bem menos graves.

Em casos mais severos, também pode parecer febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e até choque e insuficiência de múltiplos órgãos.

4 - A febre amarela mata?

Infelizmente sim. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem doença grave podem morrer.

5 - Como é o tratamento?

Não é contra a doença em si, mas contra os sintomas. Mas não é tão simples como em uma gripe. O ideal, é que a assistência seja prestada dentro de um hospital, com internação. Os cuidados incluem repouso, reposição de líquidos e de possíveis perdas de sangue. Em casos severos, a recomendação é de tratamento na em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Atenção: existe uma recomendação bastante importante para serem evitados medicamentos salicilatos (AAS e aspirina), que no quadro de febre amarela podem causar hemorragia.

6 - O que fazer ao encontrar um macaco morto em parques públicos?

Avisar as autoridades imediatamente. Isso pode ser feito pelo telefone específico da secretária de saúde de cada cidade, ou ligando no Disque Saúde (136), serviço do Ministério da Saúde que é gratuito e funciona 24 horas por dia. Se o parque frequentado tiver administração ou segurança, avise os responsáveis também (mas não deixe de ligar, sério).

7 - Onde tomar a vacina?

Essa é a parte mais complicada. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta a imunização gratuitamente em postos de saúde específicos de cada município.

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População faz fila no Rio de Janeiro para a vacinação contra a febre amarela - Tânia Rego / Agência Brasil

O problema é que, com o avanço da doença, muita gente se assustou e foi procurar a vacina (que é gratuita) ao mesmo tempo. Ter para todo mundo, vai ter. Mas não na velocidade em que a população está esperando. Isso está causando filas imensas e muito tumultos em várias cidades. Algumas, até senha vão distribuir. Por isso, só o serviço de saúde de cada município pode informar como está sendo o esquema de vacinação.

Clínicas particulares também já começam a sentir os efeitos e nem sempre têm a dose. Quando há, é importante lembrar que nesse caso, é paga.

8 - Qualquer pessoa pode se vacinar?

Não. A vacina é contraindicada para crianças menores de seis meses, idosos acima dos 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até seis meses, pacientes em tratamento de câncer e pessoas imunodeprimidas (pacientes com defesas frágeis, que adoecem facilmente).

Para pessoas em zonas de risco ou que vão viajar para uma, mas que se enquadram nesses casos, o médico deve avaliar individualmente a necessidade e segurança de aplicar a vacina.

9 - Posso doar sangue depois de tomar a vacina?

Não pode. A recomendação é esperar entre três a quatro semanas e informar sobre a vacinação ao banco de sangue. Doadores frequentes podem fazer a doação antes de receber a imunização.

10 - O que é a dose fracionada?

Para atender toda a população, algumas cidades vão usar em suas campanhas uma dose menor da vacina, de 1/5 da padrão. A segurança é a mesmo e ainda pode atender algumas pessoas que estão dentro do grupo que não pode receber a vacina.

11 - Posso tomar a dose fracionada em caso de viagem internacional?

Não pode. Apesar de a segurança ser garantida, o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP), exigido por alguns países, só é emitido para quem toma a dose inteira, uma vez que ainda há estudos sobre a durabilidade da imunização.

12 - Preciso renovar a vacina?

Por muito tempo, a recomendação era reforçar a aplicação dez anos depois. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou isso recentemente com base em novos estudos. Quem recebeu a vacina uma vez na vida não precisa de uma segunda dose.

Mas atenção: isso só é válido para a dose completa. No caso da dose fracionada, ainda não há uma certeza sobre a necessidade de reforço. Os primeiros estudos indicam um período de oito anos entre uma aplicação e outra, mas o Ministério da Saúde afirma que ainda há pesquisas sendo conduzidas sobre o assunto e esse período pode ser alterado dentro de alguns anos.

13 - Quanto tempo antes de uma viagem para zona de risco preciso me vacinar?

Não vai deixar para a última hora! É preciso tomar a vacina pelo menos dez dias antes de uma viagem internacional ou para zonas de risco. Mas vale lembrar que emitir o certificado internacional é outro processo que exige tempo. Assim, quanto antes, melhor.

14 - Quais países exigem a vacina?

A OMS reúne em seu site os países que pedem a imunização e atualiza a lista constantemente. Assim, antes de qualquer viagem, é preciso conferir clicando aqui. Também é importante dizer que os países colocam critérios específicos. Por exemplo: o Afeganistão não exige vacina de todo mundo, apenas de quem vem de uma zona de risco.

No Brasil, visitantes a partir de 9 meses de idade vindos da Angola e da República Democrática do Congo só podem entrar vacinados. Mas a OMS sugere que todos se vacinem, especialmente os que estão indo para zonas de risco.

15 - Como tirar a carteirinha que comprova a imunização em outros países?

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Meu certificado tem essa "cara". Vou precisar emitir um novo em 2023, pois a regra da OMS ainda era outra...

O viajante toma a vacina em qualquer posto e pede um comprovante. Em seguida, pode se cadastrar num sistema chamado SISPAFRA, disponível aqui. Com isso, pode agendar um horário nos postos que emitem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP). E então é só comparecer no dia e local escolhido com identidade original com foto, o comprovante da vacina e um comprovante de viagem para um país que exige a imunização (por exemplo, passagem aérea).

Fontes: Ibama, Anvisa, Ministério da Saúde, OMS e Fundação Pró-Sangue