ECONOMIA

A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

Lilis Sobral
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Lilis Sobral

O Banco Central fez um novo corte na taxa básica de juros, acionando uma regra que faz a poupança render menos

A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

Crédito: Agência Brasil

Na tarde de quarta-feira, dia 6 de setembro, o Copom (Comitê de Política Monetária) fez mais um corte na Selic. O grupo do Banco Central avaliou que tinha espaço para reduzir a taxa de juros em 1 ponto percentual e ela passou de 9,25% para 8,25%. A decisão foi unânime.

Na semana que vem, o grupo divulgará uma ata e poderemos saber mais detalhes sobre como chegou à conclusão de que tinha espaço para mais um corte na Selic. Por enquanto, o Copom divulgou um comunicado, justificando a medida pela inflação mais controlada, sinais de recuperação gradual na economia e cenário externo favorável.

Mas o que seu bolso tem a ver com isso, afinal? Muito, especialmente desta vez.

Poupança
O Banco Central já vem reduzindo a Selic há um tempo. Todos os anos acontecem religiosamente oito reuniões para discutir o assunto. Para se ter uma ideia, em 2017 já se foram seis delas e, em todas, a Selic caiu um pouco.

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Mas desta vez, a queda tem um detalhe bastante importante, com efeito direto para os brasileiros. Estão lembrados quando lá em 2012 o governo federal mudou as regras para o rendimento da poupança? Pois bem. No conjunto de medidas, que vale até hoje, está previsto que quando a Selic é maior que 8,5%, a poupança tem um rendimento fixo e pré-definido, de 6,17% + TR (taxa referencial, um outro índice que serve de base para o investimento) ao ano. Ou seja: igualzinho era antes da mudança de regras.

A situação fica mais complicada quando a Selic é de 8,5% para baixo. Ou seja: como está agora. Nesse caso, a poupança paga para ao investidor 70% da Selic + TR ao ano. Traduzindo:

A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

A regra vale para o dinheiro que foi aplicado a partir de 4 de maio de 2012, quando a mudança entrou em vigor.

Outros investimentos também sofrem
A questão da poupança é significativa pois a queda de ontem ativa a regra que muda a remuneração. Mas outros investimentos, que já vinham perdendo atratividade com as reduções constantes também precisam ser reavaliados.

O maior exemplo são os títulos do Tesouro que usam a Selic como base para pagamento. Nesse investimento de renda fixa, quem aplica pode escolher títulos que oferecem diversos tipos de remuneração e um deles leva a taxa básica em consideração para pagar o investidor.

Os títulos atrelados à Selic costumam ser uma opção bastante buscada para reservas de emergência, pois têm liquidez e prazos bastante variados. Com a taxa em trajetória de queda, porém, títulos que usam outros índices na base da remuneração, como o IPCA (inflação) podem ser mais vantajosos.

Selic x bancos
Falou em queda de juros e você já pensa: EBA! Hora de tomar um crédito para comprar algo que estou planejando há um tempo. Calma lá!

A Selic é sim uma das bases para bancos e financeiras definirem os juros que serão cobrados de você, consumidor. Porém, até o efeito chegar nessa ponta da cadeia, demora.

A Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) é uma instituição que faz a conta para mostrar como nosso bolso continua sofrendo com juros altos, mesmo diante da Selic em queda. Eles liberam todo mês uma pesquisa. A mais recente é de julho e, embora não reflita o último corte promovido pelo Copom, já dá uma boa ideia da demora que é para as decisões baterem em nossos bancos.

A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

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