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Após queda em dezembro, salário mínimo necessário volta a subir, para R$ 3.752,65

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Aplicar sugestão do Dieese poderia levar consequências à economia. Reajuste do salário mínimo real, porém, está abaixo da inflação

Após queda em dezembro, salário mínimo necessário volta a subir, para R$ 3.752,65

(USP Imagens, via Agência Fotos Públicas)

Quanto um brasileiro precisaria receber mensalmente, em média, para pagar custos básicos? Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), R$ 3.752,65. Bem diferente do salário mínimo estabelecido pelo governo federal, de R$ 954,00.

O interessante da pesquisa, que reflete o mês de janeiro, é que o índice vinha registrando quedas consecutivas (novembro e dezembro), tendo atingido no último mês do ano passado R$ 3.585,05. Naquela ocasião, o valor foi o mais baixo desde dezembro de 2015, quando havia batido R$ 3.518,51 – e é esse aumento que preocupa.

Após queda em dezembro, salário mínimo necessário volta a subir, para R$ 3.752,65

Fonte: Dieese

A pesquisa considera os gastos com saúde, educação, transporte, lazer e outros pontos básicos para o sustento de uma família. Reflete também (e principalmente) uma cesta básica de alimentos essenciais. E aí está o problema: esse índice, também segundo cálculos do Dieese, aumentou nas 20 capitais pesquisadas pelo departamento em janeiro.

De acordo com essa outra pesquisa do departamento, a cesta mais cara em janeiro foi a de Porto Alegre (R$ 446,69), seguida do Rio de Janeiro (R$ 443,81) e São Paulo (R$ 439,20). Os menores valores médios foram observados em Salvador (R$ 333,98) e Aracaju (R$ 349,97).

Já as altas mais expressivas, na comparação com dezembro, aconteceram em João Pessoa (11,91%), Brasília (9,67%), Natal (8,85%), Vitória (8,45%) e Recife (7,32%). São esses índices que puxaram para cima o valor do salário mínimo.

Aplicar o salário sugerido pelo Dieese do dia para a noite não seria possível. Significaria uma alta de 293% entre o valor oficial e o ideal, considerando os dados de janeiro.

Algumas teses, como a do economista Carlos Eduardo Gonçalves, sugerem que uma mudança na lei para garantir esse aumento poderia trazer consequências ruins para a economia. Inclusive, gerar desemprego em massa.

O problema é que o próprio reajuste do mínimo não está cobrindo nem a inflação. O valor de R$ 954 instituído para 2018 é 1,81% maior que o anterior, de R$ 937, que foi válido até dezembro de 2017. No ano passado, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que serve de base para o salário mínimo, subiu 2,07%.

A diferença acontece pois leva em conta estimativa do governo, não o resultado concreto. Porém, já foi dada a palavra: não haverá revisão. Na prática, isso significa que a alta do mínimo se anula e o poder de compra cai.

Se não dá para aumentar o mínimo para mais de R$ 3 mil reais do dia para noite, não seria justo reivindicar ao menos uma correção real?