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Como (e por que) montar uma creche parental

Lilis Sobral
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Lilis Sobral

Está difícil cuidar das crianças sozinha? Conheça o modelo de cuidado compartilhado que é novidade no Brasil

Como (e por que) montar uma creche parental

Quantos adultos são necessários para cuidar de uma criança? Com certeza mais do que dois. Além da mãe e do pai, é preciso toda uma rede de apoio para garantir que o ser humaninho esteja (quase) sempre limpo, alimentado, educado, entretido e respirando.

Em muitos casos, essa rede envolve avós, tios e opções pagas, como babá e escola. Mas e se a família não for disponível e a grana estiver curta? Hora de montar uma creche parental.

Calma, não estamos falando em criar uma comunidade hippie (embora essa também seja uma opção). O modelo de cuidado compartilhado é novidade no Brasil, mas existe na França e na Alemanha há anos, inclusive com apoio dos respectivos governos.

Por aqui, o esquema é bem informal. São grupos de pais que se organizam para cuidar juntos dos filhos, normalmente quando eles têm até 4 anos. Depois dessa idade, é obrigatório por lei que a criança esteja na escola.

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Aqui vão 3 motivos para começar uma creche parental agora mesmo:

É muito mais barato

Esqueça as mensalidades caríssimas das creches particulares. Na creche parental, os pais decidem se vão contratar cuidadores, alugar um espaço e que materiais serão comprados. Os custos são divididos entre todos os participantes. A creche pode ser itinerante, ou seja, cada dia na casa de um ou em espaços públicos. Desse jeito fica ainda mais econômico.

O cuidado é pessoal e personalizado

Ser cuidado por outros pais é muito diferente de estar em uma creche ou escola. Além de ser um ambiente familiar e acolhedor, na creche parental as regras são definidas pelo grupo, de forma democrática e horizontal. Também é uma oportunidade de acompanhar de perto o dia a dia do filho e tomar decisões mais diretas sobre essa rotina.

Dá para discutir formas de educar

Cada família tem um jeito de criar as crianças. Poder conversar sobre diferentes tipos de educação, trocar experiências e testar modelos é uma das vantagens de estar em um grupo de pais que cuida junto dos filhos. Conviver com outras famílias também aumenta o leque de valores e referências das crianças.

Parece uma ótima ideia, não? Tudo certo e nada resolvido. A parte mais complicada, como sempre, é aplicar a teoria à prática. Segue então um breve roteiro para dar vida a uma creche parental:

1) Leia tudo o que encontrar na internet sobre creches parentais

O grupo Cuidados coletivos Crianças pode ser um bom ponto de partida.

2) Tenha amigos pais

Mais do que isso: tenha amigos pais que gostem da ideia de compartilhar os cuidados dos filhos e não achem isso coisa de louco. Talvez seja preciso fazer novos amigos.

3) Organize a rotina de trabalho

O ideal é que cada pai cuide das crianças em pelo menos um período de um dia da semana. Como nem todo mundo tem horários flexíveis, o jeito é apresentar uma proposta para a empresa. Mostre sua pesquisa e explique que a iniciativa é inovadora. Se eles forem espertos, vão dar valor ao seu espírito criativo empreendedor.

4) Não desista tão rápido

É um grande desafio construir regras, rotinas e formas de educar em conjunto. Só com muita conversa e paciência, além de mais conversa e mais paciência. A boa notícia é que vai ter uma galera para dividir tudo, das trocas de fralda às discussões existenciais. Melhor do que tentar dar conta de tudo sozinha, né?