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Como falar de dinheiro com crianças

Lilis Sobral
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Lilis Sobral

A educação financeira precisa começar cedo, porém aos poucos

Como falar de dinheiro com crianças

Imagem: Pexels

Nenhum ensinamento sobre o que vamos ter que lidar na vida adulta é fácil de começar a passar para crianças. É natural dos pais querer proteger os filhos das coisas chatas e complicadas que eles deverão encarar no futuro. Por mais difícil que seja, porém, introduzir certos tópicos é fundamental para facilitar e naturalizar a relação que os ainda pimpolhos vão encarar mais adiante.

Um destes conceitos é a relação com o dinheiro. Tratar do assunto logo cedo é ensinar o que queremos dizer na realidade com aquele famoso “na volta eu compro” (que sabemos que não é verdade). As crianças precisam entender desde cedo alguns conceitos básicos, como a relação da troca das notas de papel e cartão pelo produto e de onde vem o tal dinheiro (talvez seja mais assustador do que explicar de onde vêm os bebês).

Quando começar

Mais do que pensar numa idade, uma deixa perfeita para introduzir o assunto é quando as crianças começam a acompanhar as tarefas do dia a dia e nasce aquele famoso: mãããeee, compra isso....paaaaiiii, me dá aquilo.

Mais importante do que dizer sim ou não, é explicar por quê. Que tal fazer um orçamento especial para os dias nos quais seu filho te acompanha no mercado, por exemplo? Explico:

Se é uma criança que ainda é muito novinha para contas matemáticas, desenhe num papel um número X de palitinhos. Pense em cada um deles como um real. Explique para seu filho que ele tem direito de, naquele dia, gastar X palitinhos no mercado com o que quiser. A cada produto escolhido, explique para a criança quantos palitinhos ela está gastando com aquilo e dê a chance dela pensar duas vezes na compra. Outra dica importante é deixar os palitinhos que ela não usar para a próxima vez. Assim, você já introduziu dois conceitos: custos e poupança. Os nomes complicados não precisam aparecer agora. O importante é começar a formar a ideia.

Devo dar mesada?

A mesada é uma questão polêmica. Muita gente acha complicado cobrar da criança um certo comportamento em troca de dinheiro. Para os pais que optam, porém, é importante definir bem o que está acontecendo ali.

Existem muitos pais que dão o dinheiro mensal e, ainda assim, continuam comprando brinquedos e outros supérfluos que as crianças pedem. Com exceção de datas especiais, como Natal e aniversário, esse é um erro, já que dificulta que elas entendam a ideia de gastar menos do que ganha.

Outro ponto importante é que crianças nem sempre têm uma ideia clara sobre tempo. Cinco minutos para uma criança de cinco anos parece uma eternidade. Assim, talvez compense mais quebrar a mesada em pagamentos semanais, ao menos para os mais jovens.

Evite dar cartões

Por preocupação com alguma emergência que a criança possa ter, é normal que muitos pais, hoje em dia, coloquem cartões de crédito nas mãos de crianças. No início da vida financeira, porém, é importante que os mais novos tenham contato com o dinheiro e vejam o número de notas diminuindo a cada compra.

A conversa cara a cara

As dicas acima são bons passos para introduzir conceitos de uma maneira mais natural, na qual a própria criança vai começar a entender o significado e o valor do dinheiro sozinha. Mas conforme as crianças crescem, entre a infância e a pré-adolescência, é preciso começar a abrir o jogo, sentar e conversar sobre finanças.

As crianças precisam entender que o dinheiro vem das longas horas que os pais passam fora de casa e precisam entender que no dia a dia, as contas precisam ser pagas.

Pensando no futuro

Um último passo é falar sobre a importância de guardar dinheiro para o futuro. Se você tem condições, vale a pena pensar em abrir uma poupança no nome de seus filhos ou uma conta para investimentos de renda fixa de longo prazo, como Tesouro Direto (tendo CPF, é possível abrir para menores).

Mas não faça isso como uma surpresa. Conte o que está acontecendo, mostre extratos indicando como o investimento cresceu, e sonhe junto ao seu filho com um destino bom para o dinheiro.