COMPORTAMENTO

Mulheres abrem as pernas no Instagram para protestar

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A moda agora é devolver o chamado "manspreading" na mesma moeda

Mulheres abrem as pernas no Instagram para protestar

(Imagem: Wikipedia)

Sente-se como uma menininha! Se você é mulher, provavelmente vive o paradoxo de achar que essa frase é tão absurda quanto comum. 

Pois a nova moda que vem das redes sociais é se rebelar no #Instagram contra a antiquada e famosa instrução.

A hashtag da vez é o #womanspreading, que une em inglês as palavras “mulher” e “esparramar”. Não entendeu nada? Pois bem, ela é uma resposta direta ao tal do manspreading (homem + esparramar).

A ação quer chamar atenção para uma prática bastante comum – e incômoda – dos homens: sentar com as pernas beeeeeem abertas no transporte público. Linguagem corporal é tudo nessa vida e a famosa posição deixa as mulheres ao lado desses caras bastante desconfortáveis.

É uma sensação de espaço invadido e opressão. Além de ser muito chato ter que ficar se encolhendo num canto para não encostar as pernas num desconhecido.

Para tentar mostrar o quão absurdo é isso, as mulheres estão devolvendo na mesma moeda e fotografando:

Morning spread🖕🏻#commuting #onmywaytowork #womanspreading

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#womanspreading я присоединилась к этому флеш-Мобу. ✌🏻👏👱‍♀️

A post shared by Маргарита Адаева /Margo Adaeva (@margoadaeva) on

Tem até itgirl se unindo à causa

Não é a primeira vez que a prática masculina entra na mira de uma ação contra. Neste ano, a autoridade oficial do metrô de Madri, na Espanha, lançou uma ampla campanha para conscientizar os machos de plantão da importância de fechar as pernas e respeitar as minas, as manas e as monas.

Além de colocar cartazes explicando o absurdo óbvio da prática, o metrô acrescentou um sinal oficial de “proibido manspreading” em suas placas pelo transporte público. 

Mas a prática masculina de esparramar as pernas pelos bancos é só uma ponta de algo bem maior: o assédio no transporte público.

O problema já gerou campanha também no Brasil. No metrô da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, existe um vagão só para mulheres no horário de pico.

Já no metrô de São Paulo, a campanha espalhou cartazes pela rede mostrando tanto para as vítimas que elas poderiam contar com a ajuda de funcionários, quanto para os outros passageiros como eles poderiam denunciar casos.

Mulheres abrem as pernas no Instagram para protestar
Mulheres abrem as pernas no Instagram para protestar
Mulheres abrem as pernas no Instagram para protestar
Mulheres abrem as pernas no Instagram para protestar

Ambas as campanhas brasileiras geraram – e ainda geram – alguma polêmica. As críticas dizem que elas colocam em cima da vítima a responsabilidade de lidar com o problema, ao invés de colocar nos assediadores a culpa pelo ataque (como faz o metrô de Madri, por exemplo).

O tema é complexo, o assunto vai continuar gerando debate, mas pelo menos estamos falando sobre ele (e abrindo as pernas no Instagram).