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5 investimentos de renda fixa para complementar a previdência

Lilis Sobral
há 2 meses372 visualizações

Se nos últimos dias você passou pelo menos dez minutos consumindo notícias, provavelmente sabe que está em debate no Brasil uma tal de reforma da previdência. 

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Diante da necessidade de corte de gastos, o tema virou uma das bandeiras do governo.

5 investimentos de renda fixa para complementar a previdência

Crédito: Flickr / Tax Credits

Se você ainda não se enquadra no grupo que tem direito adquirido (ou seja, já pode se aposentar), provavelmente algumas coisas vão mudar no seu tempo de contribuição mínimo.

Salve-se quem puder
Diante das dúvidas que o atual cenário apresenta, muita gente começa a recorrer a investimentos que possam complementar a previdência social.

O reflexo natural é buscar um plano de previdência privada. O problema é que esse modelo não é o mais flexível, já que na maior parte dos casos, os planos determinam aportes mínimos mensais. Além disso, as altas taxas de administração, manutenção e até de saída (um valor que você paga ao retirar o investimento) podem comer uma parte bastante relevante do seu lucro.

Com a dificuldade de entender por onde começar a buscar alternativas ou com o medo da sopa de letrinhas que é o mundo dos investimentos, muita gente acaba optando por estes planos pela facilidade. Assim, é possível que você acabe perdendo oportunidades de ganhar rendimentos maiores ou de investir de acordo com suas possibilidades mensais, sem uma obrigação de aporte mínimos.

Mas por onde começar? Conhecendo suas opções.

O mundo dos investimentos tem assunto infinito e pode ser bastante complexo em alguns pontos. Mas algumas aplicações demandam um conhecimento mais básico e se tornam um bom ponto de partida. As de renda fixa são bem menos assustadoras do que as de renda variável, por exemplo. Não é preciso ser nenhum Lobo de Wall Street para começar a aprender.

Conheça algumas dessas alternativas:

Títulos públicos de renda fixa (Tesouro Direto)

O que é
O princípio básico dos títulos de renda fixa é que, no geral, você vai emprestar dinheiro para alguém e, em troca, vai receber juros sobre esse empréstimo. É assim que o seu dinheiro rende.

No caso específico do Tesouro, você estará emprestando dinheiro ao governo. Mas calma, vamos pensar juntos. Os títulos têm prazos de médio a longo. Lá no site do Tesouro Direto têm alguns que vencem (data do pagamento final) só em 2050! Assim, quem opta por esta aplicação tem que deixar a política de lado. Não pense que está emprestado dinheiro para o governo do partido x ou y, porque dá tempo trocar de presidente algumas várias vezes se você investir no longo prazo, ok?

Quanto rende
No que o mercado chama de “prateleira”, existem diversos títulos com rentabilidades diferentes. Quando você olhar pela primeira vez, provavelmente vai levar um susto e achar que as opções NTN-B, LFT, LTN e NTN-F (nome dos títulos) são informação demais para a cabeça. Bem, se você está começando, provavelmente são mesmo. Então, ao invés de se ater a isso, preste atenção na característica do título (pré-fixado ou pós-fixado).

No pré-fixado, você sabe desde o momento que aplica quanto seu título vai render. No pós-fixado, ele depende da variação de algum índice macroeconômico. Por exemplo, a inflação (IPCA) ou os juros básicos (Selic). Neste caso, seu título vai render o que aquele índice variou no ano + os juros determinados no dia que você comprou (está tudo escrito lá na tal da prateleira).

Também é legal observar se ele vai te pagar algum tipo de juros semestrais ou se o rendimento vai acumular e só vai chegar na data de vencimento.

Vantagens
-Pode tirar em emergências, lembrando que existe um prazo de mais ou menos dois dias uteis até ter o dinheiro na sua conta corrente. Você faz isso vendendo o seu título.

-Como você pode optar por comprar só um “pedaço” de um título, dá para investir a partir de R$ 30. Ou seja, até o troco do cafezinho pode virar investimento no final do mês.

Desvantagens
-É possível encontrar títulos privados que rendem ainda mais.

Quanto custa
Existe uma taxa de custódia de 0,30% sobre o valor dos títulos que é cobrada todo ano. Esse valor é um pagamento feito para B3 (bolsa de valores). Quando você abre conta em uma corretora para investir em um título, é preciso deixar ali um valor em dinheiro para que aconteça este desconto, já que a bolsa não pode descontar diretamente do que você aplicou.

Também é importante verificar se a corretora escolhida cobra taxa, ainda que a maioria seja gratuita.

Além disso, quando você saca seu investimento, é preciso pagar imposto (geralmente, retido na fonte pela própria corretora) sobre o rendimento. A boa notícia é que, quanto mais tempo você deixa o dinheiro investido, menor é a tributação. Atenção: se você sacar o valor em até 30 dias depois que aplicou, ainda vai pagar IOF sobre o rendimento como uma espécie de “multa”.

5 investimentos de renda fixa para complementar a previdência

CDB e LC

O que é
Emprestar dinheiro para que bancos (CDB) ou financeiras (LC) concedam créditos.

Quanto rende
Os títulos estão sempre conectados a uma taxa de referência e rendem xxx% desta taxa (o x você fica sabendo na hora de comprar o título e decide se aceita ou não).

A principal taxa de referência é o CDI (certificado de depósito interbancário), um índice que muda todo dia, mas é sempre muito parecido com a Selic (taxa básica de juros). Existem CDBs que pagam menos de 90% do CDI, mas também há opções que pagam mais de 110% do CDI.

Vantagens
-Convenhamos: se um banco quer que você empreste dinheiro, o mínimo que pode fazer em troca é pagar bem por isto, certo? Assim, os CDBs e as LCs têm ótimos rendimentos. Mas atenção: os bancos pequenos e médios pagam muito mais que os grandes bancos (aquele em que você tem sua conta corrente). Assim, vale a pena abrir uma conta em uma corretora de valores para conhecer as ofertas antes de escolher.

-Bastante seguro. Os dois títulos são garantidos por uma instituição que chama Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ou seja: se o banco ou a financeira te der um calote na data de vencimento do título (algo bastante improvável para uma instituição de médio porte), o FGC garante seu dinheiro de volta. Mas atenção: essa garantia vai até R$ 250 mil. Passou disso, você corre o risco de perder a grana. Por isto, vale a pena diversificar.

Desvantagens
-Nos bancos maiores, podem existir opções que te pagam menos juros, porém têm liquidez diária. Ou seja: todo dia rende um pouco e você pode sacar antes do vencimento. Agora, quando escolhemos um título que rende mais via corretora, provavelmente ele obedecerá ao modelo em que o saque só pode ser feito depois da data de vencimento (que em geral, demora alguns anos). Assim, é melhor pensar duas vezes antes de usar o instrumento como reserva de emergência.

Quanto custa
-Verifique se a corretora cobra taxa de custódia ou manutenção. Existem várias que não cobram nada.

-Também tem imposto sobre o rendimento, igualzinho no Tesouro Direto. O IOF, que é a “multa” para saques em menos de 30 dias, também incide aqui.

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LCI e LCA

O que é
De maneira simplificada, é emprestar dinheiro para bancos usarem em financiamentos imobiliários (LCI - letra de crédito imobiliário) ou do agronegócio (LCA - letra de crédito do agronegócio).

Quanto rende
Assim como o CDB e LC, esses títulos estão conectados há uma taxa de referência. Como eles são livres de imposto, geralmente pagam menos do que os CDBs e as LCs.

Vantagens
-Não tem imposto

-Bastante seguro. Assim como os CDBs e as LCs, tem garantia do FGC para até R$ 250 mil

Desvantagens
-Algumas opções não têm liquidez diária e só podem ser sacadas no dia do vencimento.

-Por não ter imposto, rende menos que CDB e LC. É preciso fazer continhas para ver se vale a pena.

Quanto custa
-Verifique se a corretora cobra taxa de custódia ou manutenção.

-Isento de imposto.

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lilis.sobral
Jornalista que gosta de escrever textos como conversa na mesa de um bar.