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A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

Lilis Sobral
há um mês578 visualizações

O Banco Central fez um novo corte na taxa básica de juros, acionando uma regra que faz a poupança render menos

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A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

Crédito: Agência Brasil

Na tarde de quarta-feira, dia 6 de setembro, o Copom (Comitê de Política Monetária) fez mais um corte na Selic. O grupo do Banco Central avaliou que tinha espaço para reduzir a taxa de juros em 1 ponto percentual e ela passou de 9,25% para 8,25%. A decisão foi unânime.

Na semana que vem, o grupo divulgará uma ata e poderemos saber mais detalhes sobre como chegou à conclusão de que tinha espaço para mais um corte na Selic. Por enquanto, o Copom divulgou um comunicado, justificando a medida pela inflação mais controlada, sinais de recuperação gradual na economia e cenário externo favorável.

Mas o que seu bolso tem a ver com isso, afinal? Muito, especialmente desta vez.

Poupança
O Banco Central já vem reduzindo a Selic há um tempo. Todos os anos acontecem religiosamente oito reuniões para discutir o assunto. Para se ter uma ideia, em 2017 já se foram seis delas e, em todas, a Selic caiu um pouco.

A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

Mas desta vez, a queda tem um detalhe bastante importante, com efeito direto para os brasileiros. Estão lembrados quando lá em 2012 o governo federal mudou as regras para o rendimento da poupança? Pois bem. No conjunto de medidas, que vale até hoje, está previsto que quando a Selic é maior que 8,5%, a poupança tem um rendimento fixo e pré-definido, de 6,17% + TR (taxa referencial, um outro índice que serve de base para o investimento) ao ano. Ou seja: igualzinho era antes da mudança de regras.

A situação fica mais complicada quando a Selic é de 8,5% para baixo. Ou seja: como está agora. Nesse caso, a poupança paga para ao investidor 70% da Selic + TR ao ano. Traduzindo:

A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

A regra vale para o dinheiro que foi aplicado a partir de 4 de maio de 2012, quando a mudança entrou em vigor.

Outros investimentos também sofrem
A questão da poupança é significativa pois a queda de ontem ativa a regra que muda a remuneração. Mas outros investimentos, que já vinham perdendo atratividade com as reduções constantes também precisam ser reavaliados.

O maior exemplo são os títulos do Tesouro que usam a Selic como base para pagamento. Nesse investimento de renda fixa, quem aplica pode escolher títulos que oferecem diversos tipos de remuneração e um deles leva a taxa básica em consideração para pagar o investidor.

Os títulos atrelados à Selic costumam ser uma opção bastante buscada para reservas de emergência, pois têm liquidez e prazos bastante variados. Com a taxa em trajetória de queda, porém, títulos que usam outros índices na base da remuneração, como o IPCA (inflação) podem ser mais vantajosos.

Selic x bancos
Falou em queda de juros e você já pensa: EBA! Hora de tomar um crédito para comprar algo que estou planejando há um tempo. Calma lá!

A Selic é sim uma das bases para bancos e financeiras definirem os juros que serão cobrados de você, consumidor. Porém, até o efeito chegar nessa ponta da cadeia, demora.

A Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) é uma instituição que faz a conta para mostrar como nosso bolso continua sofrendo com juros altos, mesmo diante da Selic em queda. Eles liberam todo mês uma pesquisa. A mais recente é de julho e, embora não reflita o último corte promovido pelo Copom, já dá uma boa ideia da demora que é para as decisões baterem em nossos bancos.

A Selic caiu de novo. E seu bolso com isso?

Viu? Não faz nem cócegas...

Os 10 mandamentos do bom investidor

Lilis Sobral
há 2 meses1.5k visualizações

Entenda o que todo entusiasta do mercado financeiro precisa fazer antes de começar a investir para ter sucesso.

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Os 10 mandamentos do bom investidor

Reprodução / B3  

Estilo, nível de conhecimento, objetivo e um monte de outros detalhes diferenciam um investidor do outro. Mas existem alguns pontos que, independente de tudo isso, servem de base de quem quer entrar nesse mundo do mercado financeiro com o pé direito - e ficar nele. Conheça:

1) Trace um objetivo

Tanto para escolher bem suas aplicações, quanto para manter a motivação na hora de investir, é importante ter bem claro o porquê da sua poupança. Pode ser aposentadoria, a compra de um imóvel, de um carro ou uma grande viagem. Não importa. Tenha claro as razões do seu investimento para escolher os prazos e alternativas que melhor se adequem aos seus sonhos.

2) Conheça (e respeite) seu perfil
Existem investimentos bem seguros, em geral de renda fixa, que têm remunerações boas, mas não que não são as maiores. Também tem a renda variável, que no caso das ações, por exemplo, exige uma dose de sangue frio, mas pode dar rendimentos ainda melhores.

Para escolher como e no que aplicar é preciso entender qual é seu perfil. Você vai conseguir ver suas ações caírem 50% num ano e manter o dinheiro lá mesmo assim? Ou prefere ganhar menos, mas sem passar sufoco? Fazer este exercício é fundamental para determinar onde você vai aplicar. Também é importante variar seus investimentos e definir seu estilo ajuda a distribuir os percentuais entre diversos tipos de aplicação.

3) Procure uma corretora parceira
O banco no qual você tem conta corrente provavelmente já oferece a possibilidade de investir em títulos de renda fixa, por exemplo. Porém, como são instituições grandes, nem sempre oferecem as melhores taxas. Escolha uma corretora de valores para chamar de sua.

Para isso, veja quais são as taxas que cada uma cobra em cada tipo de investimento. Também busque escrever um e-mail perguntando se a instituição tem consultores financeiros que possam tirar suas dúvidas no meio do caminho. Algumas oferecem até cursos gratuitos de finanças, presenciais ou pela internet!

Uma vez que escolheu a instituição, dê uma olhada nesta ferramenta do Banco Central, pesquisando pelo nome. Aqui, você tem a garantia de que está tudo certo com a escolhida.

4) Comprometa-se
Investir em renda fixa ou variável não exige um valor mínimo mensal obrigatório. Assim, vale a pena se organizar e se comprometer pessoalmente com uma rotina de investimento (que pode aumentar em tempos de bonança).

5) Estude
Procure material bem escrito de corretoras de valores para entender o que cada investimento significa. Sabia que a B3, a nossa bolsa de valores, oferece cursos presenciais e online para todos os níveis de conhecimento? Boa parte é paga, mas também aparecem algumas opções gratuitas eventualmente. O departamento de educação também pode te ajudar a agendar uma visitar para conhecer a bolsa por dentro. A CVM, que é a instituição que fiscaliza o mercado financeiro, também tem vários cursos gratuitos que valem a pena.

6) Acompanhe o noticiário
Especialmente se você quer aplicar em ações de grandes empresas. É preciso saber o que está acontecendo com estas firmas, já que comprar papéis delas significa que você vira um pequeno sócio.

7) Acompanhe sua carteira
Faça uma tabela com todos os seus investimentos onde tiver mais facilidade: vale de excel a caderninho. Anote ali quanto aplicou e quando. Marque uma data para, a cada dois meses (mais ou menos, você escolhe), ver quanto cada aplicação rendeu ou perdeu no período. Isso ajuda na hora de definir novos aportes.

8) Livre-se das dívidas

Dívidas têm juros. Em geral, o melhor investimento é livrar-se delas. Além disso, é importante encerrar essa obrigação financeira antes de comprometer o dinheiro de outra forma.

9) Faça uma reserva de emergência
Escolha uma aplicação segura, que seja fácil de acessar em casos de emergência, aplique e não mexa ali! Não considere esse valor como parte de sua carteira de investimentos, pois o objetivo desse montante é te tirar de algum sufoco, e não maximizar ganhos.

10) Não converse muito

Isso mesmo! Quando começamos a investir, é normal ter o impulso de sair contando para todo mundo e bater papo sobre isso na mesa do bar com outros investidores apaixonados. O problema é que o que funciona para uma pessoa, nem sempre funciona para outra. Você e seus amigos provavelmente têm objetivos, corretoras, aplicações e perfis diferentes. Falar sobre investimentos pode te assustar e forçar movimentos que não necessariamente sejam bons para você.

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lilis.sobral
Jornalista que gosta de escrever textos como conversa na mesa de um bar.