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Por que não devemos chamar o Bolsonaro de 'enrustido'?

Micheli Nunes
há 2 meses2.8k visualizações
Por que não devemos chamar o Bolsonaro de 'enrustido'?
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Imagem: Creative Commons

Nessa semana, mais uma vez, Jair Bolsonaro passou vergonha internacionalmente e nos deu aquela sensação de depressão ao lembrar que ele é um deputado federal (PSC-RJ). Depois de ser chamado de fascista pelo renomado jornalista americano Glenn Greenwald, Bolsonaro respondeu com um "Do you burn the donut?" ("você queima a rosca"), referindo-se ao fato de Glenn ser homossexual. 

Por que não devemos chamar o Bolsonaro de 'enrustido'?

Sem nem entrar no mérito de que a expressão não se traduz para o inglês, resultando numa frase sem nenhum sentido, e no fato que Glenn fala fluentemente português, a repercussão logo enveredou para o inevitável "Bolsonaro é um gay enrustido". E é fato que Bolsonaro tem uma preocupação excessiva com a vida sexual das pessoas, devido à sua agenda conservadora, e isso pode ser interpretado de diversas maneiras, mas afirmar que sua homofobia vem do fato dele ser secretamente gay é extremamente problemático.

Com um histórico de absurdos que contabilizam homofobia, misoginia, racismo, apoio à tortura e a pior flexão de braço todos os tempos, o deputado é um alvo fácil para críticas, mas as pessoas preferem chamá-lo de gay enrustido. Em brigas, movidos pela raiva, nós tendemos a pensar no que mais ofenderia a outra pessoa, para cutucar a ferida, e indubitavelmente os homossexuais são uma das classes que Bolsonaro mais odeia.

O problema é que isso não traz nada de bom, a não ser uma catarse momentânea, e tem um resultado péssimo. Chamá-lo de gay reforça a ideia de que homossexualidade é uma coisa ruim e indesejável, alimentando uma cultura que já era homofóbica muito anos do deputado existir. Temos aqui um homem que afirmou que não estupraria uma colega porque ela não "mereceria", insinuando que ela era indesejável e que estupro seria um favor, e a nossa retaliação é chamá-lo de "gay enrustido"? É o melhor que conseguimos pensar?

Insinuar que homofóbicos apenas não saíram do armário não é novidade. Sempre existiu e é a retórica favorita de um monte de gente - em sua maioria heterossexuais. E essa crença foi intensificada por uma pesquisa feita na Universidade da Georgia, em 1997, que colocou homens heterossexuais com tendências homofóbicas para ver cenas de sexo entre homens e mediu a excitação física deles, concluindo que os mais homofóbicos se excitaram mais com as cenas.

A pesquisa repercutiu - e ainda repercute - bastante em jornais do mundo inteiro. Mas o que essas publicações quase nunca explicam é que reações fisiológicas às cenas de sexo não significam necessariamente orientação sexual. A ideia de que um homem que  tem uma ereção vendo outro homem fazer sexo se torna imediatamente gay é rasa, triste e ultrapassada.

A sexualidade é complexa e vai muito além do que o corpo demonstra. Tanto que existem casos de homens que tiveram ereções ao serem estuprados, simplesmente por reflexo e estímulo físico e visual. Isso não significa de maneira nenhuma que eles consentiram com o ato ou sentiram prazer.

E mesmo se resposta física determinasse sexualidade, o que a pesquisa mostra é uma estatística que sugere uma maior excitação física maior entre alguns heterossexuais homofóbicos comparados a heterossexuais que afirmam não ter problemas com gays. Isso não necessariamente significa que todos os homofóbicos tiveram ou terão ereção vendo cenas de sexo gay. 

E isso tudo ainda sugere que homofobia é uma escolha simples - ou você é homofóbico ou não é - o que é outra falácia. Nossa cultura é abertamente homofóbica e isso está sutilmente presente em diversas facetas da sociedade, sempre de mãos dadas com o machismo. Pessoas que dizem não ser homofóbicas praticam a homofobia todos os dias, conscientemente ou não. Não é possível estabelecer um grupo não-homofóbico porque isso está enraizado em nós e é reforçado todo dia pela mídia.

É possível que Bolsonaro seja gay? Sim. Isso faz diferença? Não. 

Ele ainda será uma pessoa tóxica e perigosa, que estimula violência contra pessoas LGBTs, mulheres e negros. Chamá-lo de gay não o ofende, ele já está acostumado com todo tipo de críticas e contra-ataques e zomba na cara de quem tenta atingí-lo. A única coisa que alcançamos sugerindo que ele, e outros notórios homofóbicos, sejam "enrustidos" é associar ainda mais a homossexualidade a uma coisa negativa. E isso precisa parar. 

Temer e Raquel Dodge se encontram fora da agenda – e a internet não perdoa

Lilis Sobral
há 2 meses718 visualizações

A futura procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o presidente Michel Temer tiveram uma reunião na noite de ontem no Palácio do Jaburu. O encontro aconteceu por volta das 22h.

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Temer e Raquel Dodge se encontram fora da agenda – e a internet não perdoa

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo informações do G1, a reunião não estava na agenda do presidente.

Raquel, que em 28 de junho foi apontada por Temer para o cargo, toma posse em 18 de setembro e disse que a reunião foi para discutir detalhes da cerimônia, como mostra a Folha de S.Paulo.

A nova procuradora-geral vai substituir Rodrigo Janot, que deixa o cargo em 17 de setembro. O atual procurador-geral foi quem ofereceu ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o presidente e contra o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures por corrupção passiva.

Não é a primeira vez nesta semana que o presidente tem uma reunião com alguma figura importante da política sem colocar na agenda oficial do planalto. No domingo, Temer recebeu a visita de Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do STF.

A internet, é claro, não deixou a nova reunião misteriosa passar batida e choveram críticas no Twitter. Confira algumas reações:

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lilis.sobral
Jornalista que gosta de escrever textos como conversa na mesa de um bar.