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Queermuseu precisa de R$ 690 mil para reabrir no Rio - e você pode ajudar

Lilis Sobral
Autor
Lilis Sobral

Crowdfunding lançado no final de janeiro já arrecadou mais de R$ 85 mil em poucos dias, desafiando a censura à exposição

Queermuseu precisa de R$ 690 mil para reabrir no Rio - e você pode ajudar

No Rio de Janeiro, manifestantes protestam contra censura à arte - Tomaz Silva/Agência Brasil

Vai ter criança viada no Rio de Janeiro, sim! Pelo menos é o que indica o crowdfunding (espécie de vaquinha virtual) lançado pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, na capital carioca, que quer levar para lá a exposição “Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira”.

Para recuperar a memória: a exibição é aquela que estreou em Porto Alegre em agosto de 2017 e se propôs a representar a sexualidade pelos olhos de diversos artistas. Essas visões incomodaram muita gente que pensa diferente. O evento foi cancelado pelo Santander Cultural antes da data prevista para o fim, depois que grupos religiosos e o Movimento Brasil Livre (MBL) criticaram as obras, acusando algumas imagens de terem inclusive conteúdo caracterizado como pedofilia e ofensa a símbolos religiosos.

O assunto rendeu muita discussão, mas não foi um debate sadio. Até ataques pessoais a um colaborador rolou.

De alguns lados, renderam notícias boas. Teve até um parecer favorável das forças da lei (o procurador Julio Almeida, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, visitou a exposição e disse que não tinha nada disso de crime sexual contra crianças, como afirmaram movimentos contrários).

Agora, o Queermuseu ganhou uma bela chance de voltar.

O crowdfunding foi lançado dentro da plataforma Benfeitoria em 31 de janeiro. Até a publicação deste post, em 5 de fevereiro, já eram mais de R$ 85 mil arrecadados. É bastante, mas ainda um percentual pequeno diante dos R$ 690 mil que o grupo que promove o movimento diz que precisa para colocar a exposição de volta em cartaz.

O que chama atenção é a velocidade com que vão avançado as doações, que são em cotas que variam entre R$ 20 e R$ 100 mil (todas com alguma recompensa muito legal prevista).

Vale lembrar que a ideia é levar a exposição para o Rio de Janeiro. Ainda em 2017, usando definições distorcidas para as obras, o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, chegou a dizer a população não queria ver a exposição no Rio.

O movimento de arrecadação mostra o contrário. O grupo que está promovendo a vaquinha virtual tem um ponto muito relevante. Eles lembram que mais importante que ter dinheiro para reabrir o projeto, é o fato de que essa grana vem de pessoas interessadas em discutir uma série de questões, como gênero, arte, liberdade e censura.

Nesse sentido, a ideia é voltar com uma novidade em relação ao evento em Porto Alegre e trazer uma plataforma de debates sobre questões variadas e amplas de grande interesse da sociedade.

É importante ressaltar que projeto é bem transparente e explica que o valor estimado, além de custear todos os gastos envolvidos na abertura de uma exibição, incluem um projeto de melhorias na estrutura das cavalariças do Parque Lage, que abrigará a exposição, algo necessário para a segurança. Ou seja: ainda vai deixar um legado para a cidade.

Interessou e quer colaborar? Vai lá:

#cultura #arte #LGBT #Riodejaneiro