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MASP voltou atrás na decisão de proibir menores em exposição. E fez bem.

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MASP voltou atrás na decisão de proibir menores em exposição. E fez bem.

Saída da exposição hoje (07), após retratação do museu; às terças a entrada é gratuita (Foto: Lucas Berti)


Arte e sexualidade, que tantos frutos e discussões renderam à história humana, aparecem novamente como pivôs de uma polêmica sem precedentes em 2017. O novo capítulo da discussão surgiu nesta terça-feira (07), quando o MASP se desfez da decisão de proibir menores desacompanhados na mostra "História e sexualidade" inaugurada no dia 19 de outubro. 

A partir de amanhã, quarta-feira, menores de 18 anos poderão conferir na íntegra as mais de 300 obras que destrincham o universo da sexualidade no contexto artístico, com conteúdo que explora do exibicionismo de pinturas à cronologia do sexo. Após completar 70 anos enfeitando de vermelho o coração da avenida paulista, o espaço cultural toma a estratégica decisão em um momento delicado para o cenário artístico - principalmente se o assunto envolver um mísero pedaço de corpo sem roupa.

Exposto às críticas

No dia 14 de agosto, a exposição Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira rendeu meses de assunto após ser rechaçada, com acusações das mais variadas. De apologia à pedofilia até acusações de imoralidade, diversos grupos se manifestam nas redes sociais pelo fechamento da mostra. Impulsionado pelas críticas do Movimento Brasil Livre (MBL), os protestos ganharam força.

MASP voltou atrás na decisão de proibir menores em exposição. E fez bem.

Temas exibidos dividiram o público (Foto: Jornal do Commércio)

O cancelamento finalmente veio, após um mês de exibição e uma série de pichações contra o curadoria. Ainda em setembro, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul - Estado onde surgiu a exposição - recomendou ao Santander Cultural a continuar com as atividades do Queermuseu, mesmo que sob a ameaça de possíveis novos processos. A sugestão não foi mais forte do que a série de ações judiciais contra o movimento artístico. Há cerca de um mês, a galeria foi desmontada.

Luciano da Costa, 28, comentou que a decisão do MASP veio em boa hora. Segundo ele, que é professor de história e acompanhou a mostra pela primeira vez, a visita indicativa deixa "ao responsável toda a decisão". Conta, ainda, que as decisões envolvendo o Santander Cultural são exageradas: "Importante ver a sexualidade sobre vários prismas".

Como Luciano, vários curiosos e fãs de arte acompanharam a mais nova atração, apontando para um trabalho delicado na seleção das obras. Funcionários do museu não se posicionaram sobre o caso. A cautela, em momentos tênues entre o ódio em cadeia e as críticas construtivas, acaba sendo a solução mais inteligente.

Com o cenário menos odioso após os meses de tensão ao redor do caso Queer no sul do Brasil, fica a dúvida se a decisão do Museu foi pautada pelo bom senso ou pelo medo de se envolver em polêmicas, já que, em sete décadas, nunca antes o espaço havia estipulado essa classificação.

Entre discussões do que deve ou não ser exposto, fica, ao menos, a possibilidade de um tabu entrar em contato com a juventude - e vice versa. A liberdade para se interpretar parece vencer dessa vez.