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Morre Charles Manson, ícone do horror real

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Morre Charles Manson, ícone do horror real

Icônico, Manson foi preso em 1971 (Foto: Hollywood Reporter)

Neste domingo (19), um dos casos de assassinato mais intrigantes da história dos Estados Unidos viu morreu seu principal mentor. Aos 83 anos, Charles Manson, que cumpria prisão perpétua na Califórnia, teve sua morte confirmada pelo hospital de Bakersfield. Manson estava internado desde a última semana, com uma suposta hemorragia interna. Voltou ao confinamento pouco depois, até voltar a sofrer de complicações no final de semana. 

Nascido na cidade de Cincinnati no Estado de Ohio e preso há quatro décadas, o icônico personagem, envolto pela atmosfera macabra de seus crimes, encabeçou o grupo radical "A Família" nos anos 60. Munida de seus discípulos - que se assumiam como inimigos da sociedade - a seita chocou o mundo com o meticuloso e sádico assassinato de membros da elite hollywoodiana da época.

CasoTate-LaBianca

Coibidos por Manson, os seguidores da "Família" tinham a missão de assassinar, sem qualquer rastro de humanidade, ao menos sete pessoas influentes na época. Entre os alvos, estavam Leno e Rosemary LaBianca e a atriz Sharon Tate, então esposa do diretor de cinema Román Polanski. O grupo foi estratégico na escolha das vítimas. Além da fama, Tate estava no oitavo mês de gravidez, o que renderia ao caso uma repercussão assustador. Junto com a celebridade, outras quatro pessoas foram brutalmente mutiladas na madrugada de 9 de agosto, em Bel Air, região nobre de Los Angeles. 

O cenário do primeiro ataque, na mansão milionário em Cielo Drive, marcou o crime como um dos mais chocantes episódios criminais do país até o momento. Susan Atkins, apontada como suposta amante de Manson e uma de suas fiéis parcerias, usou o sangue de Tate para escrever a palavra "Pig" (em inglês, "porco") na porta da casa, após matar a atriz com mais de 16 facadas na barriga. 

O casal LaBianca foi morto na noite seguinte, em uma cidade próxima, também em Los Angeles. Os corpos foram encontrados vendados e com dezenas de marcas de faca e com os dizeres "guerra" e outros insultos feitos na pele. 

Prisão e estrelato

Peculiar aos olhos da Polícia e da Justiça, a figura de Charles Manson emerge como uma das mais lembradas entre os casos serial killer norte-americanos.

Com uma suástica tatuada na testa, o assassino se transforma em uma espécie de alegoria aos olhos da mídia, à medida que conspirações se desdobram de sua imagem. Muitos jovens de pequenos grupos aparecem nas últimas décadas alegando fidelidade ao "legado" deixado por Manson e os membros da seita.

Já na prisão, o assassino ficou conhecido por conceder entrevistas emblemáticas, juntando frieza e lucidez em relatos preciosos a qualquer reportagem. Segundo ele, diversas personalidades da música e do entretenimento estavam por trás de conspirações étnicas - um dos intuitos da seita era acirrar as tensões entre negros e brancos no país, com falsa incriminação para os dois lados.

Durante o cárcere, um dos pedidos de Manson foi o de se casar com Afton Elaine Burton, há cerca de 4 anos. Os dois desistiram da ideia pouco depois.

Após o massacre de Tate-LaBianca, foi condenado a prisão perpétua em 1971 pelo assassinato de sete pessoas e por reunir jovens e os aliciar nos dois homicídios. Outros quatro integrantes do grupo também sofreram a mesma condenação.

Com sua morte, Manson esfria o interesse público por suas polêmicas aparições, ainda que sua imagem inconfundível faça prevalecer a mística de um dos crimes mais comentados da história.