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Netflix resgata Unabomber em novo thriller

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Netflix resgata Unabomber em novo thriller

Imagem mais conhecida do serial bomber durante o anonimato virou ícone

Entre as décadas de 70 e 90, o mundo vivia seus últimos instantes de uma sequência de anos imprevisíveis. O século XX e seu avassalador horizonte de tempo de cem anos, que parecia não comportar a quantidade de acontecimentos na vida humana, se despediu de 1800 sem saber quais frutos renderia anos mais tarde. 

Como em um presságio da modernidade, artistas, escritores, personalidades e acadêmicos inauguram o novíssimo tempo com uma verdadeira catarse de pensamento. Em meio a novas correntes, revoluções na arte e à calmaria que precedia o dilúvio da guerra, havia uma certeza: a vida humana daria de frente com o inimaginável. 

Chicago, 1942. Nascia Theodore Kaczynski. Assim como seu país natal, tão marcante na história do globo nesse período, sua história tem a ver com uma realidade que não se imagina. Durante vinte anos, até 1995, Kaczysnki matou três pessoas, feriu outras 23 e driblou o FBI em um verdadeiro roteiro de série. Em 2017, o Netflix transformou o caso em série. 

Netflix resgata Unabomber em novo thriller

Diálogos entre Fitz e Unabomber dão o tom no drama de Nick Towne

A tal modernidade desenfreada do século XX redesenhava a sociedade norte-americana. Ano a ano, a reinvenção do mercado rendia produtos de ponta, novos aparelhos, impulsionava a escalada da hiper conexão e, claro, estreitava a relação entre homem e o artificial. Na cabeça de Theodore K., nada disso fazia sentido. Inconformado com as consequências dessas ações humanas à natureza e à própria essência do homem, o garoto recluso de Chicago se rebelou. 

Precoce e com uma mente brilhante, o jovem Theodore foi aceito em Harvard com apenas 16 anos. Após um contato conturbado com estudos sobre psicologia e já cozinhando seu desafeto pelo mundo, ganha um cargo de professor assistente em 76, quando suas habilidades sociais quase se anulam por conta de um comportamento tímido e ansioso. Alimentando sua solidão e já sem emprego, decide, aos 30, viver à margem da falência social na qual tanto não se encaixava. Após se mudar para Montana, some entre os pinheiros na região montanhosa e começa preparar sua ardilosa mensagem ao mundo em uma vida de subsistência e mistério. 

A série "Manhunt", lançada em Agosto de 2017, traz toda a história. Com Sam Worthington, Paul Bettany e Chris Noth, o suspense investigativo revela a atmosfera instigante de um dos maires casos policiais dos Estados Unidos em episódios de pouco mais de 40 minutos. Na trama, desde o piloto, Kaczynski já é Unabomber. Como um fantasma, o "serial bomber" contraria as estatísticas parecendo brincar com as autoridades, revelando-se um enigma em cada um de seus ataques. Mobilizando toda uma legião de investigadores, a figura intocável, discreta e genial do sociopata é desfiada pouco a pouco, influenciando a saúde mental dos que ousam mergulhar no caso. Essa relação é marcante na série. 

Sem esconder os fatos, o mais novo sucesso original Netflix desbanca o mito de que o "baseado em fatos reais" é enfeite de roteiro, misturando elementos reais à uma justa medida de ficção sem a qual não seria possível devorar os 8 episódios sem nem respirar. Com explicações interessantes sobre a globalização e seus reflexos na vida cotidiana, a série é cativante (para não dizer bombástica e cair em um trocadilho infame).  A dica: varar a madrugada e se permitir conhecer um pouco mais sobre o universo do caso em uma tacada só - coisa que talvez provocasse o ódio de Theodore Kaczynski, vencido pelo cansaço em uma modernidade onde pessoas escrevem sobre séries.