ECONOMIA

O que sugere o Banco Mundial com o fim do ensino superior gratuito

Lucas Berti
Autor
Lucas Berti
O que sugere o Banco Mundial com o fim do ensino superior gratuito

Órgão aponta corte de orçamento como forma de equilibrar gastos e promover igualdade no Brasil 

Em relatório divulgado na terça-feira (21), o Banco Mundial levantou um ponto delicado em relação ao ensino superior brasileiro. Segundo a instituição, cortar gastos sem prejudicar a classe mais pobre é uma saída para a ineficiência da economia do Brasil.

O texto apresentado na descrição “Um Ajuste Justo – Propostas para Aumentar Eficiência e Equidade do Gasto Público no Brasil” se baseia na disparidade orçamentária dos estudantes brasileiros. O plano de seguir dando subsídio aos 40% mais pobres será mantido. No entanto, jovens de classe média e alta teriam a responsabilidade de pagar pelo estudo logo depois da formatura – mantendo as possibilidades de crédito estudantil durante o curso.

Hoje, no país, o número de alunos de Universidades Públicas pertencentes às classes altas chega a 65%. Ainda que esse número tenha diminuído nos últimos anos, de acordo com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a ideia da medida proposta pelo Banco Mundial é contornar a situação que revela um gasto público em boa parte direcionado à população mais rica.

Futuro e incerteza 

Com a contenção de gastos, a expectativa é de um uma economia crescendo acima de 8% até 2026. Para o Banco, os programas em vigência no país, como de Zona Franca e Programa de Sustentação de Investimentos (PSI) não são suficientes para uma economia na ressaca de um terceiro ano de instabilidade.

A questão relacionada ao ensino superior no Brasil é amplamente discutida, principalmente quando números da desigualdade social desmantelam a cultura da meritocracia. Em tempos de retomada econômica, a sugestão do BM parece ter que enfrentar um debate que supera as questões de orçamento.