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Três momentos para entender a Coreia do Norte

Lucas Berti
Autor
Lucas Berti
Três momentos para entender a Coreia do Norte

Siga o líder: Todos à sombra de Kim (Foto: Sputnik) 

Tensão, incertezas e um regime implacável. Entre tantos possíveis adjetivos, assim é possível definir a Coreia do Norte de Kim Jong-un. Na lista das nações mais fechadas do mundo, principalmente pela alienação agressiva proposta pelo Governo de Kim, Pyongyang se destaca pelos absurdos políticos e por viver à margem de uma diplomacia estável.

Os atritos entre o líder do país e o presidente Donald Trump também compõem um curioso cenário: Em meio a uma disputa nuclear vivida entre os países, os dois representantes se espreitam entre insultos virtuais e ameaças de guerra, no que parece ser o princípio cômico e tuitado de uma guerra de especulações.

Trump provoca o Kim Jong-un após ser chamado de "lunático" 

Apesar da pouca seriedade das trocas de ofensas, a relação entre as lideranças supremas da Coréia do Norte e seu projeto de força nuclear beira a obsessão. Em nota da agência estatal KCNA – um dos poucos veículos devido ao controle da informação – o “cerco” do ocidente estimula os esforços norte-coreanos, que se mostram dispostos a uma “contramedida correspondente”. Até então, as intimidações não se cumpriram.

1. Resquício da Guerra

Ainda que cause desconforto em nível internacional, o regime “ilhado” entre a China e sua irmã do Sul, encontra instabilidade em sua relação de vizinhança. A disputa entre as Coréias, iniciada em 1950 com o primeiro conflito armado da Guerra Fria, dizimou cerca de quatro milhões de pessoas e selou a divisão permanente entre Seul e Pyongyang.

No entanto, o uso de armas durou apenas três anos. Com a morte de um grande número de civis, a intervenção da ONU contra os pró-socialistas do Norte acelerou as vitórias sulistas no conflito. Já em 1953, os Estados Unidos vieram a público alegando que uso de armamento nuclear contra a aliança entre Coréia do Norte e China era iminente. Pouco depois, os países vizinhos, respaldados pelas respectivas potências, acertaram o Armistício de Panmunjon, que selou o fim – armado – da divisão coreana.

A relação horizontal nunca mais foi a mesma. O cessar-fogo entre as nações limítrofes iniciou uma truculenta relação ao longo de todo o restante de século. Mas a suposta violação do tratado aconteceu só no último dia 13 novembro, 64 anos após o acordo que pôs fim à Guerra da Coreia.

2. Tiros na zona de trégua

Três a cada dez soldados norte-coreanos tentam fugir da opressão do regime militar. O tempo obrigatório de servidão, maior entre os exércitos, contribui para a deserção: uma década de dedicação. No início da terceira semana do mês, dia 13, imagens do Comando das Nações Unidas mostraram um soldado nortista correndo na tentativa de sair do país. Após guiar até a fronteira, o militar chegou à zona de segurança da área desmilitarizada (JSA), uma espécie de ponto neutro onde as forças armadas ficam muito próximas. Lá, foi perseguido por colegas e ferido no tiroteio.

A nova fagulha angustiou a cúpula internacional além da normalidade. Durante o confronto, um dos guardas norte-coreanos cruzou a linha que demarcava o limite militar, violando o Armistício acordado em 1953. O mesmo órgão que divulgou o vídeo, afirmou por meio do porta-voz Chad Carrol que o episódio evidencia a infração por parte da Coréia do Norte. Médicos sul-coreanos do Hospital de Suwon retiraram as balas do soldado fugitivo em duas cirurgias e alegam que o paciente não está mais ameaçado. Os desdobramentos do episódio, por outro lado, seguem incertos. 

3. Kim Jong-un e o delírio totalitário

Aos 33 anos, o icônico líder supremo da Coréia do Norte e sucessor de Kim Jong-il é um prato cheio às manchetes. Responsável por comandar com mão de ferro o regime conservador do país, o ditador, no alto de seu um metro e setenta, acumula medidas polêmicas em sua governança.

A personificação do medo público passa por Kim. O líder foi acusado de mandar matar com atrocidade alguns governantes opositores e recentemente proibiu bebidas alcóolicas e festas no país, de acordo com membros infiltrados no país. O formato unipartidário de seu país se junta à forte censura a veículos de comunicação gerando um aspecto tirânico em Un, que parece gostar do viés da fama.

Três momentos para entender a Coreia do Norte

Doutrina rígida e devoção marcam nacionalismo do país (Foto: Neewsweek)

As fotos divulgadas na imprensa internacional revelam uma reação curiosa nos encontros do ditador com a população. Em uma espécie de histeria coletiva, choros comoventes são acompanhados de um sorriso característico. Se por amor ou por temor, cidadãos se curvam diante de Kim Jong-Un, comprovadamente a liderança máxima no país.

Com a escalada nuclear, nova menina dos olhos do Governo, a Coréia do Norte mergulha em seu isolamento geopolítico e social, quando se declara assumidamente favorável ao início de uma guerra física.