LAVA JATO

2018: o ano em que o Brasil será presidido por Rodrigo Maia

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Político que é político fareja o poder a quilômetros de distância – e ele é exalado pela Câmara, e não pelo Planalto

2018: o ano em que o Brasil será presidido por Rodrigo Maia

O presidente e o vice - não necessariamente nesta ordem (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Faltam poucos dias, na prática, para o fim do governo de Michel Temer. Isto porque é improvável que o presidente consiga aprovar algo de relevante em 2018, quando os políticos só pensarão nas eleições de outubro. Assim, esqueça reforma ou puxadinho da Previdência, grandes guinadas tributárias etc. Some-se a isso, o fato de que Temer passará a maior parte do ano com um ministério de fim de carreira. Boa parte dos ministros deve sair para disputar o pleito – incluindo aí, talvez, seu nome mais forte, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Mas, assim como a natureza, a política odeia o vácuo. Em se tratando de poder, por bem ou por mal, alguém sempre assumirá as rédeas. Por isso, é bem provável que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, seja o nosso presidente, na prática, pelos próximos 12 meses.

Alguns sinais mostram que, com maior ou menor discrição, o deputado fluminense já se movimenta para ocupar esse espaço. O primeiro é a crescente importância que assume na negociação com parlamentares que pretendem migrar para o seu partido, o DEM, na janela do próximo ano (aquele período em que a Justiça Eleitoral autoriza trocas de legendas, sem que o indivíduo perca o mandato). É o caso da conversa com os dissidentes do PSB, para irritação do PMDB de Temer, que também os cobiça. Político que é político, como se sabe, fareja o poder a quilômetros de distância. O fato de o DEM se tornar um polo de atração, no período pré-eleitoral, sinaliza que Maia estará com tudo em 2018.

Outro indício é a possibilidade dos democratas de lançar seu pai, César Maia, prefeito do Rio por três vezes, ao governo do Estado, embora ele pretenda tentar a reeleição para vereador. Com o PMDB fluminense arrasado pela Lava Jato e seus principais caciques, como Sérgio Cabral e Eduardo Cunha, presos, há uma Sapuc aí totalmente livre entre as urnas e o Palácio Laranjeiras. Por último, o comando do DEM tem tudo para cair, direta ou indiretamente, nas mãos de Rodrigo Maia. Isto porque, o STF transformou em réu o presidente do partido, o senador potiguar José Agripino. A convenção partidária que escolheria seu sucessor foi remarcada de 14 de dezembro para 6 de fevereiro, com a intenção de entregar o comando da sigla a alguém ligado ao presidente da Câmara ou até mesmo para o próprio.

Posto Ipiranga

Mas os sinais de poder de Maia não se limitam a se fortalecer entre os democratas. Sua posição no Congresso será estratégica em 2018. Aos poucos, o democrata vem ocupando o espaço de Eduardo Cunha como líder do centrão – aquela salada de partidos médios e nanicos sem ideologia própria, mas com muito apetite por cargos e verbas. Cada vez mais, ele fala em nome desses deputados, cobrando a atenção de Temer às suas demandas.

Como presidente da Câmara, ele também controla algo fundamental: a pauta das sessões. Quer uma reforma da Previdência votada pelo plenário? Fale com Maia. Uma reforma trabalhista? Fale com Maia. Uma tributária? Lá no gabinete do Maia. Acelerar a tramitação de uma Medida Provisória... Maia. Enfim, o homem se transformou no Posto Ipiranga de Brasília e Temer sabe que só terá combustível para chegar a 31 de dezembro de 2018, se passar por ele. Da mesma forma, seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não fará nada de útil no ano que vem, se não beijar sua mão – o que é vital para deslanchar sua sonhada candidatura à Presidência. Os próprios deputados lhe deverão um favor e tanto: a articulação de uma contraofensiva à decisão do STF de restringir o foro privilegiado. Aproveitando-se do pedido de vistas do ministro Dias Toffoli, Maia deve ser um dos protagonistas da aprovação de um projeto de lei, na Câmara, que esvazie o julgamento do Supremo.

Resumindo, em 2018, Maia andará bastante ocupado, em contraste com Temer, que fará discursos para cada vez menos gente nos salões do Planalto. Sinal de que quem manda não estará lá, e sim do outro lado da Praça dos Três Poderes.