POLÍTICA

Aumento de impostos: enfim, chegou a hora de você pagar o pato!!

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni

Brasileiros não se cansam de cair, como patinhos, na conversa de quem quer usá-los para atingir seus próprios interesses

Aumento de impostos: enfim, chegou a hora de você pagar o pato!!

(Foto: Márcio Juliboni)

Se há algo que os brasileiros não se cansam de provar é que gostam de ser tapeados. Na República dos Espertalhões, uma das mais poderosas bandeiras pelo impeachment de Dilma Rousseff foi a raivosa indisposição de contribuintes e empresários de pagarem mais impostos para cobrir os rombos das contas públicas. “Cidadãos de bem” foram à Avenida Paulista, com suas camisas verdes e amarelas, para tirar selfies com o pato-símbolo do protesto em frente à Fiesp – uma das entidades que lideraram o Fora Dilma e mãe do pato. Pois bem, parabéns! Menos de um ano após Michel Temer assumir, chegou a hora de você pagar o pato.

A partir desta quinta-feira (20), o governo fará você, cidadão, cobrir R$ 10 bilhões do buraco previsto no Orçamento deste ano. Como? Elevando impostos sobre o preço dos combustíveis, uma medida que não depende de aprovação do Congresso. Isto é, basta a canetada de Temer. Nos próximos dias, a equipe econômica também pode anunciar novas tungadas no seu bolso, como o aumento das alíquotas de IOF para operações de câmbio à vista (sim, aquela sua viagem à Disney ou a Bariloche ficará mais cara, paciência...) e para operações de crédito (isso, sim, atinge o povão que precisa de financiamento para tocar a vida, como o crédito rotativo do cartão).

Tudo porque Henrique Meirelles já avisou Temer de que a meta fiscal não será cumprida, se nada for feito. Não estamos falando de um governo que quer gerar superávit (isto é, fechar o ano com as contas públicas no azul), nem mesmo de ficar no zero a zero. Trata-se de uma meta já ridícula: chegar a dezembro com um rombo de R$ 139 bilhões. Ou seja, sem o dinheiro que a equipe econômica está tirando do seu bolso, a partir de hoje, o Brasil encerraria 2017 com um prejuízo de quase R$ 150 bilhões.

Pague mais, leve menos

Mas isso não é tudo. Além de cobrar mais impostos para sustentar os gastos já previstos neste ano, o governo também pretende promover um novo contingenciamento de recursos. Em bom português: reduzir gastos. Temer começou o ano segurando cerca de R$ 40 bilhões do orçamento. Agora, deve apertar ainda mais as despesas. É meritório? Sim e não. Sim, porque racionalizar os gastos e promover a eficiência da máquina pública deveria ser, sempre, a primeira opção de qualquer governo, antes de elevar a carga tributária. Não, porque não se vê reestruturação racional de despesas. Temer, pura e simplesmente, suspenderá os pagamentos, sem melhorar a gestão – o que geraria uma saudável e bem-vinda economia de recursos públicos.

Chegamos, então, ao seguinte ponto: os moradores do Edifício Brasil se rebelaram contra a antiga síndica, acusando-a de incompetência e corrupção. Disseram que não aceitariam, nem a pau, que o condomínio fosse reajustado para cobrir tamanha desfaçatez. Foram à varanda e bateram panelas dias seguidos, em protesto contra a administradora do prédio. O subsíndico, com o apoio dos condôminos (inclusive os proprietários da cobertura), assumiu a função com o compromisso explícito de não aumentar o boleto. Menos de um ano depois, em julho, sem precisar passar por nenhuma assembleia de moradores, o agora síndico... aumentou o condomínio, assinala com outro reajuste e já avisou que, diante do rombo nas contas do prédio, cortará despesas. Esqueçam a manutenção do elevador, por exemplo. No edifício Brasil, quem quiser subir, que vá pela escada de incêndio – e leve sua própria lanterna. As luzes de emergência não funcionam. Ninguém cumprimenta mais o síndico e finge que não apoiou sua eleição, mas as panelas continuam bem guardadas. Caíram como patinhos...