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Com Temer ou sem Temer, tucanos já perderam

Márcio Juliboni
há 3 meses552 visualizações
Com Temer ou sem Temer, tucanos já perderam
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A cúpula do PSDB pretende decidir, nesta segunda, se o partido fica ou sai do governo de Michel Temer. Diante da já folclórica mania tucana de ficar no muro, ninguém deveria se espantar se a reunião prevista para esta segunda termine decidindo que é melhor adiar a decisão. De qualquer modo, abandonar ou não Temer não é a questão mais importante para o partido agora. O ponto é que os tucanos já perderam o respeito dos eleitores, e suas chances de reconquistá-lo até 2018 são, até aqui, sofríveis.

Primeiro, vejam a crise interna que apoquenta os tucanos de alta plumagem. Tasso Jereissati e Fernando Henrique Cardoso querem que o partido pule fora do governo Temer o quanto antes. O argumento que os une é que a situação do peemedebista está insustentável. A pinguela estaria prestes a arrear. Mas, mesmo entre eles, há conflitos. Tasso defende que o partido apoie Rodrigo Maia como a pinguela da pinguela. Já FHC prefere antecipar as eleições de 2018 e deixar que o povo decida, nas urnas, quem deve segurar esse forninho.

De outro, Geraldo Alckmin defende apoio ao peemedebista, sob o pretexto de que é preciso pensar no Brasil, aprovar as reformas e salvar a economia. Seu desejo secreto é que Temer faça o “trabalho sujo” de aprovar as reformas impopulares e sangre bastante, para facilitar a ascensão do governador paulista ao Planalto. Com cara de esfinge, João Dória alinha-se a Alckmin pelas reformas, mas faz aquele suspense de novela ruim sobre sua pretensão de furar a fila tucana e subir a rampa primeiro.

Te pego lá fora

Fora do quadro principal, José Serra foi chamuscado por delações da Lava Jato. Mas o mais queimado de todos, como se sabe, é o presidente afastado do partido, Aécio Neves. Ainda que Marco Aurélio Mello, do STF, tenha lhe rasgado elogios ao restituir sua cadeira no Senado e os demais senadores, em flagrante corporativismo, o tenham inocentado, Aécio tornou-se apenas uma sombra do que era. É carta fora do baralho de 2018.

As ruas também não estão para tucanos. Desde a época dos movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff, a hesitação do partido em apoiá-los foi fatal para afastá-lo de parte da população. Quando, enfim, o PSDB quis tirar uma lasquinha de um jogo já jogado, entrou com um pedido de cassação da chapa da petista no TSE. O que era apenas para “encher o saco” do PT, nas palavras sinceras de Aécio, tornou-se um tremendo constrangimento.

Sem você, não vivo

Temer, o vice decorativo, tornou-se um presidente cada vez mais figurativo com o apoio concreto do PSDB, que conta com cargos no ministério e experimentou a embaraçosa situação de defender, na Justiça, a cassação de Temer, ao mesmo tempo em que o apoia no Executivo e no Legislativo. Se alguém tinha dúvidas sobre a imperícia de Aécio para conduzir os tucanos em tempos bicudos, está aí um eloquente exemplo.

Agora, o PSDB vive o pesadelo perfeito. Se ficar com Temer, afundará junto com sua paralisante impopularidade. No ano que vem, quem terá coragem de defender, diante das câmeras, o governo? Sair tampouco vai aliviar a barra. O partido pode até, quem sabe, talvez, olhe lá, chegar ao Planalto com um discurso de que é o único capaz de promover as reformas e tirar o país da crise (aquele manjado lenga-lenga de campanha). O problema é um só: não terá forças para reunir uma maioria no Congresso sem voltar para os braços... do PMDB! Como um amante rancoroso pela rejeição, o partido de Temer vai cobrar caro para reatar o namoro.

Não seja bobo: nem Temer, nem Maia querem salvar a economia agora

Márcio Juliboni
há 3 meses1.0k visualizações
Não seja bobo: nem Temer, nem Maia querem salvar a economia agora
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Em público, Michel Temer, o candidato da vez ao impeachment, e Rodrigo Maia, seu virtual sucessor, compartilham um sonho: resgatar o país da grave recessão que periga entrar pelo terceiro ano seguido e, com isso, tirar do limbo os cerca de 14 milhões de desempregados. Temer tenta vender sua permanência no Planalto como a única garantia de que as reformas econômicas desencantarão e guiarão os brasileiros ao paraíso. Já Maia sussurra, com cara de jogador de pôquer, que será um substituto forte o bastante para implementá-las. Mas não se engane: tirar o país da crise é a última coisa em que eles e seus aliados estão pensando.

Implantar as reformas, conter os gastos públicos, recuperar investimentos e gerar empregos é a piada de salão com que Temer e Maia entretêm os investidores e o empresariado – aquela entidade metafísica chamada mercado. Também serve de cenoura pendurada à frente dos famintos e esperançosos desempregados. Afinal, gerar e distribuir riqueza é algo que se espera de qualquer governo, seja qual for sua fórmula. É, no mínimo, de bom tom manter as aparências.

Mas vamos aos fatos. Primeiro, Temer passará o resto do ano mais preocupado em comprar (cada vez mais caro) o apoio do Congresso para se manter a salvo da Lava Jato. Os parlamentares venderão a peso de ouro cada voto que impeça o STF de investigá-lo. Mas superar a ameaça do Supremo é apenas uma parte do problema. A outra são os pedidos de impeachment na mesa de Rodrigo Maia, que o destino (???) colocou como presidente da Câmara e, portanto, tem a faca e o pescoço de Temer nas mãos.

Maia jura que não mexerá um dedo para derrubar Temer, assim como Temer jurava lealdade a Dilma Rousseff. Mas já sinalizou que pode não ser dono de sua vontade e, a “contragosto”, aceitar o peso de carregar o Brasil nas costas até 2018.

O desfecho dependerá de muitos fatores. O primeiro é a capacidade de Temer angariar aliados. Todo governo só tem duas armas para tanto: o verbo e a verba. O peemedebista está cada vez mais sem desculpas para se manter onde está. Ataca Joesley Batista, Rodrigo Janot e quem mais lhe mete medo. Em política, a brabeza do ataque é inversamente proporcional à força dos argumentos. Tampouco lhe resta verba para comprar apoio. Com a arrecadação em queda e um rombo fiscal que já sinaliza estourar a meta (que é outro rombo fiscal bilionário), mesmo que deseje, não tem muito dinheiro para liberar na forma de emendas parlamentares.

Canapés para tapear

Já Rodrigo Maia vem aglutinando aliados em um amplo espectro político – do PCdoB ao PT, passando pelo seu próprio partido, o DEM, parte do PMDB de Temer e o PSDB de Aécio Neves. Seu poder de agregação poderia ser prova de que é um estadista acima de picuinhas partidárias, mas é bem o contrário. Ele é cada vez mais visto como alguém capaz de garantir imunidade a políticos enrolados na Lava Jato – seja na forma de concessão de cargos no ministério, seja articulando um cala-boca na força-tarefa da operação. Basta ver que, pelas informações da imprensa, dois dos mais enrolados peemedebistas seriam mantidos na Esplanada: Eliseu Padilha e Moreira Franco, sogro do próprio Maia.

Manter Henrique Meirelles e o resto da equipe econômica seria apenas preservar o maître e os garçons no salão para entreter os famintos de crescimento, enquanto se esconde a sujeira da cozinha. O mercado e os brasileiros desesperados serão feitos de bobo. Até porque, com as eleições de 2018 batendo às portas, nenhum parlamentar envolvido na Lava Jato (e são muitos) vai querer comprar briga com os eleitores ao defender reformas impopulares (necessárias ou não). A estratégia dos pizzaiolos de Brasília é apenas tapear a população com alguns tira-gostos, até que um novo chef assuma a cozinha no ano que vem. O mercado até se contenta com os canapés (“o importante é aprovar algo”, dizem os analistas). Já o povo não está satisfeito, mas não tem feito nada. O fato é que conversa fiada não mata a fome de ninguém.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!