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Condenação de Lula: a Lava Jato começa agora

Márcio Juliboni
há 3 meses940 visualizações

Só há duas opções para o desfecho do caso nas instâncias superiores: ou se condena Lula, ou se condena a Lava Jato

Condenação de Lula: a Lava Jato começa agora
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A esta altura, se você não estiver em Marte (e sem internet), já sabe que Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por Sérgio Moro por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. A sentença foi como uma bala de mentos numa garrafa de Coca-Cola: fez jorrar manifestações igualmente acaloradas a favor e contra Lula. Não sou advogado e, portanto, não tenho conhecimento técnico para avaliar Moro. Ainda assim, há motivos políticos e sociais para dizer que, com a condenação de Lula, a Lava Jato começou de fato.

É um direito de Lula, como de qualquer brasileiro, recorrer em liberdade à segunda instância. Alguns observadores estimam que é improvável que ela tome uma decisão ainda neste ano. Até lá, pode-se enxergar o seguinte cenário:

1) A esquerda se dividirá em três grupos. O primeiro, fiel a Lula, pregará sua inocência até o fim. Ainda que sua sentença seja mantida pelo Tribunal Federal Regional de Porto Alegre, e o caso vá, inevitavelmente, parar em Brasília, esse núcleo duro dirá que tudo não passa de uma cassação política do maior líder popular que o país já teve. Para esses leais companheiros, nunca houve, não há, nem haverá provas convincentes. Quem são eles? Basicamente, o PT, a CUT, o MST e o MTST.

2) O segundo grupo de esquerda radicalizará seu discurso e aproveitará a deixa para acusar Lula de ter traído seus ideais e sua classe. Exigirá que o PT faça uma autocrítica digna de flagelo de monge enclausurado e, uma vez purificado pelo sangue de seu mártir, abandone o ideário capitalista e abrace de vez o socialismo. Quem fará esse papel? As alas radicais do PT e os partidos mais à esquerda.

3) O terceiro grupo serão os malufistas de esquerda. Dirão que, mesmo que Lula tenha se corrompido, ninguém fez tanto pelos mais pobres quanto ele. Logo, resumirão a situação com o manjado: “Ele rouba, mas faz”. De quem estamos falando? Por parte do povo comum, será quem sente na pele dois anos (indo para três) de recessão e se ressente da falta de perspectivas e da deterioração dos programas de assistência social. Por parte dos movimentos sociais e grupos políticos, uma salada ideológica também pautada pela “realpolitik”, o termo que eles descobriram na contracapa de algum livro de política e virou moda entre cervejas na mesa do bar, para justificar o injustificável.

Os "cidadãos de bem"

4) A direita arrumará um pretexto para voltar a bater panela. Seu corrupto favorito, finalmente, recebeu a primeira sentença. Afinal, não há nada de mais embaraçoso para os novos “líderes populares” do que defender o fim da corrupção e se calar diante das estripulias de seus corruptos de estimação. Moro, que andava desacreditado entre algumas alas direitistas, devido à demora em mandar Lula para o xadrez, voltará a ser idealizado como o paladino da Justiça. Quem são? O MBL, o Vem Pra Rua, Revoltados Online etc.

5) No meio disso tudo, a Justiça andará descalça em arame farpado sobre o precipício da desmoralização. Se Lula for inocentado em segunda instância, a polarização das torcidas uniformizadas irá às últimas consequências. Petistas e companheiros dirão que é a prova definitiva de que Moro e a Lava Jato não pensavam em outra coisa, além de fabricar provas mequetrefes contra Lula. Direitistas e “cidadãos de bem” dirão que a Justiça deseja desmoralizar a força-tarefa e que isso não ficará assim.

6) Adicione ao caldeirão um bom punhado de políticos (com ou sem mandato) tão enrolados com a Lava Jato, quanto Lula. Se a segunda instância repetir o que fez com Vaccari e alegar que delação não é prova, estará aberta a porteira para que todos se safem. Não adiantará Rodrigo Janot insistir que corrupto não passa recibo. A sensação de impunidade será mais forte que a Lei da Gravidade.

Como se vê, só há dois desfechos para o caso: condenar Lula ou condenar a Lava Jato. A sorte está lançada.

Paparicos de Temer ao mercado não garantem seu futuro

Márcio Juliboni
há 3 meses590 visualizações

São as reformas, como a trabalhista, que agradam empresários e investidores, não o presidente

Paparicos de Temer ao mercado não garantem seu futuro
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Parte da imprensa e dos aliados de Michel Temer vendeu a aprovação da reforma trabalhista, nesta terça-feira (11), como uma demonstração de força do Planalto, em meio à vergonhosa crise política e econômica. Para esses comentaristas voluntariosos, trata-se de um fato positivo que prova que Temer tem condições de seguir até 2018 e implantar as mudanças de que o Brasil necessita. Muita calma, nesta hora. Simplesmente, não é isso.

A agenda de reformas (trabalhista, previdenciária e tributária) pertence e sempre pertenceu ao mercado. São os empresários e investidores que empunham essas bandeiras. Por isso, qualquer aspirante à Presidência com um mínimo de cérebro (ou despudor) vai paparicar os donos do capital com promessas de que encamparão essas causas e farão de tudo para concretizá-las.

Um grande exemplo desses salamaleques é a já histórica (e ainda polêmica) “Carta ao Povo Brasileiro” que o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva publicou às vésperas da eleição de 2002. Seu objetivo era claro: garantir que respeitaria contratos e tocaria a economia de acordo com a cartilha bem-comportada preconizada por aqueles que, até então, eram seus inimigos em discursos de porta de fábrica e em palanques pelas periferias do Brasil. Como disse, maliciosamente, Delfim Netto à época: o governo é como um violino – se toma com a esquerda, mas se toca com a direita. Neste sentido, Lula foi um excelente violinista.

Da mesma forma, Temer segurou-se até agora na cadeira, mediante as promessas de que fará tudo o que o mercado deseja. Sem apoio popular (lembram-se dos pífios 7% de popularidade?), com uma base aliada de meter medo em Júlio César, acossado pela Lava Jato, o presidente e seus aliados vivem da autoilusão de que a aprovação das reformas lhes garantirá a sobrevivência política.

Despachantes de luxo

O mercado não tem ídolos, nem candidatos. Tem expectativas de lucros. Qualquer um que se mostra minimamente gabaritado para atendê-lo será “apoiado” ou, pelo menos, “tolerado”. Foi assim com Fernando Collor de Mello, vendido como o modernizador da economia de que o país precisava após a redemocratização. Foi assim com FHC, com o Plano Real e a queda da inflação. Foi assim com Lula, para desgosto e embaraço de quem o seguia caninamente.

Não é por acaso que, nos últimos dias, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, vem adotando um discurso mais “institucional” em relação às reformas. Maia, que exibia uma fidelidade de pacto de morte a Temer, começou a afirmar que a agenda de reformas pertence ao Brasil e deve ser tocada por quem quer que esteja com a faixa presidencial. Não tenham dúvidas: se empresários e investidores acharem que Maia pode mesmo defender seus interesses, Temer já era. No Brasil, como em muitas partes do mundo, o capital não tem candidatos; tem despachantes de luxo no centro do poder. E, como todo despachante, devidamente remunerado pelo cliente.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!