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Evangélicos e política: prepare-se para uma guerra santa em 2018

Que candidato se arriscará a perder o voto de um terço dos eleitores, ao criticar a agenda conservadora dos evangélicos? Mas isso é bom para o Brasil?

Evangélicos e política: prepare-se para uma guerra santa em 2018
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(Foto: Marcos Corrêa/PR)

Qualquer político com um mínimo de juízo sabe que, no Brasil atual, temer a Deus não é mais suficiente para se eleger. O bom, mesmo, é ser temente aos evangélicos, que já representam 29% da população com mais de 16 anos, segundo pesquisa do Datafolha divulgada em dezembro do ano passado. Que o digam o presidente Michel Temer e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O primeiro não dispensou um encontro com o líder da Assembleia de Deus de Belém, na semana passada, mesmo tendo viajado à cidade para participar, oficialmente, de um dos maiores eventos católicos do mundo: o círio de Nazaré. O segundo esteve em, pelo menos, quatro encontros evangélicos recentes, além de gravar um vídeo pedindo a pastores que orem pela economia, segundo entrevista publicada pelo Estadão neste domingo (8). Desde que o mundo é mundo, política e religião andam juntas. Não há razão para supor que, em 2018, seja diferente. A pergunta, contudo, é como o protagonismo evangélico influenciará a disputa presidencial.

Boa parte da resposta passa pelos valores que esses fieis defendem. Segundo a mesma pesquisa Datafolha de 2016, os evangélicos tendem a ser mais intolerantes com outras crenças: 45% deles afirmam que o valor de cada religião é diferente, ou seja, algumas são melhores que outras. Trata-se de uma taxa preocupante, considerando-se que abre uma brecha e tanto para a condenação de outras fés. Obviamente, os cultos afro-brasileiros são os que mais incomodam: 62% dos evangélicos afirmam que não compartilham nenhum valor com o candomblé ou a umbanda.

Os evangélicos também são mais conservadores, em termos de costumes, do que seguidores de outros credos. Oitenta e cinco por cento deles evitam consumir bebidas alcoólicas, atendendo às recomendações de sua igreja, sendo que, desse total, 66% são completamente abstêmios. Conteúdos considerados impróprios na TV e na internet são preteridos por 76% deles. Outros 64% vestem-se de acordo com os preceitos de seu credo; e 62% não frequentam festas, nem comemoram datas condenadas pelos pastores.

Em nome de Deus

É claro que cada pessoa deve ser livre para seguir os valores e professar a fé que mais tocar seu coração. Não há nada de errado em buscar algum conforto espiritual num mundo caótico e enervante como este. O problema ocorre, quando questões que deveriam se restringir ao foro íntimo dos fieis são transformadas em bandeiras político-eleitorais. E é aí, que corremos o risco de transformar a eleição de 2018 numa verdadeira guerra santa contra os “infiéis” e “impuros”, contra quem ataca “os ensinamentos” etc. A bancada evangélica da Câmara já produziu grandes exemplos de como transformar o amor universal de Deus em ódio.

Na última semana, por exemplo, o pastor Marco Feliciano (PSC-RJ) apresentou um projeto de lei que proíbe a “profanação de símbolos sagrados” em manifestações artísticas. O curioso é que outros evangélicos se notabilizaram por profanar símbolos caros ao catolicismo. Quem não se lembra do pastor Sérgio Von Helden, então na Igreja Universal do Reino de Deus, chutando uma imagem de Nossa Senhora e gritando a plenos pulmões na TV em 1995? Feliciano não será acusado de apoiar a idolatria de imagens? Ou os símbolos sagrados que sua proposta protege não abrangem outros cultos? Se um grupo de teatro quebrar uma imagem da pomba-gira, ele sairá a campo pedindo respeito?

Os ungidos

Os evangélicos são, ainda, mais propensos a apoiar candidatos indicados por seus líderes. Segundo o Datafolha, 31% deles votam em quem sua igreja indica. Entre os católicos, apenas 14% fazem isso. Acrescente-se que isso acontece, em parte, porque 32% dos evangélicos acreditam que a religião precisa influenciar muito as decisões políticas, ante 26% da média brasileira. Além disso, os evangélicos tendem a aprovar mais o desempenho de políticos eleitos que sigam sua religião, que a média dos brasileiros. Para 16% desses fieis, eleitos que comungam de sua fé apresentam resultados melhores que os políticos em geral. Entre os brasileiros, como um todo, apenas 8% fazem a mesma afirmação.

Não é gratuita, portanto, a guinada conservadora a que assistimos. Questões ligadas ao comportamento, à cultura e ao uso do corpo, como as questões de gênero, a liberdade artística e de expressão e o aborto, entraram definitivamente na pauta eleitoral – não para assegurá-las ou ampliá-las; e sim para reduzi-las ou eliminá-las. Os candidatos já perceberam isso. Quais deles terão coragem de defender algo diferente e se arriscar a perder um terço do eleitorado brasileiro?

Doria se esqueceu do básico: cuidar de São Paulo (e isso pode ser fatal)

De olho na Presidência, Doria não convence nem como bom gestor, nem como bom político – está mais para um bom marqueteiro de si mesmo

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(Foto: Heloísa Ballarini / Secom/ Prefeitura de São Paulo)

Faz algum tempo que eu me pergunto quando os paulistanos perceberão o óbvio: João Doria está mais preocupado em se lançar à Presidência, do que em administrar a maior cidade do país, missão que assumiu há apenas dez meses. Uma pesquisa do Datafolha, publicada neste domingo (8), me deu algum alento. Entre abril e outubro, a taxa de aprovação do prefeito de São Paulo, medida pela soma de avaliações ótimas e boas, recuou 9 pontos percentuais. Era de 43% e despencou para 32%. Já os que consideram sua gestão regular passaram de 33% para 40%. Outros 26% cravaram ruim ou péssima; em abril, eram 20%. Ao que parece, os paulistanos estão se cansando de serem usados como trampolim para políticos ambiciosos.

É verdade que 32% de aprovação deixa qualquer antecessor com inveja, mas o que impressiona, no caso de Doria, é a velocidade da deterioração de sua popularidade. Se continuar perdendo parcelas tão grandes de apoio em tempo tão curto, chegará ao fim do ano numa situação bastante complicada: sem os votos da cidade de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, será difícil convencer os tucanos a apoiar sua aventura rumo ao Planalto. Isso poderia ser compensado, em parte, se conquistasse os votos do Estado como um todo, mas a pretensão esbarraria na absoluta falta de vontade de Geraldo Alckmin, o governador paulista e seu criador, de apoiá-lo. Afinal, por mais sorrisos e tapinhas nas costas que trocam em público, até a grama do Palácio dos Bandeirantes já sabe que Alckmin não pretende encher a bola de seu pupilo. Por fim, mesmo que opte por mudar de partido para concorrer, Doria voltará à estaca zero: seu cacife é a popularidade na capital paulista. Sem ela, não há razão para outras legendas, como o DEM ou o PMDB, acolherem-no.

Falta o básico

As queixas dos paulistas sobre a gestão Doria são óbvias e numerosas. Vão da constante e irritante falha dos semáforos até o mau atendimento nos postos de saúde municipais e a má qualidade do transporte público. Não deixa de ser irônico que o prefeito seja criticado por aspectos que contradizem seu bordão de que é um gestor tarimbado a serviço da cidade, e não um político preocupado com conchavos. Mas, até onde o retrospecto mostra, Doria não é nem um bom gestor, nem um bom político – está mais para um bom marqueteiro de si mesmo. Quem o diz não é este jornalista, mas os entrevistados pelo Datafolha: dos 36% que afirmaram assistir aos vídeos que o tucano posta nas redes sociais, 21% acreditam que eles não passam de autopromoção. Apenas 15% acham que eles divulgam benfeitorias na cidade.

Os paulistanos também se cansaram de ver o prefeito mais na cidade dos outros, do que na sua: metade dos entrevistados consideram que Doria viaja demais. O pior, contudo, é a impressão negativa que têm desses passeios: 77% dos consultados afirmam que as viagens beneficiam apenas o projeto pessoal de Doria ser candidato a presidente; só 35% acham que suas escapadas ajudam a cidade.

Bombardeio "amigo"

Há alguns dias, o jornalista Pedro Zambarda escreveu, aqui no Storia, que suspeita de que Doria seja o próximo José Serra do PSDB. Seu argumento: a ambição megalomaníaca de Doria é comparável à de Serra, que abandonou, sucessivamente, a prefeitura paulistana e o governo paulista para desafiar Dilma Rousseff em 2010 na corrida pela Presidência. Perdeu e voltou com o rabo entre as pernas para disputar a prefeitura novamente em 2012. Tomou uma sova de Fernando Haddad – um claro sinal de que os paulistanos se cansaram de ser feitos de bobos.

No caso de Doria, há ainda um agravante: ele inspira muito menos respeito no PSDB do que Serra. O “prefeito-gestor” já disparou contra Fernando Henrique Cardoso (um pecado mortal no ninho tucano) e outros caciques. Está começando a colher a tempestade. Também neste domingo, também na Folha, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, lançou-se como pré-candidato do PSDB à Presidência com um pesado bombardeio contra Doria. O amazonense disparou:

“Acho que ele não tem legitimidade para ser candidato, não tem preparo. Ele vai dizer o quê? Que administrou a empresa dele? A empresa dele nunca produziu nada. A empresa dele produzia eventos com empresários e propunha algumas benemerências. (...) Está pleiteando por pura vaidade pessoal. Se embebedou com o poder. Em São Paulo, as pessoas já começam a reclamar. Ele tem nove meses de governo e o que ele fez muito foi mexer no Twitter, no Facebook e no Instagram.”

Se até em Manaus, Doria já não engana ninguém, o que dizer de São Paulo?

Hikayeyi okudun
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tarafından yazıldı
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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!