Brasil: manual de instruções
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Brasil: manual de instruções
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Brasil: manual de instruções
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Exército no Rio: até quando o Brasil fará remendos na segurança?

Márcio Juliboni
há 3 meses1.2k visualizações

Criminalidade só será reduzida, quando a classe média “esperta” parar de financiar o tráfico apenas para “curtir a vida loka”

Exército no Rio: até quando o Brasil fará remendos na segurança?
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

(Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)

O decreto de Michel Temer que autoriza a atuação do Exército no Rio de Janeiro, anunciado nesta sexta-feira (28), é a gambiarra mais espalhafatosa adotada pelo governo até agora e já rende imagens impactantes nos noticiários e nos sites. Mas, por mais urgente que seja acabar com a situação de terra de ninguém em que o Rio se encontra, com balas perdidas matando crianças em escolas e quintais, e por mais que os cariocas e fluminenses em geral não aguentem mais (com toda a justíssima razão) tamanha violência, não se pode festejar a presença do Exército nas ruas. Pelo contrário: ele é o exemplo mais claro da falência do Estado (e dos brasileiros, como sociedade) em cuidar da segurança pública.

Aqui vão algumas rápidas considerações. Primeiro, vamos à questão central: a vergonhosa conivência de parte dos políticos, juízes, advogados, policiais e atravessadores de todos os tipos com o crime organizado. Há todo um ecossistema de parasitas ganhando com a ilegalidade - e parasitas que gozam não apenas de poder de fogo, mas também de poder financeiro, judicial, político, institucional. A imprensa está rouca de denunciar políticos financiados pelo narcotráfico; narcocorruptos no sistema penitenciário e judicial; milícias policiais aliadas a chefões de morros etc.

É vital, é fundamental, é urgente que esses figurões sejam localizados e punidos. Não é de hoje que os cariocas sabem que os verdadeiros barões do tráfico moram no “asfalto” e não no morro. Gerentes de boca são mortos ou substituídos com frequência, mas os poderosos permanecem nas sombras. É preciso desentocá-los e prendê-los.

Aí, entra o segundo motivo para que a atuação do Exército seja relativizada: a falta de recursos para investir em segurança. Vivemos, nesse aspecto, uma tempestade perfeita. De um lado, narcopoderosos sabotam políticas públicas de segurança por meio do bloqueio de recursos. De outro, aqueles realmente empenhados em salvar vidas e cuidar da população carecem de tudo: dinheiro, equipamentos, suporte de inteligência, bons salários etc. Traduzindo: há os corruptos que falam muito, mas só passam na boca para pegar as férias do dia, e há os honestos que sequer têm gasolina na viatura para fazer sua ronda. Essa situação pode ser extrapolada para toda a hierarquia policial, executiva, legislativa, judicial, social, entre outras.

O quanto você é cúmplice?

O maior exemplo de que o Exército é apenas um esparadrapo camuflado é o que ocorreu na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. As Forças Armadas podem inibir a atuação explícita dos criminosos, mas não os eliminam. Depois que elas se retiraram do Rio, foi apenas uma questão de tempo para que eles voltassem a circular. Neste sentido, o Exército corre o sério risco de se tornar refém da criminalidade e da violência, e não parte da solução.

Além disso, o Rio é um estuário em que desemboca toda uma estrutura criminosa: as armas são contrabandeadas pelas nossas fronteiras; as drogas, idem; o dinheiro é lavado em empresas de fachada no Brasil e no exterior; as ordens partem de presídios sem as mínimas condições de silenciá-las... mas há o outro lado: só há oferta, quando há demanda. Neste ponto, estou com o filme Tropa de Elite, de José Padilha. Quem financia tudo isso é a "esperta" classe média que só quer tirar um sarro e curtir a "vida loka". Quem financia tudo isso é você, “mermão”. E nada disso será resolvido pelos soldados a postos nas esquinas cariocas.

Volta Dilma! 52% já dizem que Temer é pior do que ela

Márcio Juliboni
há 3 meses962 visualizações

Talvez, tarde da noite, quando colocam a cabeça no travesseiro, muitos “cidadãos de bem” pensem: “se arrependimento matasse...”

Volta Dilma! 52% já dizem que Temer é pior do que ela
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

(Foto: Lula Marques/ Fotos Públicas)

A baixíssima popularidade de Michel Temer é o único aspecto da nova pesquisa CNI/Ibope martelado pela imprensa entre ontem e esta sexta-feira (28). Afinal, com residuais 5% de ótimo e bom, o presidente ostenta a desonra de ser o pior avaliado desde a redemocratização, batendo até mesmo José Sarney. Mas o ponto mais interessante, e que não se viu em nenhum lugar, é a comparação com Dilma Rousseff. Segundo o Ibope, 52% dos brasileiros já consideram o governo Temer pior que o da petista; outros 35% o consideram igual, e apenas 11% afirmam que o peemedebista é melhor (veja quadro abaixo).

Volta Dilma! 52% já dizem que Temer é pior do que ela

(Elaborado pelo Ibope Inteligência)

O que isso quer dizer? Talvez, tarde da noite, quando colocam a cabeça no travesseiro, muitos “cidadãos de bem” pensem: “se arrependimento matasse...” O fato é que a furiosa onda verde-amarela que tomou cidades de todo o país e endossou o impeachment de Dilma era movida por um pensamento mágico: sem ela, tudo melhoraria instantaneamente. Qualquer um que mostrasse alguma moderação era tachado de mortadela, petralha ou retardado. Queimando a bruxa em praça pública, as trevas se desfariam por encanto, diante da luz benfazeja da Justiça.

Mas eis que, praticamente um ano após assumir, o sentimento mais comum que Temer evoca nos brasileiros é a saudade de Dilma. Segundo o Ibope, a avaliação de que o presidente é pior que sua antecessora é mais forte entre as mulheres (54% das respostas); entre a faixa etária de 16 a 44 anos (variando de 54% a 52%); e entre os que têm até o ensino fundamental.

Nem os ricos aguentam

“Ah, mas olha só o grau de instrução e a idade”, alguém poderia retrucar. “É gente nova e sem consciência da realidade!” Muita calma, nesta hora. Temer também não está agradando grande parte da classe média: 48% dos entrevistados com nível superior o acham inferior a Dilma. Em números absolutos, é mais que os 37% que o consideram igual e os 11% que o acham superior a ela.

Volta Dilma! 52% já dizem que Temer é pior do que ela

(Elaborado pelo Ibope Inteligência)

Mesmo em termos de renda familiar, o andar de cima cada vez mais dá mostras de que apenas tolera Temer. Na faixa acima de cinco salários mínimos mensais (a mais alta da pesquisa), 38% afirmaram que ele é um presidente pior. É exatamente o mesmo percentual dos que equiparam Temer e Dilma. Apenas 24% dos mais abonados o consideram melhor que ela.

Na segunda mais alta faixa de renda (de dois a cinco salários mínimos), 50% dos entrevistados colocam Temer atrás de Dilma em termos de desempenho de governo; 37% acham que não mudou nada; e apenas 13% acreditam que melhorou.

A esquerda tem chance?

Acuado pela Lava Jato, sem um coelho na cartola para fazer a economia voltar a crescer de modo convincente e experimentando do próprio veneno fisiologista que inoculou por décadas no Congresso, Temer só tem um foco: sobreviver um dia por dia. Com isso, o humor dos brasileiros, em relação a seu governo, pode azedar ainda mais – o que, por contraste, fará com que Dilma pareça, cada vez mais, menos desastrada do que se pensava.

Isso recoloca o PT e a esquerda no jogo eleitoral de 2018? Talvez. Dependerá da habilidade do partido e de seus aliados de explorar essa insatisfação e, ao mesmo tempo, neutralizar a fúria que levou ao Fora Dilma. Se fracassar, estará empurrando os eleitores para uma direita bastante intolerante. Diante da urna, o cidadão pensará: “foi ruim com Dilma e, por isso, não quero o PT. Foi pior com Temer e, por isso, não quero nada água-com-açúcar. Quero um candidato forte e que fala grosso.” E a desgraça estará feita.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!