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Fica Temer: duas desculpas dos deputados que não colam meeesmo

No Brasil, um presidente fraco sempre é um bom negócio para seus aliados. Literalmente...

Fica Temer: duas desculpas dos deputados que não colam meeesmo
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(Valter Campanato/Agência Brasil)

Os 263 deputados que votaram pelo arquivamento da denúncia contra Michel Temer por corrupção passiva, encaminhada por Rodrigo Janot, dividiram-se em três grupos: os que alegaram que foram obrigados a apoiá-lo por ordem das lideranças partidárias; os que disseram que é melhor investigar Temer após o término de seu mandato; e os que defenderam que sua permanência garante a estabilidade política e econômica tão importante para que os brasileiros voltem a respirar. Desses três grupos, o único sincero foi o que disse que apenas cumpria ordens. Os outros dois limitaram-se a desculpas que não colam.

Vamos à primeira. Quem, realmente, põe a mão no fogo e garante que serão retomadas as investigações sobre os elos entre Temer, a JBS e Rodrigo Rocha Loures, o deputado indicado pelo presidente para “tratar de tudo” com Joesley Batista e preso após ser filmado correndo com uma mala com R$ 500 mil? O primeiro obstáculo é jurídico: como reabrir um processo criminal arquivado pela maioria da Câmara? Pode? Não pode? Juridicamente, se os deputados votaram contra a denúncia, ela não perde a validade? Até onde se sabe, a lei garante que ninguém seja processado duas vezes pela mesmíssima acusação.

Ainda que se encontre uma solução jurídica, há o outro elemento: politicamente, alguém estará disposto a mexer nesse vespeiro? Em 1º de janeiro de 2019, quando Temer descer da rampa do Planalto como um cidadão comum, sem foro privilegiado, Raquel Dodge, sua indicada, será a procuradora-geral da República. A força-tarefa da Lava Jato já poderá ter se dissolvido. E, dependendo a conjuntura, o PMDB poderá estar, ainda, na base de apoio do novo governo – e o métier de Temer sempre foi operar nos bastidores. Logo, ele pode ser uma peça-chave para garantir a sustentação de seu sucessor.

Desencana

A segunda desculpa foi de que é preciso garantir a estabilidade do governo, para que as reformas sejam aprovadas e a economia saia da UTI. Essa conversa evaporou logo após a votação. Em entrevista à GloboNews, no fim da noite de ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, detonou o conto-de-fadas de que, agora, a base aliada e Temer nos conduzirão para a estrada de tijolos amarelos. Segundo Maia, os 263 votos são bons em relação às chances, que chegaram a ser reais, de Temer perder a briga, mas são insuficientes para garantir apoio às reformas.

As mais ambiciosas, como a da Previdência, precisam ser encaminhadas como proposta de emenda constitucional (PEC). Para aprová-la, portanto, é necessário um quórum de dois terços da Casa, ou 308 deputados. Espremendo muito, mas muito mesmo, os líderes políticos calculam que Temer conta, atualmente, com 287 parlamentares.

Se já é politicamente desgastante para deputados votarem a favor de Temer, em meio à Lava Jato e em um ano pré-eleitoral, imagine o que é comprar a briga da reforma da Previdência... os "cidadãos de bem" podem estar mais tolerantes (ou desiludidos) com a corrupção, após o Fora Dilma. Mas o bolso sempre foi a parte mais sensível de qualquer brasileiro – coxinha ou mortadela.

Tirando o corpo fora

As primeiras declarações de políticos nesta quinta-feira (03) já mostram um refluxo geral na disposição de aprovar qualquer medida que azede o humor dos eleitores. Logo, a grande preocupação com o avanço da economia, a reforma das estruturas econômicas etc, evocada ontem à noite como uma preocupação sincera com a melhoria da vida no país, não passou de um monumental caô.

Infelizmente, o que garantirá a alardeada estabilidade econômica e política é aquilo que você já suspeita: dinheiro, bastante dinheiro. Liberação de emendas parlamentares, indicações de apadrinhados para cargos em estatais e outros vícios manjados. No Brasil, um presidente fraco sempre é um bom negócio para seus aliados. Literalmente.

10 jeitos de você ajudar um tirano (mesmo sem saber)

Confira se há um ditador dentro de você, à procura de um irmão gêmeo na política

10 jeitos de você ajudar um tirano (mesmo sem saber)
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(Gage Skidmore/Wikimedia Commons)

Preocupado com a eleição de Donald Trump para a Casa Branca, o historiador americano Timothy Snyder publicou, recentemente, um livrinho precioso: Sobre a Tirania, vinte lições do século XX para o presente (Companhia das Letras). Seu objetivo é alertar seus conterrâneos dos riscos concretos de Trump implantar um governo totalitário nos EUA. Comparando o presente com o surgimento do nazismo, do fascismo e do comunismo no século passado, Snyder mostra que o autoritarismo não cai de paraquedas em um país. O discurso histriônico de ódio só se enraíza, quando a sociedade se torna sua cúmplice – mesmo sem querer.

Com o acirramento da divisão política no Brasil, crescem a cada dia sinais de que podemos descambar também para um governo tirânico. Snyder toma o cuidado de nos alertar de que totalitarismo não significa, necessariamente, ditadura. Estão aí os exemplos de eleições de mentirinha para legitimar governos que não querem largar o osso. O discurso de ódio é o sinal mais evidente de quem colabora para empurrar o Brasil para tempos sombrios, mas há outros meios mais sutis. E você pode estar ajudando. Veja quanto disso você está fazendo, deliberadamente ou não.

1. Obedecer por antecipação: um bom modo de encher a bola de um candidato a tirano é adotar uma postura de submissão antecipada. Mesmo quando o governo não edita nenhuma ordem ou lei degradante, o povo simplesmente passa a agir de acordo com aquilo que supõe ser o desejo do tirano de plantão.

2. Abandonar as instituições: em tempos de Lava Jato, quando os três poderes desafiam a fé de qualquer brasileiro, é fácil jogar tudo e todos no mesmo saco e malhá-los. Candidatos a tiranos são especialistas em generalizar situações, a fim de lucrar com a radicalização do debate. Ao dizer que tudo está perdido, que nada tem jeito, coloca-se como o único acima do Bem e do Mal, incorruptível, e capaz de salvar a pátria.

3. Tolerar símbolos autoritários: uma bandeira nazista aqui; outra pichação de muro pregando ódio a imigrantes e minorias ali... para Snyder, deixar que ícones antidemocráticos pululem pela paisagem encoraja seus partidários a engrossar a voz.

4. Repetir tudo sem pensar: um governo totalitário adora papagaios. Repassar slogans, frases de efeito, memes e qualquer tipo de mensagem, sem refletir, é um belo passo para endossar o autoritarismo – sobretudo, quando você está viciado em criticar apenas o seu adversário político, acatando bovinamente o que seu “escolhido” fala, escreve ou incita.

5. Seja antiético em sua profissão: advogados juraram defender a lei. A missão de jornalista é defender a verdade. Médicos devem defender a vida. Gestores públicos e privados devem priorizar o bem comum. Quando alguém se dispõe a contrariar sua ética profissional para adular ou paparicar um governante, está criando um monstrengo que pode devorá-lo depois.

6. Desprezar os fatos: tiranos de direita e de esquerda amam desprezar os fatos. Tacham tudo de fake news, atacam jornalistas e ativistas que tentam confrontá-los com a realidade. Se você faz a mesma coisa, parabéns: talvez ganhe um ditador para chamar de seu!

7. Desdenhe de boas causas: se você acha que tudo está “politicamente correto demais”, e, por isso, “chato demais”, que defender boas causas é apenas hipocrisia ou coisa de trouxas, que a única causa legítima é engordar o próprio bucho... saiba que há um tirano que concorda com você.

8. Feche-se no seu mundinho: despreze diferenças, não se interesse por outras culturas, acredite que seu modo de vida é o único correto e, portanto, o único que deve sobreviver. Precisa dizer mais?

9. Distorça o sentido do patriotismo: você confunde patriotismo com idolatria? Não vê nada errado na imposição das vontades de seu país aos outros? Prega medidas extremas para conter problemas em nações vizinhas? Cuidado...

10. Seja agressivo e irracional: se você se irritou com todos os pontos sugeridos e está com uma tremenda vontade de xingar, postar desaforos e pendurar o autor do livro e o autor deste texto num poste, reduzindo tudo o que foi escrito até aqui a mera bobagem, babaquice e outras coisas, uau! Seu candidato a ditador mal pode esperar por 2018!

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!