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Fica Temer: quanto você está disposto a pagar para mantê-lo?

Márcio Juliboni
há 3 meses1.3k visualizações

Prepare seu bolso: você gastará bastante dinheiro para manter o presidente no Planalto até 2018

Fica Temer: quanto você está disposto a pagar para mantê-lo?
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(Foto: Beto Barata/PR)

Responda rápido: o que você faria com R$ 17? Se nada lhe vem à cabeça, que tal, então, dar esse dinheiro para Michel Temer comprar o voto de um deputado federal, em troca de sua permanência no Palácio do Planalto até 2018? Loucura (para ser educado)? Mas é exatamente isso que você fez, na prática, nos últimos dois meses. Segundo o Correio Braziliense, entre junho e julho, o governo liberou R$ 3,4 bilhões em emendas para “convencer” parlamentares a apoiar Temer contra a denúncia de corrupção passiva apresentada por Rodrigo Janot. Divida o total por 200 milhões de brasileiros e aí estão seus R$ 17...

Mas ainda não acabou. Temer conhecerá, nesta quarta-feira (2), suas verdadeiras condições de continuar no poder. E, por “condições”, leia-se “custo” ou “preço”. Outra dica de como andam as coisas: somente na última quinzena de julho, quando a cadeira de Temer já pegava fogo, foram liberados quase R$ 140 milhões para deputados. O presidente (qualquer presidente) só tem duas armas para se manter: o verbo e a verba. À medida que a votação se aproxima, vê-se de onde ele está tirando milhões de argumentos para persuadir os indecisos.

Novela ruim

É claro que muitos desses “indecisos” são canastrões de novela ruim, encenando uma dúvida que não engana nem criancinha. Mas, nas pantanosas negociações dos porões de Brasília, se fazer de difícil sempre pode render um dinheirinho a mais...

O problema é que, mesmo que a Câmara impeça o STF de investigar Temer na votação de amanhã, o caso ainda não terá acabado. De um lado, Janot ainda guarda mais duas denúncias para apresentar aos deputados. De outro, uma votação magra mostrará a anemia política do governo e confirmará que lhe falta força para temas importantes, como as reformas. A saída? Viver da compra, no varejinho da política rasteira, de apoio – dia após dia.

Quitandeiros no poder

O sinal mais claro de que caminhamos para uma “política de quitandinha”, em que cada congressista terá sua cadernetinha no balcão de Temer, é a admissão de Henrique Meirelles, seu ministro da Fazenda, de que pode elevar a previsão oficial de rombo das contas públicas neste ano. Em pomposo economês, significa elevar a meta fiscal de um buraco de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões.

É claro que os R$ 20 bilhões adicionais não irão apenas para comprar deputados e senadores (pelo menos, não diante das câmeras e gravadores). Entram, aí, o irrisório crescimento previsto para o PIB neste ano, que sufoca a arrecadação, concessões e privatizações que só aconteceram em powerpoints de gabinetes brasilienses etc. Mas é justamente por isso, que se deveria redobrar o cuidado com o destino do escasso dinheiro público.

Entre a mãe humilde que se desespera com a falta de atendimento do hospital público aos filhos doentes, e a hemorragia política de Temer, o governo não hesitou um minuto para mostrar sua prioridade: providenciar uma UTI pré-eleitoral para o peemedebista. Nela, cada atadura para estancar sua sangria custou R$ 17 nos últimos dois meses. Se o paciente mostrar sinais de melhora, mas sem perspectiva de sair do hospital, os responsáveis por sua sobrevivência em Brasília cobrarão cada vez mais caro pelo tratamento. E a fatura virá para você, para mim, para todos os brasileiros. E aí? Quer pagar quanto?

Se Temer vencer por W.O., será péssimo para o país

Márcio Juliboni
há 3 meses1.7k visualizações

Coxinhas e mortadelas estão unidos em torno da mesma bandeira: Temer não é problema deles

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Se Temer vencer por W.O., será péssimo para o país

(Foto: Beto Barata/PR)

Michel Temer começa sua semana mais decisiva na Presidência com uma vantagem e tanto: ruas vazias. Enquanto as escaramuças e os conchavos correm soltos em Brasília às vésperas da votação, pela Câmara, da denúncia de prática de corrupção passiva por Temer, encaminhada por Rodrigo Janot, os 95% de reprovação do peemedebista são incapazes de se transformar em manifestações públicas contra seu governo. Tampouco os 5% que o aprovam dão a cara a tapa, defendendo sua permanência.

Neste domingo, um mirrado grupo de camisetas verde-amarelas protestou contra a corrupção e pela ética na política em São Paulo. Passaria batido, não fossem as curtas notinhas na imprensa, motivadas pela presença dos juristas Hélio Bicudo e Modesto Carvalhosa no ato. As “lideranças” que o organizaram, de tão anônimas, sequer foram identificadas nas reportagens. Talvez fossem bem-intencionadas, mas enfrentam a mais pura indigência política.

Já as espalhafatosas, vistosas, tonitruantes lideranças que encabeçaram o “Fora Dilma” transformaram-se em constrangidos ativistas de Facebook. Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre, Revoltados Online... alguém os viu por aí? Após extirparem o PT do poder, deram sua missão por encerrada. Algumas, para vergonha alheia, correram para posar serelepes ao lado de Temer. Obviamente, como subir num carro de som agora e exigir sua saída, quando mostram que corrupção ruim é a corrupção dos outros?

Coxinhas e mortadelas unidos

Tampouco o PT, as centrais sindicais, os movimentos sociais e outros partidos da esquerda foram vistos pelas ruas neste fim de semana. Em parte, porque torcem secretamente pela permanência de Temer até 2018, sangrando na Praça dos Três Poderes. Apostam na vergonhosa política do “quanto pior, melhor” para irritar a população, a ponto de sentir saudades dos petistas e, em última instância, eleger novamente Lula. Outra parte, aliás, está muito mais preocupada com interesses bem menos nobres: simplesmente não querem fustigar o presidente, num momento em que se discute um quebra-galho para o fim da contribuição sindical obrigatória. Vai que o peemedebista sobrevive e resolve retalhar...

Mesmo dentro do Congresso, a permanência de Temer passa por argumentos muito mais venais, do que políticos. O governo escancarou a compra de votos, e os parlamentares não se furtam à oportunidade: estão cobrando caro, muito caro, cada apoio, seja na forma de emendas parlamentares, seja por indicação de apadrinhados para cargos na máquina pública ou a imposição de pautas de seu interesse para votação em plenário. Até o momento, não há uma liderança capaz de aglutinar forças políticas e servir de alternativa a Temer. Em grande medida, simplesmente porque não há interesse... mantê-lo enfraquecido, emparedado, é muito mais lucrativo!

Quem poderia desempatar o jogo é a população, mas as camisetas verdes, amarelas e vermelhas estão bem guardadas. As bandeiras, todas enroladas. Os carros de som, mudos. As panelas? Bem areadas no armário. A triste conclusão é que coxinhas e mortadelas estão unidos em torno da mesma bandeira: Temer não é mais problema deles.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!