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MBL quer limpar o Brasil, aliando-se ao PMDB e ao DEM. Só rindo, mesmo...

Márcio Juliboni
há 14 dias4.2k visualizações

Na prática, Kim Kataguiri e sua turma querem limpar o Brasil, espalhando lama pelo chão

MBL quer limpar o Brasil, aliando-se ao PMDB e ao DEM. Só rindo, mesmo...
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(Imagem: reprodução/ Página Oficial do MBL/ Facebook)

O que chama a atenção, nas mensagens trocadas entre membros do MBL (Movimento Brasil Livre) e publicadas pela Piauí nesta terça-feira (3), não é o tom informal de papo de boteco entre pós-adolescentes pseudopolitizados, nem o extremo desprezo por políticos da velha guarda, expresso por termos como “podre”, “pilantras” etc. Tampouco o papel de macacas de auditório de João Doria, ou a cara de pau com que pedem dinheiro (todo mundo tem contas para pagar, sejamos justos). O que mais revela o caráter do MBL é a estratégia traçada para eleger Doria presidente em 2018: uma aliança com partidos com uma folha corrida de corrupção sem igual. Na prática, a turma de Kim Kataguiri quer limpar o Brasil, espalhando lama pelo chão.

Segundo a Piauí, no último domingo de agosto, uma troca de mensagens expôs a estratégia do grupo. Renan Santos, um dos líderes do MBL, noticiou que Doria será candidato ao Planalto. Um dos membros do grupo afirmou que a chapa ideal seria formada pelo prefeito paulistano e ACM Neto, prefeito de Salvador, como vice. Eis o diálogo que se segue, de acordo com a reportagem, com os inevitáveis barbarismos linguísticos e, pior, ideológicos desses tempos de whatsapp:

“Em outras três mensagens, Santos continuou: ‘Com ou sem psdb. A aliança q pode lhe eleger está no pmdb dem evangélicos agro e mbl. Nosso trabalho será o de unir essa turma num projeto comum.’ E completou, menos de meia hora mais tarde: ‘Espero, de coração, q a tese q a gente defende (aliança entre setores modernos da economia + agro + evangelicos) seja aplicada. É a melhor forma de termos um pacto politico de centro-direita, q dialoga com o campo e com a classe C.’”

Vanguarda do atraso

Para um movimento que lutou ferozmente pelo impeachment de Dilma Rousseff, atacando a corrupção dos governos petistas, as companhias que escolheu para mudar o país são mais do que reprováveis. Como levar a sério alguém que propõe uma aliança com o PMDB... esse mesmo PMDB que está tão sujo na Lava Jato, quanto o PT que o MBL tanto odeia? Eduardo Cunha, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco, Eliseu Padilha, Renan Calheiros... que tipo de pacto se pode fazer com nomes como esses? E o que dizer da escabrosa situação em que se encontra o presidente Michel Temer, que se mantém no cargo, às custas de muito toma-lá-dá-cá com o dinheiro público (aquele que é seu, é meu, é nosso)? Poucas cenas foram tão patéticas, quanto as de deputados votando pelo arquivamento de sua denúncia, com o argumento de que Temer merece, sim, ser investigado e pagar por seus atos – mas só em 2019.

O Democratas (DEM) também deve muitas explicações, com o avanço das investigações e das delações premiadas, como a de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF para investigar o presidente do partido, o senador José Agripino (RN). Outro peso-pesado da legenda também está enrolado em suspeitas: o carioca Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados.

Isso, sem nos demorarmos nas bancadas evangélica e do agronegócio. Basta lembrar que alguns defensores da Bíblia estão longe de serem santos. É o caso de Eduardo Cunha, preso pela Lava Jato e prestes a firmar seu acordo de delação premiada. Será divertido ver o MBL justificar seu discurso moralista e de limpeza ética, com aliados tão duvidosos. O mais provável, contudo, é que Kim Kataguiri e sua turma apelem para a solução mais tosca: atacar, com bastante fúria, quem quer que lhe aponte o dedo. Afinal, para quem se arroga o direito de xingar políticos pelo whatsapp, atormentar cidadãos comuns é fichinha.

Quem é patriota, mesmo, não vota em Bolsonaro

Márcio Juliboni
há 15 dias6.4k visualizações

Verdadeiros patriotas se sentem moralmente comprometidos com todos que formam sua Pátria, independentemente de cor, sexo, credo etc.

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(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

Jair Bolsonaro, deputado federal e quase pré-candidato à Presidência pelo Patriotas (sua filiação oficial ainda não ocorreu), conseguiu de novo. Nesta terça-feira (03), foi condenado em primeira instância por racismo. O caso ocorreu em abril, quando o ex-capitão do Exército afirmou, em discurso na Hebraica, que, em visita a uma comunidade quilombola, constatou que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas” e que “nem para procriador ele serve mais.” Não é preciso ser doutor em Letras para constatar que, pelos termos usados, Bolsonaro equiparou afrodescendentes a animais. Por isso, foi condenado a pagar uma indenização de R$ 50 mil, mas ainda cabe recurso. Não é a primeira vez e, ao que tudo indica, não será a última em que o postulante ao Palácio do Planalto fere direitos com sua artilharia verbal. O ex-capitão se vende como um defensor da Pátria. Nada mais falso.

E quem diz isso não é nenhum comunista-petralha-mortadela. Quem o afirma é um dos maiores pensadores do conservadorismo britânico, Lord Acton (1834-1902). Em sua obra Nationality, Essays on Freedom and Power (Nacionalidade, Ensaios sobre a Liberdade e o Poder), Acton faz um contraste entre “nacionalidade” (nationality) e “patriotismo(patriotism). Segundo ele, a primeira é “a nossa conexão com a raça”, que é “meramente físico ou natural”. Já o patriotismo “é a consciência de nossos deveres morais com a comunidade política”. Logo, ser patriota não é essa pataquada de cantar o Hino Nacional em escolas, nem andar com bandeiras, bater selfies com soldados, pregar o fim do Estatuto do Desarmamento, fazer a apologia da tortura e da ditadura militar, praguejar contra LGBTs e dizer que algumas mulheres não merecem sequer serem estupradas. Ser patriota, segundo Acton, é contribuir para o bem-estar geral de nossa pátria.

A má notícia para Bolsonaro, que trata quilombolas como gado, é que a pátria brasileira é composta por 45,1% de pardos e 8,9% de pretos. Apenas 45,2% dos patriotas são brancos. Se o deputado federal quer, mesmo, defender sua pátria, deve-se lembrar de que ela é multirracial e a paciência com comentários racistas se esgotou faz tempo. Afinal, “nossos deveres morais” nos obrigam a zelar por todos os patriotas, independentemente de cor, sexo, idade, credo etc. Imaginar que patriotas são apenas os homens brancos é, no mínimo, ignorância. E, no máximo, racismo. Está aí o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro para lembrá-lo, e a juíza federal Frana Elizabeth Mendes para condená-lo.

Como é possível amar apenas parte da Pátria? Só mesmo, um patriota de meia-tigela, como Bolsonaro, conseguiria tal coisa.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!