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Não seja bobo: nem Temer, nem Maia querem salvar a economia agora

Márcio Juliboni
há 3 meses1.0k visualizações
Não seja bobo: nem Temer, nem Maia querem salvar a economia agora
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Em público, Michel Temer, o candidato da vez ao impeachment, e Rodrigo Maia, seu virtual sucessor, compartilham um sonho: resgatar o país da grave recessão que periga entrar pelo terceiro ano seguido e, com isso, tirar do limbo os cerca de 14 milhões de desempregados. Temer tenta vender sua permanência no Planalto como a única garantia de que as reformas econômicas desencantarão e guiarão os brasileiros ao paraíso. Já Maia sussurra, com cara de jogador de pôquer, que será um substituto forte o bastante para implementá-las. Mas não se engane: tirar o país da crise é a última coisa em que eles e seus aliados estão pensando.

Implantar as reformas, conter os gastos públicos, recuperar investimentos e gerar empregos é a piada de salão com que Temer e Maia entretêm os investidores e o empresariado – aquela entidade metafísica chamada mercado. Também serve de cenoura pendurada à frente dos famintos e esperançosos desempregados. Afinal, gerar e distribuir riqueza é algo que se espera de qualquer governo, seja qual for sua fórmula. É, no mínimo, de bom tom manter as aparências.

Mas vamos aos fatos. Primeiro, Temer passará o resto do ano mais preocupado em comprar (cada vez mais caro) o apoio do Congresso para se manter a salvo da Lava Jato. Os parlamentares venderão a peso de ouro cada voto que impeça o STF de investigá-lo. Mas superar a ameaça do Supremo é apenas uma parte do problema. A outra são os pedidos de impeachment na mesa de Rodrigo Maia, que o destino (???) colocou como presidente da Câmara e, portanto, tem a faca e o pescoço de Temer nas mãos.

Maia jura que não mexerá um dedo para derrubar Temer, assim como Temer jurava lealdade a Dilma Rousseff. Mas já sinalizou que pode não ser dono de sua vontade e, a “contragosto”, aceitar o peso de carregar o Brasil nas costas até 2018.

O desfecho dependerá de muitos fatores. O primeiro é a capacidade de Temer angariar aliados. Todo governo só tem duas armas para tanto: o verbo e a verba. O peemedebista está cada vez mais sem desculpas para se manter onde está. Ataca Joesley Batista, Rodrigo Janot e quem mais lhe mete medo. Em política, a brabeza do ataque é inversamente proporcional à força dos argumentos. Tampouco lhe resta verba para comprar apoio. Com a arrecadação em queda e um rombo fiscal que já sinaliza estourar a meta (que é outro rombo fiscal bilionário), mesmo que deseje, não tem muito dinheiro para liberar na forma de emendas parlamentares.

Canapés para tapear

Já Rodrigo Maia vem aglutinando aliados em um amplo espectro político – do PCdoB ao PT, passando pelo seu próprio partido, o DEM, parte do PMDB de Temer e o PSDB de Aécio Neves. Seu poder de agregação poderia ser prova de que é um estadista acima de picuinhas partidárias, mas é bem o contrário. Ele é cada vez mais visto como alguém capaz de garantir imunidade a políticos enrolados na Lava Jato – seja na forma de concessão de cargos no ministério, seja articulando um cala-boca na força-tarefa da operação. Basta ver que, pelas informações da imprensa, dois dos mais enrolados peemedebistas seriam mantidos na Esplanada: Eliseu Padilha e Moreira Franco, sogro do próprio Maia.

Manter Henrique Meirelles e o resto da equipe econômica seria apenas preservar o maître e os garçons no salão para entreter os famintos de crescimento, enquanto se esconde a sujeira da cozinha. O mercado e os brasileiros desesperados serão feitos de bobo. Até porque, com as eleições de 2018 batendo às portas, nenhum parlamentar envolvido na Lava Jato (e são muitos) vai querer comprar briga com os eleitores ao defender reformas impopulares (necessárias ou não). A estratégia dos pizzaiolos de Brasília é apenas tapear a população com alguns tira-gostos, até que um novo chef assuma a cozinha no ano que vem. O mercado até se contenta com os canapés (“o importante é aprovar algo”, dizem os analistas). Já o povo não está satisfeito, mas não tem feito nada. O fato é que conversa fiada não mata a fome de ninguém.

Lula, Dilma, Palocci, Mantega: quem adulou mais os banqueiros?

Márcio Juliboni
há 3 meses605 visualizações
Lula, Dilma, Palocci, Mantega: quem adulou mais os banqueiros?
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Uma reportagem da Folha de S.Paulo informa, neste sábado (8), que Antonio Palocci pretende jogar seu sucessor no ministério da Fazenda, Guido Mantega, aos leões para aliviar sua pena na Lava Jato. Para tanto, Palocci quer provar que Mantega, e não ele, prestava favores aos banqueiros em troca de doações para o PT.

Como era de se esperar, a defesa de Mantega tratou de afirmar que era o contrário: Palocci seria o despachante dos banqueiros junto aos governos Lula e Dilma. “Qualquer caixa de agência bancária do país sabe que quem representava os interesses do mercado financeiro era o próprio Palocci”, afirmou em nota.

Palocci ou Mantega? Em quem acreditar? Sobre quem foi mais subserviente aos bancos em troca de dinheiro, a Lava Jato dirá. Mas, uma coisa é certa: no mérito da questão, trata-se de uma falsa polêmica. Tanto Lula, quanto Dilma fornicaram com os banqueiros com uma paixão de corar velhinhas.

Caríssimos companheiros

Lembremos dos dois mandatos de Lula. Primeiro, não apenas conservou a política econômica ortodoxa, como promoveu uma forte alta dos juros no início de sua gestão, em troca de conquistar a credibilidade do mercado. Talhou em pedra seu compromisso com o superávit primário para agradar os investidores. Promoveu uma forte expansão do crédito que soou como música para os bancos. Tudo isso, com Henrique Meirelles (esse mesmo que agora é demonizado pelos petistas) como presidente do Banco Central.

Dilma até tentou fingir que era do contra. Em seu primeiro mandato, comprou uma briga com os bancos, ao forçar goela abaixo uma redução dos juros ao consumidor. Essa é, aliás, uma das desculpas de Mantega para provar que Palocci está viajando na batatinha. Mas o que não se discute é o mérito da questão: trata-se de uma medida cosmética para um partido que, em propagandas eleitorais, afirma que os banqueiros tirarão a comida do prato dos brasileiros.

Só charme

O fato é que tanto Palocci, quanto Mantega foram serviçais dos grandes bancos, sob o comando de presidentes que gritavam contra o mercado em público, mas o adulava em particular. Três observações para refrescar a memória. Primeira: faça uma lista dos 10 maiores lucros anuais de bancos brasileiros. Você verá que praticamente todos pertencem ao período de Lula e Dilma. Diante da contradição, Lula chegou a dizer que preferia bancos com lucro, a socorrê-los como fez Fernando Henrique Cardoso com o lendário Proer.

Segunda: se é verdade que os petistas detestam banqueiros, como justificar a tentativa de Dilma de levar Trabuco, presidente do Bradesco, para o ministério da Fazenda? É verdade que o logotipo do banco é vermelho e branco, mas não se imagina que seja uma mensagem subliminar da estrela do PT. Acrescente-se a isso, o fato de que o bancão de Osasco acabou, mesmo, em Brasília, representado por Joaquim Levy, um de seus diretores.

Última observação: se Lula e Dilma fossem, mesmo, sinceros em suas críticas aos juros escorchantes que esfolam os brasileiros, tentariam reduzi-los do modo correto: permitindo mais concorrência no mercado financeiro. A boa e velha concorrência derrubaria o preço do dinheiro para os consumidores e os bancos teriam de se virar para ampliar a eficiência, prestar um bom atendimento aos clientes e lucrar sem apelar para a marmelada dos mais de 300% ao ano que cobram no rotativo dos cartões de crédito.

Qualquer governo que não enfrente diretamente essas questões pode praguejar o quanto quiser. Estará, apenas, fazendo charminho.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!