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O alerta da Alemanha nazista sobre a ruína do PT e do PSDB

Márcio Juliboni
há 21 dias4.8k visualizações

Como o professor Roberto Romano, da Unicamp, me deixou preocupado com os rumos do Brasil

O alerta da Alemanha nazista sobre a ruína do PT e do PSDB
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(Foto: Ricardo Stuckert/Página Oficial do PT/Facebook)

A semana que termina trouxe capítulos melancólicos para os dois partidos que disputaram aguerridamente o poder nos últimos vinte e poucos anos: o PT e o PSDB. Os petistas passaram os últimos dias desnorteados com a carta aberta de Antonio Palocci, um quadro histórico respeitado do partido e próximo de Luiz Inácio Lula da Silva. Como se sabe, ao pedir sua desfiliação, Palocci jogou toda a caca de que sabe no ventilador da opinião pública. Já a defesa de Lula passou pelo constrangimento de ser desmentida pelo “dono” do apartamento em São Bernardo, supostamente alugado ao ex-presidente. Glaucos da Costamarques afirmou que não recebeu um vintém pelo imóvel e assinou todos os recibos de aluguel de uma vez. Os tucanos não se saíram melhor: Aécio Neves foi, novamente, afastado do Senado pelo STF, que o colocou ainda em “recolhimento noturno”. Por fim, um peso-pesado da economia, Gustavo Franco, trocou o PSDB pelo Novo.

Petistas e tucanos nunca estiveram tão próximos do fim. Suas velhas lideranças foram abatidas pela corrupção revelada pela Lava Jato. Seus velhos eleitores debandaram. Os mais jovens não os veem com o mesmo fascínio histórico de quem lutou pela redemocratização. Sobram apenas fanáticos e militantes pagos para atazanar pessoas pela internet. As conquistas econômicas e sociais dos governos de ambos estão desmanchando diante da recessão e da crise política. Mas, o mais preocupante, é o vácuo político aberto pela luta suicida de ambos. O que pode ocupar seu lugar?

Premonição

Há alguns meses, saí preocupado de uma conversa com Roberto Romano, professor de Ética da Unicamp e um observador político perspicaz. Romano me disse, com certa amargura, que não conseguia deixar de comparar o Brasil atual com a República de Weimar – aquela que comandou a Alemanha, no período entre o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e a ascensão do nazismo, em 1933. Mas, por que buscar, tão longe no tempo e no espaço, um exemplo? “Quando a esquerda e a centro-esquerda terminaram de se matar na Alemanha, abriram espaço para a extrema-direita”, me explicou.

E o que isso tem a ver com o Brasil? Para Romano – e, para mim, que me convenci de que sua preocupação procede -, o PT e o PSDB são as forças de esquerda e centro-esquerda, respectivamente, que passaram as últimas duas décadas numa guerra de aniquilação mútua pela supremacia política no país. Reiteradamente, ambos se sabotaram no Congresso, nas alianças políticas em eleições, nos ataques de líderes ao outro lado. O resultado mais claro foi que, sem poder contar com uma coalização de centro-esquerda, ambos alimentaram seus próprios canibais. O PSDB aliou-se ao antigo PFL de Antônio Carlos Magalhães e a parte do PMDB para governar. O PT fez um pacto de sangue com o PMDB de Michel Temer, José Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros. Na prática, em vez de combater as verdadeiras oligarquias, aliaram-se a elas.

Crescendo no vácuo

Quando a aliança não era mais interessante para as forças políticas atrasadas, os velhos coronéis a romperam sem o menor constrangimento. Mas, ao saírem para a luz do dia, a Lava Jato os abateu. Viu-se que PT, PSDB e suas eminências pardas, como o PMDB, o PP e o DEM, estavam todos chafurdando na mesma pocilga de corrupção e camaradagem.

Sem partidos críveis de esquerda ou de centro-esquerda, e com as legendas tradicionais de centro-direita e de direita apodrecidas pela corrupção, o que restou aos eleitores brasileiros? E é aí que muitas pulgas sapateiam atrás da orelha. O discurso moralista e reacionário, conservador e autoritário, começa a crescer, a ponto de levar um ex-capitão ao segundo lugar da corrida presidencial. É mais do que leviano achar que Jair Bolsonaro é um Hitler brasileiro. Não é para tanto. Mas o recado é claro: assim como na Alemanha de 1933, a onda conservadora e autoritária está apenas preenchendo o vácuo deixado pelo duelo dos partidos que, um dia, pensamos representar o progresso.

Lula falsificou recibos de aluguel? A pergunta que não quer calar

Márcio Juliboni
há 22 dias3.8k visualizações

Revirar as gavetas de Dona Marisa, em busca dos documentos, levou quase um ano – ô família bagunçada, hein?

Lula falsificou recibos de aluguel? A pergunta que não quer calar
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(Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula)

Luiz Inácio Lula da Silva, definitivamente, não se dá bem com imóveis. Depois de ser condenado a nove anos e meio de prisão por Sérgio Moro, por causa do tríplex do Guarujá, outro apartamento o atormenta. Trata-se daquele vizinho ao seu, no prédio onde mora em São Bernardo. A versão oficial é de que sua esposa, Marisa Letícia, o alugou para guardar coisas da família. Já a história contada pela força-tarefa da Lava Jato é outra: Lula é o seu verdadeiro dono, e o aluguel é só uma fachada. Nada mais simples do que apresentar o contrato, os recibos de aluguel, e cruzá-los com os depósitos na conta do alegado dono, não? Mas, na vida de Lula, nada é tão simples. A polêmica, agora, é sobre a autenticidade dos recibos apresentados pela sua defesa.

Falando claramente, há quem desconfie que Lula falsificou os documentos para sustentar sua versão dos fatos. Seria apenas uma paranoia de antipetistas ou de jornalistas que querem ver o circo pegar fogo, se não fosse por um elemento importante. Glaucos da Costamarques, o suposto proprietário do apartamento, afirmou a Moro que tudo não passou de uma farsa. Segundo o Estadão desta sexta-feira (29), Costamarques assinou todos os recibos num único dia, em novembro de 2015, enquanto estava internado no Hospital Sírio-Libanês.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, em 2010, a Odebrecht bancou a compra do imóvel com dinheiro de propinas destinadas a Lula. Costamarques entrou apenas como laranja, atendendo a um pedido de seu primo, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigão de Lula. Naquele dia de autógrafos no Sírio-Libanês, outro aliado do ex-presidente, o advogado Roberto Teixeira, teria garantido ao acamado que, dali em diante, o aluguel passaria, efetivamente, a ser pago.

Haja bagunça

A defesa de Lula, naturalmente, nega as declarações de Costamarques. O inegável, porém, é como esses recibos demoraram para aparecer. Em audiência, o próprio Moro perguntou a Lula, algumas semanas atrás, como esses papeis ainda não haviam aparecido, já que as suspeitas sobre o apartamento de São Bernardo se avolumam desde o ano passado. Não seria natural, portanto, que eles fossem apresentados o quanto antes? Lula tergiversou, fez piadas, mas não respondeu. Limitou-se a dizer que sua esposa, Marisa Letícia, morta no início do ano, é quem cuidava disso. Ao finalmente apresentar os documentos, a defesa do petista afirmou que estavam perdidos entre os pertences da falecida.

Pode ser que Lula seja apenas mal organizado. Pode ser que Dona Marisa fosse uma baita bagunceira. Mas, vamos lá: a não ser que ela fosse uma acumuladora contumaz de papeis, dessas psiquiatricamente diagnosticadas com problemas mentais, não é razoável pensar que seria necessário quase um ano para que se revirasse suas gavetas até encontrar os recibos de alugueis.

Se a documentação é falsa, como sustenta Costamarques, Lula não está apenas apelando para se salvar. Está cometendo um crime para se safar de outro. Como ele mesmo disse a Moro, quando se referiu ao bombástico depoimento de Antonio Palocci, o mal do mentiroso é que, depois da primeira, precisa contar sucessivas mentiras para escapar. Será que o ex-presidente estava falando com conhecimento de causa?

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!