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O silêncio dos indulgentes (ou o que une coxinhas e mortadelas)

Márcio Juliboni
há 3 meses1.5k visualizações
O silêncio dos indulgentes (ou o que une coxinhas e mortadelas)
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Por trás de todas as ofensas trocadas pela imprensa, pelas redes sociais e pessoalmente, coxinhas e mortadelas estão mais próximos do que nunca. O que os une? Uma envergonhada autocomplacência. Em bom português: é cada vez mais difícil discutir política e protestar contra o partido adversário, quando todos estão afundados até o cocuruto na pocilga da corrupção exumada pela Lava Jato. São os sujos falando dos mal lavados.

Mortadelas e coxinhas criticam violentamente a roubalheira do outro time, os favorecimentos políticos, o compadrio – faz parte do teatrinho. Mas calam-se vergonhosamente diante dos malfeitos de seu próprio time. Vejamos dois exemplos práticos. Do lado dos mortadelas, a fracassada greve geral do último dia 28 combatia as reformas propostas por Temer. Omitiram, convenientemente, que os projetos foram defendidos em vídeo por Dilma, quando ainda era presidente (e tinha Joaquim Levy na Fazenda), e são tocados por Meirelles, que Lula tentou até o fim emplacar na Esplanada dos Ministérios como fiador do governo de sua pupila.

Do lado dos coxinhas, o embaraço também é divertido. As novas “lideranças populares” e seus miquinhos vestidos de verde e amarelo lotaram avenidas para demonizar o PT e exigir a saída de Dilma. Macaquearam Eduardo Cunha. Posaram orgulhosamente para fotos ao lado de Temer e de Moreira Franco, no mesmo dia em que o primeiro promoveu o segundo ao cargo de ministro, apenas para lhe conferir foro privilegiado. Agora, relutam em convocar novos protestos contra a corrupção. A mais próxima está marcada para o fim de agosto. Por ora, limitam-se a declarações protocolares em redes sociais...

É verdade que o povo não precisa, necessariamente, esperar a convocação de lideranças de direita ou de esquerda para sair às ruas. Basta lembrar de junho de 2013, quando manifestações espontâneas (?!?!) pipocaram pelo Brasil. Mas mesmo isso parece improvável atualmente. Por que? Não se pode alegar que a população ignora o que se passa. Já não há inocentes no país. Uns, porque sabem da corrupção. Outros, porque são parte dela. O silêncio que ouvimos, portanto, é o silêncio dos indulgentes.

Operação Santa Ceia: pegaram os políticos pra Cristo?

Márcio Juliboni
há 3 meses874 visualizações
Operação Santa Ceia: pegaram os políticos pra Cristo?
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Na fábula que políticos graúdos tentam vender para a opinião pública, a Operação Lava Jato não passa de um grande erro histórico, perseguindo arbitrária e tiranicamente inocentes de todas as legendas. Esses caciques partidários sentem-se como Cristo às vésperas da crucificação. Para piorar, não teriam espaço para se defender na imprensa golpista, que distorceria as informações a seu bel-prazer. Os enrolados com a Justiça querem que acreditemos que a história está sendo (mal) contada assim:

“Desde o alvorecer desta sexta-feira, a Guarda Pretoriana Filisteia (PF) deflagrou a Operação Santa Ceia, que apura um suposto esquema de conversão de pagãos à base aliada de Deus, em troca de benesses como a salvação da alma e a vida eterna. A PF cumpre dezenas de mandados de prisão preventiva, temporária e de condução coercitiva nos arredores de Jerusalém. A organização seria chefiada por Jesus de Nazaré. O núcleo da quadrilha seria composto por mais doze homens, conhecidos como ‘os apóstolos’.

O braço direito do Nazareno seria um pescador chamado Pedro. Segundo as primeiras informações, conversas interceptadas pela PF enfatizam o poder desse apóstolo na organização. Em uma das conversas transcritas pelos pretorianos, Jesus teria dito: ‘Tu és Pedro, e sobre essa rocha erguerei minha obra.’ Preso temporariamente, Pedro já teria negado, por três vezes, conhecer Jesus.

Fontes da PF afirmam que, interrogado por Pôncio Pilatos, Jesus evocou seu direito de manter-se em silêncio para não se incriminar. Ele o quebrou uma única vez durante a audiência. Confrontado com planilhas de empreiteiros que o tratavam pelo codinome ‘o rei dos judeus’, Jesus foi lacônico. Limitou-se a afirmar a Pilatos: ‘Tu o dizes’. Em nota, a defesa do Nazareno afirmou que a prisão é arbitrária e contraria o Estado de Direito.

Os analistas políticos afirmam que, dificilmente, negar as evidências salvará Jesus da crucificação. O motivo é que ele foi delatado por Judas Iscariotes, um de seus apóstolos. A defesa do Nazareno, contudo, tenta desqualificar o delator, afirmando que ele é o verdadeiro corrupto, já que teria se vendido por três moedas. Os advogados de Judas rebatem, alegando que seu cliente está tão arrependido, que, no acordo de delação premiada, devolveu as moedas espontaneamente e passou a ser atormentado por pensamentos suicidas.

Em nota à imprensa, outro apóstolo, Tomé, afirmou que a base aliada de Deus acredita piamente na inocência de Jesus. ‘As acusações são apenas ilações e carecem de materialidade. Os detratores precisam provar concretamente o que dizem. Como não conseguem fazê-lo, criam uma ficção com o único objetivo de pegar Jesus para Cristo.’

Nos bastidores, comenta-se que, diante da pressão de Herodes e dos judeus para libertar Barrabás (contra quem pesam acusações de corrupção passiva, ativa e assassinato) e condenar Jesus, Pilatos está inclinado a lavar as mãos.”

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escrita por
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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!