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Por que outro Lula seria ruim para o Brasil (parte 1)

Márcio Juliboni
há 3 meses1.8k visualizações
Por que outro Lula seria ruim para o Brasil (parte 1)
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Há alguns dias, tive a honra de estrear uma coluna sobre política e economia no Storia.me com um artigo sobre o que chamo de “malufismo de esquerda”. Felizmente, o texto não caiu no vácuo e foi rebatido sobriamente pelo jornalista Pedro Zambarda (Por que votarei em Lula e não sou "malufista de esquerda"). Há tempos, não debato com alguém equilibrado. Trata-se de uma bênção! Por isso, vamos ao papo!

Inicialmente, ao contrário do que se pode supor, não sou de direita. Sou um grande desiludido com a esquerda – o que me converteu em um ateu político. Não vejo santos sentados nem à esquerda, nem à direita de Deus Pai, Todo Poderoso... hoje, sigo duas máximas do Millôr Fernandes. A primeira é “desconfie dos heróis que lucram com seus ideais.” A segunda: “Livre pensar é só pensar.” E uma do Saramago: “Se podes olhar, vê; se podes ver, repara.”

Feitas essas ressalvas, vamos ao assunto. Pedro nos apresenta, basicamente, quatro argumentos: a) o PMDB também teve culpa na recessão que vivemos hoje; b) o PT tentou, o quanto pôde, conter a crise; c) nem Lula, nem Dilma foram condenados pela Justiça; d) comparado aos outros nomes que se cogitam para o Planalto, Lula é o melhor. Eis o que posso dizer a respeito desses pontos de vista.

Verdades inconvenientes

É verdade que o PMDB foi coautor da grave crise econômica que nos atazana a vida, mas é preciso lembrar que ele não entrou de penetra nela. O PMDB foi eleito e reeleito na chapa de Dilma Rousseff. Desde os tempos de Lula, uma das queixas comuns de petistas era que o partido do agora “golpista” Temer era muito paparicado pelo governo. Numa orgia político-partidária de fazer inveja a Calígula, os governos Lula e Dilma deitaram-se na alcova de todos os caciques peemedebistas. Alguém, por exemplo, já se esqueceu dos elogios ao hoje condenado Sérgio Cabral? Logo, Lula, Dilma e o PT, em nome da “governabilidade”, justificaram a pornografia política com vernizes de “realpolitik”: se não tem gente honesta, governemos com os desonestos em nome dos mais pobres.

É verdade que o PT tentou segurar, o quanto pôde, a crise econômica. Mas sua primeira tentativa foi baseada num keynesianismo de orelha de livro. Preocupou-se em injetar dinheiro para o consumo (via crédito e programas assistenciais), enquanto fingia estimular os investimentos com o PAC. Como se viu, o PAC era apenas o “Programa de Arrecadação de Caixa 2” do partido e seus aliados de plantão. No fim, tudo o que se viu foi uma população endividada com os carnês de crediário, com a renda corroída pela inflação que Mantega e Dilma toleravam, e premida pelo desemprego que se avistava.

Quando tudo indicava a ruína, Dilma deu uma guinada, cortejou Trabuco (o presidente do Bradesco) para a Fazenda e levou seu subalterno, Joaquim Levy (um diretor do Bradesco). Os petistas encabulados foram forçados a defender, no Congresso, medidas de ajuste fiscal cada vez mais draconianas. Em paralelo, Lula tentava derrubar Levy e emplacar Meirelles (outro banqueiro) para tocar as reformas. Reformas, aliás, defendidas em vídeo pela presidente.

Noves fora...

O terceiro argumento de Pedro é que Lula e Dilma não foram condenados pela Justiça. Trata-se de um argumento formalista. É verdade: só é culpado aquele que o tribunal condena. Mas aí vão duas observações: a) a situação jurídica de Lula é frágil. É questão de tempo para que Moro comece a soltar suas sentenças; b) ainda que seja absolvido, o que Lula dirá de suas relações com a família Odebrecht, com Leo Pinheiro da OAS e demais empreiteiros e membros da elite branca que bate panelas? É eticamente aceitável que um político que se apresenta como a “voz dos mais pobres” grite em público contra os mais ricos, mas aceite seus mimos (como jatinhos emprestados) e sussurre doçuras em seus ouvidos no escurinho do poder?

Por fim, Pedro afirma que, diante das opções até aqui cogitadas, Lula é o melhor nome. É um direito do jornalista de pensar assim. Negar-lhe esse direito é embarcar no pensamento autoritário e maniqueísta que nos empurra ainda mais para o buraco sócio-político-econômico atual. Mas, para mim, não há ninguém – à direita, à esquerda, à frente, atrás, acima, abaixo – digno de meu voto em 2018.

O silêncio dos indulgentes (ou o que une coxinhas e mortadelas)

Márcio Juliboni
há 3 meses1.5k visualizações
O silêncio dos indulgentes (ou o que une coxinhas e mortadelas)
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Por trás de todas as ofensas trocadas pela imprensa, pelas redes sociais e pessoalmente, coxinhas e mortadelas estão mais próximos do que nunca. O que os une? Uma envergonhada autocomplacência. Em bom português: é cada vez mais difícil discutir política e protestar contra o partido adversário, quando todos estão afundados até o cocuruto na pocilga da corrupção exumada pela Lava Jato. São os sujos falando dos mal lavados.

Mortadelas e coxinhas criticam violentamente a roubalheira do outro time, os favorecimentos políticos, o compadrio – faz parte do teatrinho. Mas calam-se vergonhosamente diante dos malfeitos de seu próprio time. Vejamos dois exemplos práticos. Do lado dos mortadelas, a fracassada greve geral do último dia 28 combatia as reformas propostas por Temer. Omitiram, convenientemente, que os projetos foram defendidos em vídeo por Dilma, quando ainda era presidente (e tinha Joaquim Levy na Fazenda), e são tocados por Meirelles, que Lula tentou até o fim emplacar na Esplanada dos Ministérios como fiador do governo de sua pupila.

Do lado dos coxinhas, o embaraço também é divertido. As novas “lideranças populares” e seus miquinhos vestidos de verde e amarelo lotaram avenidas para demonizar o PT e exigir a saída de Dilma. Macaquearam Eduardo Cunha. Posaram orgulhosamente para fotos ao lado de Temer e de Moreira Franco, no mesmo dia em que o primeiro promoveu o segundo ao cargo de ministro, apenas para lhe conferir foro privilegiado. Agora, relutam em convocar novos protestos contra a corrupção. A mais próxima está marcada para o fim de agosto. Por ora, limitam-se a declarações protocolares em redes sociais...

É verdade que o povo não precisa, necessariamente, esperar a convocação de lideranças de direita ou de esquerda para sair às ruas. Basta lembrar de junho de 2013, quando manifestações espontâneas (?!?!) pipocaram pelo Brasil. Mas mesmo isso parece improvável atualmente. Por que? Não se pode alegar que a população ignora o que se passa. Já não há inocentes no país. Uns, porque sabem da corrupção. Outros, porque são parte dela. O silêncio que ouvimos, portanto, é o silêncio dos indulgentes.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!