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Preparem-se para os malufistas de esquerda

Márcio Juliboni
há 3 meses1.3k visualizações
Preparem-se para os malufistas de esquerda
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Um espectro ronda as eleições de 2018 – o espectro do malufismo de esquerda. Diante da Lava Jato, que vem desmascarando corruptos de todas as colorações ideológicas, corremos o risco concreto de vermos os partidos “progressistas” abandonarem a bandeira da ética na vida pública com o argumento de que o sistema político-eleitoral brasileiro corromperia até Jesus Cristo. Logo, em nome de uma causa maior (a justiça social), seria necessário tolerar um mal menor (a corrupção, o caixa dois e outros malfeitos). Em bom português, ainda poderemos ouvir: “ele rouba, mas faz algo pelos mais pobres.”

Há dois fatores que nos empurram nesta direção. O primeiro é, justamente, a Lava Jato. As investigações deixaram claro que, no escurinho de Brasília, todos os partidos são pardos. Seja em troca de emendas parlamentares, doações para eleição ou para encher o próprio bolso, uma série de políticos de esquerda (notadamente, do PT) é acusada, investigada ou já foi condenada por corrupção e outros crimes. Isso joga a reputação dessas legendas na mesma cova rasa de partidos de direita. No máximo, petistas e companheiros poderão afirmar que não fizeram nada além daquilo que os outros fazem. Justificarão seu erro com o erro dos outros. São apenas iguais.

Sem o discurso da ética, entraremos numa eleição de “políticas de resultados”. Quem inseriu mais gente no mercado de trabalho? Quem aumentou mais a renda e diminuiu a desigualdade? Quem promoveu mais políticas de inclusão? Quem se preocupou mais com as questões de gênero? Nesses quesitos, os números pendem a favor do PT. Não adiantará dizer que a prosperidade econômica de seus governos foi sustentada artificialmente pela expansão do preço das commodities agrícolas e minerais, graças ao acelerado crescimento da China nos anos 2000. Também não significará nada alertar que a crise fiscal que vivemos atualmente é cria da gastança desenfreada de quem governava como se não houvesse amanhã.

Está na moda, entre os cientistas políticos e marqueteiros, afirmar que se ganham eleições e se tocam governos com base em “narrativas”: boas histórias que mobilizem eleitores e congressistas. O ideal seria trocar essa palavra por “fábulas”. Na disputa de fábulas que se aproxima, ouviremos a esquerda entoar aos quatros ventos seu conto da carochinha de que fez o que fez para proteger o povo de uma elite branca que bate panelas das varandas gourmet de bairros nobres paulistanos. Toda boa mentira parte de uma meia verdade: às escondidas, amigaram-se com os maiores empreiteiros do país, receberam mesadas e voaram em seus jatinhos. Se alguém lembrá-los desses incômodos detalhes, darão de ombros e dirão: “E daí? E os que voaram nos jatinhos e não fizeram nada pelo povo?”

Serão tempos sinistros... corremos o risco de inventarmos uma nova jaboticaba. Depois dos déspotas esclarecidos do Iluminismo, o Brasil lançará os corruptos abnegados do Esquerdismo.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!