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Quem é patriota, mesmo, não vota em Bolsonaro

Márcio Juliboni
há 21 dias6.7k visualizações

Verdadeiros patriotas se sentem moralmente comprometidos com todos que formam sua Pátria, independentemente de cor, sexo, credo etc.

Quem é patriota, mesmo, não vota em Bolsonaro
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(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

Jair Bolsonaro, deputado federal e quase pré-candidato à Presidência pelo Patriotas (sua filiação oficial ainda não ocorreu), conseguiu de novo. Nesta terça-feira (03), foi condenado em primeira instância por racismo. O caso ocorreu em abril, quando o ex-capitão do Exército afirmou, em discurso na Hebraica, que, em visita a uma comunidade quilombola, constatou que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas” e que “nem para procriador ele serve mais.” Não é preciso ser doutor em Letras para constatar que, pelos termos usados, Bolsonaro equiparou afrodescendentes a animais. Por isso, foi condenado a pagar uma indenização de R$ 50 mil, mas ainda cabe recurso. Não é a primeira vez e, ao que tudo indica, não será a última em que o postulante ao Palácio do Planalto fere direitos com sua artilharia verbal. O ex-capitão se vende como um defensor da Pátria. Nada mais falso.

E quem diz isso não é nenhum comunista-petralha-mortadela. Quem o afirma é um dos maiores pensadores do conservadorismo britânico, Lord Acton (1834-1902). Em sua obra Nationality, Essays on Freedom and Power (Nacionalidade, Ensaios sobre a Liberdade e o Poder), Acton faz um contraste entre “nacionalidade” (nationality) e “patriotismo(patriotism). Segundo ele, a primeira é “a nossa conexão com a raça”, que é “meramente físico ou natural”. Já o patriotismo “é a consciência de nossos deveres morais com a comunidade política”. Logo, ser patriota não é essa pataquada de cantar o Hino Nacional em escolas, nem andar com bandeiras, bater selfies com soldados, pregar o fim do Estatuto do Desarmamento, fazer a apologia da tortura e da ditadura militar, praguejar contra LGBTs e dizer que algumas mulheres não merecem sequer serem estupradas. Ser patriota, segundo Acton, é contribuir para o bem-estar geral de nossa pátria.

A má notícia para Bolsonaro, que trata quilombolas como gado, é que a pátria brasileira é composta por 45,1% de pardos e 8,9% de pretos. Apenas 45,2% dos patriotas são brancos. Se o deputado federal quer, mesmo, defender sua pátria, deve-se lembrar de que ela é multirracial e a paciência com comentários racistas se esgotou faz tempo. Afinal, “nossos deveres morais” nos obrigam a zelar por todos os patriotas, independentemente de cor, sexo, idade, credo etc. Imaginar que patriotas são apenas os homens brancos é, no mínimo, ignorância. E, no máximo, racismo. Está aí o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro para lembrá-lo, e a juíza federal Frana Elizabeth Mendes para condená-lo.

Como é possível amar apenas parte da Pátria? Só mesmo, um patriota de meia-tigela, como Bolsonaro, conseguiria tal coisa.

Sérgio Moro está certo: democracia, sim; militares, não

Márcio Juliboni
há 21 dias4.9k visualizações

Alguém que pede uma intervenção militar é apenas uma criança crescida berrando pela mãe, porque não consegue resolver os problemas com o amiguinho sozinho

Sérgio Moro está certo: democracia, sim; militares, não
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(Foto: Lula Marques / AGPT/ Fotos Públicas)

Para desgosto de muitos fãs, Sérgio Moro discorda de quem defende que só uma intervenção militar seria capaz de colocar o Brasil em ordem. O juiz que amedronta figurões da política e dos negócios afirmou, nesta segunda-feira (2), com todas as letras, que “a resposta aos males democráticos, como a corrupção, é o aprofundamento da democracia.” E emendou: “Este período da ditadura militar foi, e não há dúvida disso, um grande erro.” Não poderia ser mais oportuno que o principal nome da Lava Jato, acusado de inquisidor e tirano por corruptos de direita e de esquerda, defenda o tão falado Estado Democrático de Direito neste momento. Mas o que é o tal “aprofundamento da democracia”?

A resposta mais imediata, colocando-se no lugar de Moro, é que a democracia só avançará, quando a lei efetivamente valer para todos. Neste sentido, a Lava Jato tem feito um belo trabalho de dedetização de roedores que infestavam a máquina pública, alimentando-se de dinheiro público desviado de contratos superfaturados, contribuições escusas a parlamentares e partidos etc., mas isso não basta. De que adianta prender tantos corruptos de alto escalão, se a lei é sumariamente ignorada por muito batedores de panela e modelos de camisetas da seleção brasileira?

A lei só valerá para todos, quando juízes e desembargadores não utilizarem seus cargos e amigos para livrar filhos da prisão, como ocorreu recentemente com um pimpolho pego com drogas e munições em Mato Grosso do Sul e liberado por um habeas corpus generoso de um amigo de sua mãe. A lei também só valerá para todos, quando coxinhas e mortadelas não se orgulharem de manter a carteira de motorista estourada de pontos, às custas de propinas pagas ao Detran.

Democracia não é para preguiçosos

Outro elemento para aprofundar a democracia brasileira é a efetiva vigilância da população. Bater panela para os adversários políticos e calar sobre seus bandidos de estimação não é cidadania – é pura e simples hipocrisia. E há muitos hipócritas destilando um moralismo raivoso em redes sociais e mesas de bar, camuflando convenientemente o fato de que não estão fazendo mais nada para mudar o país, além de publicar ofensas no Facebook.

Uma democracia é um sistema para adultos, não para crianças enrugadas e chorosas. Democracia pressupõe a capacidade de um povo se autogovernar, por meio do debate público e da busca de soluções que beneficiem o máximo de pessoas. Alguém que pede uma intervenção militar é apenas uma criança crescida berrando pela mãe, porque não consegue resolver os problemas com o amiguinho sozinho. Buáá... ele não pensa como eu. Buáá... ele me roubou. Buáá... meu candidato me traiu. Buáá... eu votei sem pensar. Alguém já disse que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Só os acomodados abrem mão da primeira, para não se cansar com a segunda. E, se há algo que não se pode dizer, é que Moro seja acomodado. Como se vê, muita gente o admira... mas poucos gostariam de ser como ele.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!