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Sem Lula, Brasil precisa de um Plano B para deter o quase eleito Bolsonaro

Márcio Juliboni
há um mês10.5k visualizações

Ex-capitão vence três das cinco simulações de segundo turno na pesquisa CNT/MDA; sem Lula, Bolsonaro estaria quase com a faixa presidencial

Sem Lula, Brasil precisa de um Plano B para deter o quase eleito Bolsonaro
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(Foto: Gabriela Korossy/ Câmara dos Deputados)

A pesquisa do instituto MDA, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostra que o presidente Michel Temer é um morto-vivo político, com residuais 3,4% de popularidade. É incompreensível, portanto, porque a imprensa está gastando tanta tinta, saliva e bytes com ele nesta terça-feira (19). Há algo muito mais importante, capaz de definir os rumos do Brasil por muitos anos, e que os colegas jornalistas deixaram passar. Trata-se da força do ex-capitão Jair Bolsonaro nas simulações de segundo turno. Dos cinco cenários propostos pela CNT/MDA, Bolsonaro vence em três. Só perde, por ora, se disputá-lo contra Lula ou contra Marina Silva. Mais do que um plano B da esquerda para a provável ausência do petista na corrida do ano que vem, o Brasil precisa, com urgência, de um plano B para conter Bolsonaro.

Vamos a alguns números divulgados pela CNT/MDA. No primeiro turno, com Lula no páreo, Bolsonaro mantém-se firme e forte na vice-liderança. Sua intenção de votos varia conforme o candidato tucano proposto. O melhor desempenho ocorre com o senador Aécio Neves. Nele, Bolsonaro iria para o segundo turno com 19,8% dos votos. O prefeito paulistano João Doria seria o mais capaz de arranhar o eleitorado do ex-capitão. Ainda assim, ele passaria para a segunda rodada com 18,4%. Já com o governador paulista Geraldo Alckmin representando o PSDB, Bolsonaro passaria com 19,4% dos votos.

Peito de aço

Se, de fato, o candidato de extrema-direita chegar ao segundo turno, ganhará um impulso considerável e se tornará preocupantemente competitivo. No cenário-base, em que disputa a faixa presidencial com Lula, o ex-capitão perderia por um placar de 40,5% contra 28,5%. Isso transforma a candidatura petista na única capaz até agora, efetivamente, de conter o avanço da onda conservadora e extremista no Brasil. Sem Lula na disputa e com candidatos de esquerda fracos, Bolsonaro enfrentaria alguém de centro-direita ou centro-esquerda na etapa final. E, até onde a pesquisa da CNT/MDA enxerga, pode se dar muito bem.

Bolsonaro bateria qualquer tucano – Alckmin, Aécio ou Doria. Só aí, já estão mais três dos cinco cenários simulados. Já contra Marina Silva, sofreria uma apertada derrota por 29,2% a 27,9%. Sejamos francos: em termos de eleições presidenciais, é uma diferença mínima. Como a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, no limite, um confronto com a ex-senadora do Acre poderia culminar com um placar de 30,1% para Bolsonaro e 27% para ela. Logo, considerando-se a margem de erro, Bolsonaro venceria em até quatro dos cinco cenários.

Quem sobe no ringue?

Se os brasileiros não quiserem acordar, em 1º de janeiro de 2019, batendo continência e cantando o Hino Nacional em escolas e em outras reuniões sociais, com pouca ou nenhuma chance de protestar e vestindo burcas mentais, diante do autoritarismo que se pode esperar, precisam pensar seriamente em alternativas para derrotar Bolsonaro.

Seja um nome de esquerda, centro-esquerda, ou de centro-direita, restam poucos meses para preparar uma candidatura competitiva. Por ora, o pedetista Ciro Gomes, adulado envergonhadamente pelo PT como o potencial substituto de Lula, é um zero à esquerda (com trocadilho e tudo) na disputa. Seu melhor desempenho, nas simulações de primeiro turno, é um quarto lugar com minguados 5,3% de votos, ajudado pela impopularidade de Aécio Neves, que ficaria em quinto.

Mesmo que receba uma injeção de fermento na veia, Ciro ainda teria que derrotar outro adversário para subir a rampa do Planalto: sua elevada rejeição. Nada menos que 54,8% dos entrevistados não votariam nele de jeito nenhum. Há, ainda, pouca margem para causar uma boa primeira impressão: apenas 14% dos eleitores não o conhecem e, portanto, podem ser convertidos. Bolsonaro, por seu turno, lida com a segunda menor taxa de rejeição entre os candidatos propostos pela CNT/MDA: 45,4%. Além disso, outros 13% dos brasileiros ainda não o conhecem.

Se a corrida eleitoral continuar no mesmo ritmo, Bolsonaro tem chances reais de comandar o país nos próximos anos. Seus entusiasmados eleitores dirão já famoso bordão “Pode Jair se acostumando”. Já para os seus críticos, o melhor seria dizer “Pode Jair lamentando”.

Ditadura militar não teve corrupção?? Risos. Muitos risos...

Márcio Juliboni
há um mês6.8k visualizações

Farda não é uma blindagem contra o roubo de dinheiro público, sobretudo por quem a veste

Ditadura militar não teve corrupção?? Risos. Muitos risos...
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(Foto: Tony Winston/Agência Brasília)

Há ideias que devem ser mortas no berço. Uma delas é a de que só uma intervenção militar será capaz de colocar ordem no país, banir a corrupção da política, punir severamente as organizações criminosas de colarinho branco, coibir rigorosamente criminosos pés-de-chinelo, pacificar a sociedade e impor bons costumes a libidinosos lascivos besuntados de chantilly e champagne (ai... ai...). O general do Exército Antonio Hamilton Martins Mourão admitiu, com todas as letras, a possibilidade de as Forças Armadas “imporem uma solução” para o escândalo político-criminal que envergonha o Brasil, caso os poderes constituídos não o façam. Mourão é mais um que se ilude (ou que quer nos iludir), enxergando a ditadura militar como uma época de cândida honestidade, digna de coroinhas de igreja. A verdade é que os militares cultivaram a corrupção, tanto quanto qualquer um que ocupou o poder no Brasil, antes ou depois.

Contrabandistas na Polícia do Exército, delegados linha-dura fazendo segurança para traficantes, extorsão de empreiteiros por governadores biônicos, concessão irregular de crédito pelo então BNDE (ainda sem o “S” de social) a empresas de políticos do regime; ministros da área econômica envolvidos em favorecimentos ilegais a banqueiros e empresários. Como se vê, a lista é ampla, e só não é maior, porque nunca devemos nos esquecer de que a imprensa e os procuradores viviam sob severa censura – aquela que se impunha na base do tiro, porrada e bomba.

É hora de amadurecermos

E, se ainda resta um pingo de ingenuidade (ou um oceano de más intenções) em quem defende que homens de farda são, automaticamente, blindados contra corrupção, basta lembrar que os malfeitos continuaram com a redemocratização. A eterna novela da construção do submarino nuclear, cujo projeto está a cargo, obviamente, da Marinha; as propinas na Eletronuclear, quando estava sob o comando de um almirante; o sumiço de armas e munições de quartéis no Rio de Janeiro... está bom, ou quer mais?

Já passou da hora de os brasileiros pararem de buscar soluções mágicas e infantis, depositando esperanças num grande líder que desça dos céus ungido pelo povo, ou chegue guiando uma coluna de tanques. O Brasil precisa amadurecer e compreender, urgentemente, que o combate à corrupção e a faxina política precisa ser feita por todos nós. É difícil. É desesperador. É deprimente. Mas é algo do qual não podemos abrir mão – até porque, quando demos a mão aos militares, logo eles estavam arrancando nossas unhas e torcendo o nosso braço.

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!