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Volta Dilma! 52% já dizem que Temer é pior do que ela

Márcio Juliboni
há 3 meses962 visualizações

Talvez, tarde da noite, quando colocam a cabeça no travesseiro, muitos “cidadãos de bem” pensem: “se arrependimento matasse...”

Volta Dilma! 52% já dizem que Temer é pior do que ela
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(Foto: Lula Marques/ Fotos Públicas)

A baixíssima popularidade de Michel Temer é o único aspecto da nova pesquisa CNI/Ibope martelado pela imprensa entre ontem e esta sexta-feira (28). Afinal, com residuais 5% de ótimo e bom, o presidente ostenta a desonra de ser o pior avaliado desde a redemocratização, batendo até mesmo José Sarney. Mas o ponto mais interessante, e que não se viu em nenhum lugar, é a comparação com Dilma Rousseff. Segundo o Ibope, 52% dos brasileiros já consideram o governo Temer pior que o da petista; outros 35% o consideram igual, e apenas 11% afirmam que o peemedebista é melhor (veja quadro abaixo).

Volta Dilma! 52% já dizem que Temer é pior do que ela

(Elaborado pelo Ibope Inteligência)

O que isso quer dizer? Talvez, tarde da noite, quando colocam a cabeça no travesseiro, muitos “cidadãos de bem” pensem: “se arrependimento matasse...” O fato é que a furiosa onda verde-amarela que tomou cidades de todo o país e endossou o impeachment de Dilma era movida por um pensamento mágico: sem ela, tudo melhoraria instantaneamente. Qualquer um que mostrasse alguma moderação era tachado de mortadela, petralha ou retardado. Queimando a bruxa em praça pública, as trevas se desfariam por encanto, diante da luz benfazeja da Justiça.

Mas eis que, praticamente um ano após assumir, o sentimento mais comum que Temer evoca nos brasileiros é a saudade de Dilma. Segundo o Ibope, a avaliação de que o presidente é pior que sua antecessora é mais forte entre as mulheres (54% das respostas); entre a faixa etária de 16 a 44 anos (variando de 54% a 52%); e entre os que têm até o ensino fundamental.

Nem os ricos aguentam

“Ah, mas olha só o grau de instrução e a idade”, alguém poderia retrucar. “É gente nova e sem consciência da realidade!” Muita calma, nesta hora. Temer também não está agradando grande parte da classe média: 48% dos entrevistados com nível superior o acham inferior a Dilma. Em números absolutos, é mais que os 37% que o consideram igual e os 11% que o acham superior a ela.

Volta Dilma! 52% já dizem que Temer é pior do que ela

(Elaborado pelo Ibope Inteligência)

Mesmo em termos de renda familiar, o andar de cima cada vez mais dá mostras de que apenas tolera Temer. Na faixa acima de cinco salários mínimos mensais (a mais alta da pesquisa), 38% afirmaram que ele é um presidente pior. É exatamente o mesmo percentual dos que equiparam Temer e Dilma. Apenas 24% dos mais abonados o consideram melhor que ela.

Na segunda mais alta faixa de renda (de dois a cinco salários mínimos), 50% dos entrevistados colocam Temer atrás de Dilma em termos de desempenho de governo; 37% acham que não mudou nada; e apenas 13% acreditam que melhorou.

A esquerda tem chance?

Acuado pela Lava Jato, sem um coelho na cartola para fazer a economia voltar a crescer de modo convincente e experimentando do próprio veneno fisiologista que inoculou por décadas no Congresso, Temer só tem um foco: sobreviver um dia por dia. Com isso, o humor dos brasileiros, em relação a seu governo, pode azedar ainda mais – o que, por contraste, fará com que Dilma pareça, cada vez mais, menos desastrada do que se pensava.

Isso recoloca o PT e a esquerda no jogo eleitoral de 2018? Talvez. Dependerá da habilidade do partido e de seus aliados de explorar essa insatisfação e, ao mesmo tempo, neutralizar a fúria que levou ao Fora Dilma. Se fracassar, estará empurrando os eleitores para uma direita bastante intolerante. Diante da urna, o cidadão pensará: “foi ruim com Dilma e, por isso, não quero o PT. Foi pior com Temer e, por isso, não quero nada água-com-açúcar. Quero um candidato forte e que fala grosso.” E a desgraça estará feita.

Esqueça o Banco Central; os juros que deveriam cair são os do seu cartão

Márcio Juliboni
há 3 meses907 visualizações

Corte da Selic, anunciada nesta quarta, não significará rigorosamente nada para os brasileiros

Esqueça o Banco Central; os juros que deveriam cair são os do seu cartão
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(Foto: Grafite de Banksy)

Nesta quarta-feira (26), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou mais um corte na taxa básica de juros, a famosa Selic. Com a economia destroçada por dois anos de recessão, elevado desemprego e inflação abaixo da meta, praticamente todas as videntes do Viaduto do Chá e todos os analistas da Faria Lima já esperavam o resultado: um corte de um ponto percentual. Assim, a Selic recuou para 9,25% ao ano. É a primeira vez, em quatro anos, que temos juros básicos de um dígito. Mas, o que isso quer dizer para você, na prática? A resposta: rigorosamente nada.

A Selic é uma referência para o mercado, mas pesa muito pouco nos juros que você paga no dia a dia. Do financiamento imobiliário ao cartão de crédito, passando pela compra da geladeira e do carro, você está careca de saber que as taxas são muito, mas muito, mas pornograficamente muito maiores. Exemplos? Basta ver a tabela abaixo, elaborada pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) com a taxa média de juros cobrada pelo mercado dos consumidores (as famosas pessoas físicas) no mês passado. Diga-me: em qual coluna, pagamos algo como 9,25% ao ano para alguém?

Esqueça o Banco Central; os juros que deveriam cair são os do seu cartão

(Tabela elaborada pela Anefac)

Mas há outro dado revelador. No mesmo relatório, a Anefac aponta que, entre março de 2013, quando começou o último ciclo de aumentos da Selic, e junho passado, a taxa básica de juros do BC subiu 3 pontos percentuais (de 7,25% para 10,25%). No mesmo intervalo, os gentis banqueiros encareceram o crédito ao consumidor em 53,96 pontos (de aviltantes 87,97% para zombeteiros 141,93%). Resumindo: para cada 1 ponto percentual de alta da Selic pelo BC, os bancos nos cobraram 17,98 pontos a mais pelo dinheiro que nos emprestam.

Zzzzzzz.....zzzz...

O que justifica isso? O lenga-lenga dos bancos é conhecido. Os juros altos são um misto de elevada inadimplência, taxas e impostos, burocracia, custos de oportunidade, incertezas políticas e econômicas, câmbio etc. É verdade: o governo brasileiro atrapalha qualquer cristão. Chegamos às raias da loucura, sempre que lidamos com impostos e burocratas. Mas nada disso justifica uma diferença tão gritante entre o que os banqueiros pagam pelo dinheiro que pegam (a Selic) e o que eles nos cobram pelo que emprestam (os juros à pessoa física).

Aliás, duas coisas justificam. Primeira: a extrema concentração do sistema financeiro nacional. Segundo reportagem do G1 de abril, os quatro maiores bancos brasileiros dominavam, no fim de 2016, 80% do mercado de crédito. Palmas para o Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa!

O que nos leva à segunda razão por que os juros são tão altos no país: a absoluta falta de vontade do governo de combater essa concentração. Candidatos de direita, de esquerda e de centro adoram subir no palanque e desancar de pau os banqueiros. Dá votos. Dilma Rousseff chegou a veicular, durante a campanha pela reeleição, a pungente propaganda em que uma família via a comida sumir dia a dia do prato, enquanto banqueiros enriqueciam. Como já escrevi neste mesmo espaço, o fato é que nem Fernando Henrique Cardoso, nem Luiz Inácio Lula da Silva e nem Dilma tiveram a coragem de abrir o setor de serviços financeiros e promover maior concorrência. Michel Temer, mais preocupado em se segurar na cadeira de presidente do que em governar, tampouco está fazendo alguma coisa. Nas próximas eleições, como de praxe, todos aparecerão na TV e nos palanques gritando contra os juros altos. Balela. No escurinho dos encontros privados com os banqueiros, falarão mansinho como sempre.

(atualizado às 19h com a decisão do Copom)

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m.juliboni
Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!