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Com Temer ou sem Temer, tucanos já perderam

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni
Com Temer ou sem Temer, tucanos já perderam

A cúpula do PSDB pretende decidir, nesta segunda, se o partido fica ou sai do governo de Michel Temer. Diante da já folclórica mania tucana de ficar no muro, ninguém deveria se espantar se a reunião prevista para esta segunda termine decidindo que é melhor adiar a decisão. De qualquer modo, abandonar ou não Temer não é a questão mais importante para o partido agora. O ponto é que os tucanos já perderam o respeito dos eleitores, e suas chances de reconquistá-lo até 2018 são, até aqui, sofríveis.

Primeiro, vejam a crise interna que apoquenta os tucanos de alta plumagem. Tasso Jereissati e Fernando Henrique Cardoso querem que o partido pule fora do governo Temer o quanto antes. O argumento que os une é que a situação do peemedebista está insustentável. A pinguela estaria prestes a arrear. Mas, mesmo entre eles, há conflitos. Tasso defende que o partido apoie Rodrigo Maia como a pinguela da pinguela. Já FHC prefere antecipar as eleições de 2018 e deixar que o povo decida, nas urnas, quem deve segurar esse forninho.

De outro, Geraldo Alckmin defende apoio ao peemedebista, sob o pretexto de que é preciso pensar no Brasil, aprovar as reformas e salvar a economia. Seu desejo secreto é que Temer faça o “trabalho sujo” de aprovar as reformas impopulares e sangre bastante, para facilitar a ascensão do governador paulista ao Planalto. Com cara de esfinge, João Dória alinha-se a Alckmin pelas reformas, mas faz aquele suspense de novela ruim sobre sua pretensão de furar a fila tucana e subir a rampa primeiro.

Te pego lá fora

Fora do quadro principal, José Serra foi chamuscado por delações da Lava Jato. Mas o mais queimado de todos, como se sabe, é o presidente afastado do partido, Aécio Neves. Ainda que Marco Aurélio Mello, do STF, tenha lhe rasgado elogios ao restituir sua cadeira no Senado e os demais senadores, em flagrante corporativismo, o tenham inocentado, Aécio tornou-se apenas uma sombra do que era. É carta fora do baralho de 2018.

As ruas também não estão para tucanos. Desde a época dos movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff, a hesitação do partido em apoiá-los foi fatal para afastá-lo de parte da população. Quando, enfim, o PSDB quis tirar uma lasquinha de um jogo já jogado, entrou com um pedido de cassação da chapa da petista no TSE. O que era apenas para “encher o saco” do PT, nas palavras sinceras de Aécio, tornou-se um tremendo constrangimento.

Sem você, não vivo

Temer, o vice decorativo, tornou-se um presidente cada vez mais figurativo com o apoio concreto do PSDB, que conta com cargos no ministério e experimentou a embaraçosa situação de defender, na Justiça, a cassação de Temer, ao mesmo tempo em que o apoia no Executivo e no Legislativo. Se alguém tinha dúvidas sobre a imperícia de Aécio para conduzir os tucanos em tempos bicudos, está aí um eloquente exemplo.

Agora, o PSDB vive o pesadelo perfeito. Se ficar com Temer, afundará junto com sua paralisante impopularidade. No ano que vem, quem terá coragem de defender, diante das câmeras, o governo? Sair tampouco vai aliviar a barra. O partido pode até, quem sabe, talvez, olhe lá, chegar ao Planalto com um discurso de que é o único capaz de promover as reformas e tirar o país da crise (aquele manjado lenga-lenga de campanha). O problema é um só: não terá forças para reunir uma maioria no Congresso sem voltar para os braços... do PMDB! Como um amante rancoroso pela rejeição, o partido de Temer vai cobrar caro para reatar o namoro.