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Decadente, Aécio Neves vira escudo humano do Senado contra o STF

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni

Apoio de PT, PMDB e PSDB ao senador é apenas pretexto para manter quem realmente importa longe da Justiça

Decadente, Aécio Neves vira escudo humano do Senado contra o STF

(Foto: Lula Marques/ Agência Fotos Públicas)

Vamos ser simples: o futuro de Aécio Neves é o que menos interessa aos senadores neste momento. A gritaria contra a decisão do STF de afastar o senador tucano e determinar seu recolhimento noturno não tem nada de defesa da Constituição e da soberania dos poderes, como os parlamentares vociferam. Decadente, Aécio Neves é apenas um pretexto para o que realmente importa ao Senado: evitar que políticos realmente importantes sejam atingidos pelos ministros do Supremo. Acuado e enfraquecido, o tucano virou apenas um escudo humano na guerra entre o Congresso e a Justiça.

Aécio, em si, tem pouca importância política atualmente. Desde que foi derrotado por Dilma Rousseff, no segundo turno da eleição presidencial de 2014, sua carreira política descambou ladeira abaixo. Em outubro daquele ano, com seus 51 milhões de votos, o senador tucano encarnava a principal liderança de oposição ao petismo. Seus erros e suas hesitações, contudo, corroeram rapidamente seu prestígio.

(Desa)tino político

Um exemplo: como presidente nacional do PSDB, Aécio conseguiu meter o partido numa situação pra lá de constrangedora, ao tentar cassar a chapa Dilma-Temer no TSE, ao mesmo tempo em que era o principal aliado do novo presidente no governo. Por isso, amarelou e evitou críticas à corrupção que ainda persiste, com membros do primeiro escalão enrolados até a alma com a Lava Jato, como os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. Para quem combatia os escândalos do PT com alma de jihadista, o PSDB passou a ser manso como um cordeiro – o que fez com que ficasse com pecha de traidor dos movimentos pró-impeachment.

O tiro de misericórdia foi a conversa gravada com Joesley Batista, dono da JBS, em que Aécio pede, sem nenhuma cerimônia, R$ 2 milhões. Por mais que jure, até hoje, que se tratou de um pedido pessoal, sem nenhuma conotação política, o senador ainda sente as ondas de choque abalando seu mandato. Basta lembrar que a decisão do STF de afastá-lo e colocá-lo em recolhimento noturno baseia-se nesse caso. Ao mesmo tempo, Aécio perdeu espaço dentro de seu partido. Presidente afastado, teve de engolir a ascensão do senador Tasso Jereissati, uma rebelião dos parlamentares mais novos (os chamados “cabeças pretas”) e ataques públicos do prefeito de São Paulo, João Doria, que pediu sua renúncia ao comando do partido.

Tudo somado, o apoio dos eleitores a Aécio derreteu mais rápido que sorvete no verão carioca. Segundo a última pesquisa CNT/MDA, a intenção espontânea de votos no mineiro despencou de 2,2% para irrisório 0,3% entre fevereiro e setembro. Com isso, ele aparece tecnicamente empatado com o presidente Michel Temer, que conta com um vergonhoso 0,4%. Sua rejeição é enorme: quase 70% dos entrevistados dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Logo, politicamente, Aécio está na lona.

Os Aécios que importam

O fato de sua condenação pelo STF unir o PT, o PSDB e o PMDB não tem nada a ver, por isso, com a tentativa de reparar uma injustiça a um baluarte da democracia. Os maiores partidos do Senado são, também, os que possuem o maior número de senadores investigados e denunciados na Lava Jato. Permitir que o Supremo afaste Aécio é fazer a fila andar. Depois dele, viriam outros caciques realmente importantes para o bom andamento dos “negócios” na Casa.

Segundo a colunista Sônia Racy, no Estadão desta quinta-feira (28), Aécio é o terceiro político mais enrolado no STF, com 12 processos contra si. Com 14 denúncias, o vice-campeão é Romero Jucá, presidente nacional do PMDB e líder do governo no Senado. Já o campeão é ninguém menos que Renan Calheiros, também senador pelo PMDB de Alagoas. Renan ostenta o desonroso plantel de 18 processos. Dá ou não dá para entender toda a comoção de Vossas Excelências com o desaventurado colega?