LAVA JATO

Imagine mais 13 Cristianes Brasil no ministério de Temer. É o que teremos...

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Não será nenhuma surpresa, se os novos ministros que Temer nomeará até abril forem variações da filha de Roberto Jefferson

Imagine mais 13 Cristianes Brasil no ministério de Temer. É o que teremos...

Exemplar: Cris Brasil não estará só no governo (Foto: Luís Macedo/ Câmara dos Deputados)

Que ninguém se engane: a vergonhosa nomeação de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho, com toda a teimosa batalha jurídica para autorizar sua posse e, pior, seu passado de condenações na Justiça trabalhista, é apenas uma prévia do que nos espera. É muito provável que mais 13 nomes tão desqualificados, quanto o dela, tornem-se ministros de Michel Temer até abril. Isto porque, como se sabe, mais de uma dezena dos atuais assessores do presidente deixarão a Esplanada dos Ministérios para disputar as eleições em outubro. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta lembrar que é praticamente metade das 28 pastas que compõem o seu gabinete, incluindo aí secretarias com status de ministério.

Os dez que já confirmaram sua saída são Ricardo Barros (Saúde, filiado ao PP), Mendonça Filho (Educação, do DEM), Fernando Coelho (Minas e Energia, sem partido), Helder Barbalho (Integração Nacional, MDB), Sarney Filho (Meio Ambiente, do PV), Leonardo Picciani (Esportes, do MDB), Marx Beltrão (Turismo, do MDB), Maurício Quintela (Transportes, do PR), Raul Jungmann (Defesa, do PPS) e Osmar Terra (Desenvolvimento Social, do MDB).

Na fila

Outros três afirmam que avaliarão uma eventual candidatura mais perto de abril. São eles, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), e o mais aguardado de todos, Henrique Meirelles, da Fazenda e correligionário de Kassab.

Em uma democracia, é claro que não há nada de errado em políticos deixarem seus cargos no governo para tentarem uma nova eleição. Aliás, é, inclusive, mais correto, já que a desincompatibilização nivela o jogo, ao impedir que ministros utilizem o poder da máquina pública sob seu comando, com verbas, emendas etc., para se promoverem indevidamente. Além disso, o voto também existe para que o povo chancele ou reprove o desempenho de quem já obteve o direito de representá-lo no Executivo ou no Legislativo.

Saqueadores na Esplanada

O grande, o imenso, o hiperbólico problema, porém, é quem os sucederá na Esplanada dos Ministérios. Lembrem-se de que Temer é um presidente fraquíssimo em vários aspectos. O primeiro é sua taxa recorde de impopularidade. Como já escrevi neste espaço outras vezes, só há duas formas de um político conseguir apoio: o verbo e a verba. Para ganhar se dar bem pelo verbo, Temer deveria ter tudo o que não tem: legitimidade popular por meio do voto, carisma e uma visão clara do Brasil que quer construir. Assim, nenhum político o quererá por perto, quando a campanha eleitoral começar. Não subirá em palanques, nem aparecerá em santinhos ou propagandas gratuitas na TV abençoando candidatos. Se o fizer, queimará o filme de quem cometer esse erro primário de vincular sua imagem a um presidente sem moral nenhuma entre os brasileiros.

Resta-lhe apenas a segunda saída: a verba. Para terminar seu sofrível mandato, Temer se cercará do que há de mais detestável na política nacional: gente oportunista, antiética e fisiológica. Isto porque, num ano eleitoral, os partidos “aliados” farão de tudo para direcionar os recursos destinados a seus ministérios para seus currais eleitorais. A máquina pública funcionará, mais do que nunca, para promover candidatos – sem considerar eventuais esquemas de desvio de verbas para bancar campanhas...

Não será nenhuma surpresa, se os nomes indicados pelos partidos da base “aliada” forem variações da filha de Roberto Jefferson: mudarão o sexo, o nome, os deslizes éticos, os problemas com a Justiça e os padrinhos políticos interesseiros..., mas continuará o constrangimento de vermos a formação de um ministério notável, apenas, pelo fato de que nenhum de seus integrantes deveria estar lá. Isso, se não forem impedidos de tomar posse por outras liminares de outros juízes, ad infinitum...